Conde da Vila da Praia da Vitória
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| Pariato | |
| Criação | Luís I de Portugal 28 de julho de 1863 |
| Tipo | Vitalício – 1 vida |
| 1.º titular | Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara, 1.º Conde da Vila da Praia da Vitória |
| Títulos associados | Visconde de Bruges |
Conde da Vila da Praia da Vitória foi um título criado por decreto de D. Luís I de 28 de Julho de 1863 a favor de Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara, antes 1.º Visconde de Bruges,[1][2] político liberal da ilha Terceira, Açores.[3][4][5][6]
História
O 1.º Conde da Vila da Praia da Vitória foi Teotónio de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara Ponce de Leão Homem da Costa Noronha Borges de Sousa e Saavedra, nascido a 25 de abril de 1807 e falecido a 25 de outubro de 1870, na Quinta da Estrela, nos arredores de Angra do Heroísmo. Era filho de André Elói Homem da Costa Noronha de Leão, fidalgo da Casa Real e doutor em Direito, e de D. Pulquéria de Ornelas Paim da Câmara, senhora de vários vínculos na ilha Terceira.[4][5][6]

Aderiu desde cedo às ideias liberais, destacando-se entre os terceirenses que mais se opuseram aos governos absolutistas, especialmente ao do governador Stockler. Foi alferes de milícias de Angra em 1823 e, ao suceder a sua mãe, herdou bens vinculados. Promovido a capitão em 1825, foi dos primeiros a jurar a Carta Constitucional de 1826 e participou na preparação do pronunciamento liberal de 22 de junho de 1828, que assegurou a permanência do Regimento de Caçadores n.º 5 em Angra.[4][5]
Durante o período em que a ilha Terceira se manteve sob a autoridade de D. Maria II, Teotónio de Ornelas Bruges exerceu um papel relevante na causa liberal. Serviu como ajudante-de-ordens e, posteriormente, como ministro da Guerra do Governo Provisório instalado na ilha. Ocupou diversos cargos públicos, entre os quais os de coronel de milícias, provedor da Misericórdia, vogal da Junta Geral dos Açores e presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Participou na Batalha da Praia da Vitória e presidiu, em 1831, à delegação enviada a França para apresentar cumprimentos a D. Maria II e ao Duque de Bragança.[4][5][6]
Após a vitória constitucional, foi eleito deputado em 1834 e elevado a Visconde de Bruges em 1835,[1][2][7] exercendo mais tarde os cargos de governador civil e administrador-geral de Angra do Heroísmo. Promoveu a construção do monumento a D. Pedro IV e presidiu à Junta Governativa de Angra do Heroísmo durante a Patuleia, em 1847. Dedicou-se também a várias iniciativas de carácter público e assistencial na cidade de Angra. O título de Visconde foi-lhe concedido por Carta de 8 de dezembro de 1832 e o de Conde por Decreto de 28 de julho de 1863, ambos durante o reinado de D. Maria II.[4][5][6][7]

O seu filho, Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara Noronha Borges de Sousa e Saavedra (Angra, 14 de dezembro de 1833 – Madeira, 20 de janeiro de 1889), sucedeu-lhe como 2.º Conde[8][9] e 2.º Visconde de Bruges.[8] Foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real, grã-cruz da Ordem de Francisco José da Áustria, comendador das Ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, deputado, adido à legação de Portugal em Bruxelas e governador civil de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada. Fundou a Sociedade Promotora das Artes e Letras, em Angra do Heroísmo, e o Asilo da Mendicidade, em Ponta Delgada.[4][5][9][10][11]
O título de Visconde foi-lhe concedido por Decreto de 24 de dezembro de 1864 e o de Conde por Decreto de 9 de outubro de 1870, ambos de D. Luís I.[4][5]
O filho primogénito do 2.º Conde foi Teotónio Octávio de Ornelas Bruges Ávila Paim da Câmara, a quem foi concedido o título de 3.º Visconde de Bruges, que acabou por renunciar. Faleceu casado e sem geração, passando a representação genealógica da sucessão do título para a descendência do seu irmão Jácome de Ornelas Bruges Paim da Câmara. O Conselho da Nobreza confirmou esta representação, emitindo, em 20 de janeiro de 1948, um certificado a favor de Jácome Saavedra de Ornelas Bruges, que não usou o título, mas assegurou os direitos de representação para o seu filho homónimo, nascido a 6 de janeiro de 1925. O título viria, contudo, a ser renovado no ramo secundogénito do 1.º Conde, em data anterior a esse certificado.[4][5]
O 3.º Conde foi Augusto de Ornelas Bruges, nascido a 26 de julho de 1874 e falecido a 5 de maio de 1944, filho de Teotónio de Ornelas Bruges (filho secundogénito do 1.º Conde) e de D. Eugénia de Lima Mayer. A representação do título, até então não requerido por nenhum membro da linha primogénita, foi-lhe concedida pela Comissão de Verificação e Registo de Mercês em 29 de abril de 1942.[4][5]
Após a sua morte, o seu sobrinho João de Ornelas Bruges de Oliveira, nascido a 8 de julho de 1898, filho do Dr. António Alves de Oliveira, médico da Armada, e de D. Eugénia Paim de Ornelas Bruges (irmã do 3.º Conde), obteve da mesma Comissão o reconhecimento da representação do título em 22 de janeiro de 1945. Casou em Lisboa, a 9 de setembro de 1924, com D. Maria da Mãe de Deus de Carvalho Daun e Lorena, nascida na mesma cidade a 9 de agosto de 1904, filha do Dr. João José de Carvalho Daun e Lorena e de D. Maria José de Almeida Nápoles de Carvalho.[4][5]
Armas
- Escudo esquartelado: no 1.º Paim; no 2.º Ornelas; no 3.º Sousa; e no 4.º Câmara.[7]
Viscondes de Bruges (1832)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara[7] | 1807 — 1870[4][5] | 1.º Visconde de Bruges[1][2][7][10] | Criado 1.º Conde da Vila da Praia da Vitória;[4][5][12][13][6] |
| 2 | Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara | 1833 — 1889[4][5] | 2.º Visconde de Bruges[8] | Filho do anterior;[4][5] Também 2.º Conde da Vila da Praia da Vitória;[4][5][14][8][10] |
| 3 | Teotónio Octávio de Ornelas Bruges | 1861 — 1906[4][5] | 3.º Visconde de Bruges | Filho primogénito do 2.º Conde; Renunciou aos títulos; Faleceu casado e sem descendência;[4][5] |
Condes da Vila da Praia da Vitória (1863)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara[6] | 1807 — 1870[4][5] | 1.º Conde da Vila da Praia da Vitória[6] | Criado 1.º Conde da Vila da Praia da Vitória;[4][5][12][13] Também 1.º Visconde de Bruges;[6] |
| 2 | Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara[9][10][11] | 1833 — 1889[4][5][9][10] | 2.º Conde da Vila da Praia da Vitória[14][9][10] | Filho do anterior;[4][5] Também 2.º Visconde de Bruges;[4][5][14] Casou a 4 de julho de 1860, com D. Maria Inácia Pacheco de Meneses Forjaz Sarmento de Lacerda; Teve descendência deste casamento;[4][5][9][10][11] |
| 3 | Augusto de Ornelas Bruges | 1874 — 1944[4] | 3.º Conde da Vila da Praia da Vitória[15] | Filho de Teotónio de Bruges (filho secundogénito do 1.º Conde)[4] e neto do 1.º Conde;[4][5] Não casou e não teve descendência; |
Representantes do título na República (1910)
| # | Titular | Datas | Títulos pretendidos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 3 | Augusto de Ornelas Bruges | 1874 — 1944[4] | 3.º Conde da Vila da Praia da Vitória[15] | Filho de Teotónio de Bruges (filho secundogénito do 1.º Conde)[4] e neto do 1.º Conde;[4][5] Não casou e não teve descendência; |
| — | Jácome Saavedra de Ornelas Bruges[6] | 1926 —? | Conde da Vila Praia da Vitória[6] | Bisneto do 2.º Conde da Vila da Praia da Vitória; Casou a 23 de junho de 1963, com Maria Luísa Crespo Vargas Rocha; Teve descendência deste casamento;[6] |
Referências
- ↑ a b c «Arquivo Histórico | Atestado de doença do Visconde de Bruges». ahpweb.parlamento.pt. Consultado em 20 de março de 2023
- ↑ a b c «Índice de autores | Bruges, 1.º Visconde de, 1807-1870». hemerotecadigital.cm-lisboa.pt. Consultado em 20 de março de 2023
- ↑ Almeida, A. Duarte de (1938). Enciclopédia histórica de Portugal. [S.l.]: J. Romano Torres & c.a
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal. 3. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 492-494
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha das familias titulares e grandes de Portugal. 2. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 758-760
- ↑ a b c d e f g h i j k Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 505-511
- ↑ a b c d e Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 648-649
- ↑ a b c d «Arquivo: Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara (2.º Visconde de Bruges e 2.º Conde da Praia da Vitória) - Instituto Cultural de Ponta Delgada». www.icpd.pt. Consultado em 20 de março de 2023
- ↑ a b c d e f «Jacome de Bruges Orneias, 2.º visconde de Bruges e 2.º conde da Vila da Praia da Vitória - Portugal, Dicionário Histórico». www.arqnet.pt. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e f g «Arquivo: Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara (2.º Visconde de Bruges e 2.º Conde da Praia da Vitória) - Instituto Cultural de Ponta Delgada». www.icpd.pt. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ a b c Administrador, Publicado por (14 de dezembro de 2019). «Jácome de Ornelas Bruges – 2º Conde da Praia da Vitória». NO Revista. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ a b Leite, José Guilherme Reis (1995). Política e administração nos Açores de 1890 a 1910: o 10 movimento autonomista. [S.l.]: Jornal de Cultura Publicações e Artes Gráficas
- ↑ a b Zúquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal: bibliografia, biografia, cronologia, filatelia, genealogia, heráldica, história, nobliarquia, numismática. [S.l.]: Editorial Enciclopédia
- ↑ a b c Ernesto do Canto: retratos do homem e do tempo : actas do Colóquio, Universidade dos Açores, 25-27 de outubre de 2000. [S.l.]: Universidade dos Açores. 2003
- ↑ a b Grande enciclopédia portuguesa e brasileira: ilustrada com cêrca de 15.000 gravuras e 400 estampas a côres. [S.l.]: Editorial Enciclopédia. 1959
Bibliografia
- Gonçalo Nemésio, Azevedos da Ilha do Pico, Edição do Autor, 1ª Edição, Lisboa, 1987, pág. 231.
- Jornal: “O Angrense” nº 3070 de 1906, 1ª página. Depósito da Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo, Palácio Bettencourt.

