Conceição Oliveira
| Conceição Oliveira | |
|---|---|
| Nascimento | 2 de junho de 1957 Portugal |
| Morte | 13 de agosto de 2025 (68 anos) Lisboa |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Alma mater | Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa |
| Ocupação | Juíza de direito |
Maria da Conceição Jesus Pereira Santos de Oliveira (Loures, 2 de junho de 1957 - Lisboa, 13 de agosto de 2025), foi uma Juíza de direito portuguesa, que se destacou pela coragem e frontalidade, com que se bateu por uma justiça democrática e eficiente, intervindo no debate público, para designadamente denunciar abusos policiais e “lobbies” na magistratura, e enfrentar, sem medo, apesar das várias ameaças de morte a que foi sujeita, a criminalidade praticada por ricos e poderosos, tendo, entre outros, mandado prender preventivamente o ex-presidente do Sport Lisboa e Benfica, João Vale e Azevedo, bem como os principais dirigentes da Universidade Moderna.[1][2][3][4][5]
Biografia
- Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que frequentou, de 1976 a 1982, enquanto trabalhava, como funcionária judicial (oficial de justiça), nos juízos criminais e correcionais de Lisboa (tribunal da Boa-Hora), em 1984, ingressou no Centro de Estudos Judiciários, como auditora de justiça, frequentando o III Curso normal de formação de magistrados;[6][1]
- de 1990 a 2001 esteve colocada, como Juíza de direito, no tribunal de instrução criminal de Lisboa.[1] É durante este período e no exercício destas funções que tem intervenção em processos mediáticos, nomeadamente, ordenando, em 2001, a prisão preventiva do ex-presidente do Sport Lisboa e Benfica, João Vale e Azevedo, bem como a dos principais dirigentes da Universidade Moderna,[7][8] revelando enorme coragem na investigação e perseguição penal de atividade criminal praticada por ricos e poderosos,[5][4][9][2][3] bem como, intervindo, com frontalidade, no debate público, através dos mídia,[10][11][12][13] bateu-se por uma justiça democrática e eficiente, denunciando abusos policiais e “lobbies” na magistratura, tendo, por esse facto, sido alvo de um processo disciplinar por parte do Conselho Superior da Magistratura, tudo enfrentando, sem medo, apesar das várias ameaças de morte a que foi sujeita.[14][5] Igualmente se insurgiu sempre contra abusos policiais, tendo ela própria sido vítima de tais práticas na sequência de uma rusga da PSP (Polícia de Segurança Pública), no Cais do Sodré, em Lisboa, numa noite de fim-de-ano, em que acabou detida e algemada numa esquadra até de manhã, apesar do advogado João Nabais, com quem então estava casada e que com ela se encontrava nas instalações policiais, ter informado que Conceição Oliveira era juíza;[9][15]
- em 1995, casou com o advogado João Nabais. De uma ligação anterior teve uma filha (Joana);[9][16]
- de setembro de 2001 a maio de 2013, foi Juíza de Direito do 4.º juízo criminal de Lisboa, tendo estado de baixa médica entre setembro de 2007 e setembro de 2008, devido à perturbação afetiva bipolar, que lhe foi diagnosticada e atestada por Junta médica, e a fazia alternar entre períodos de depressão e períodos de ânimo intenso, e tendo voltado ao trabalho depois da recusa da Caixa Geral de Aposentações em a reformar por invalidez;[1][16][17][5]
- só decorridos quase mais cinco anos é que, por despacho do vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura de 29 de maio de 2013, foi desligada do serviço para efeitos de aposentação por incapacidade.[17][18]
Referências
- ↑ a b c d «Lista de antiguidade dos juízes referente a 31 de dezembro de 2012» (PDF). Conselho Superior da Magistratura. 11 de junho de 2013. p. 76. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ a b «Morreu Conceição Oliveira, a juíza que mandou prender Vale e Azevedo e os suspeitos do Caso Moderna». Expresso. 14 de agosto de 2025. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ a b «Morreu Conceição Oliveira, juíza de casos mediáticos dos anos 90». Jornal de notícias. 15 de agosto de 2025. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ a b «comentário semanal de Ana Gomes» 🔗. SIC Notícias. 17 de agosto de 2025. p. ver vídeo ao minuto 15:45. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ a b c d «O preço da coragem - A carreira de Conceição Oliveira mostra o que custa construir uma Justiça capaz de confrontar os poderosos, por João Paulo Batalha». Sábado. 21 de agosto de 2025. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ «Maria da Conceição de Jesus Pereira Santos de Oliveira aluna de 1976 a 1982». arquivos da Universidade de Lisboa. 28 de dezembro de 2020. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ MONGINHO, Julieta (2002). Onde está J.?. [S.l.]: Campo das Letras. p. 135. ISBN 9789726105336. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ PINTO, Manuel (2008). Os media em Portugal nos primeiros anos do século XXI. [S.l.]: Campo das Letras. p. 205. ISBN 9789896252892. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ a b c «"Não suporto a desorganização da Justiça"». Correio da manhã jornal. 7 de setembro de 2008. Consultado em 12 de agosto de 2025
- ↑ «Justiça Cega – Parte II (ver vídeo ao minuto 22:53)». Arquivos RTP. 15 de janeiro de 2003. Consultado em 29 de agosto de 2025
- ↑ «Onde Está Fátima Felgueiras?». Arquivos RTP. 7 de maio de 2003. Consultado em 29 de agosto de 2025
- ↑ «Libertação de Paulo Pedroso». Arquivos RTP. 8 de outubro de 2003. Consultado em 29 de agosto de 2025
- ↑ «Caso da factura detalhada». Arquivos RTP. 3 de maio de 1992. Consultado em 29 de agosto de 2025
- ↑ «Conceição Oliveira pede audiência ao Presidente da República- Juíza que instruiu caso Moderna contesta perda de segurança pessoal». Público. 11 de março de 2003. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ «Justiça Cega – Parte I». Arquivos RTP. 5 de fevereiro de 2003. p. ver vídeo ao minuto 24:30. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ a b «"Não vou voltar a julgar"». Correio da manhã jornal. 24 de agosto de 2008. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ a b «Conselho Superior da Magistratura - Despacho (extrato) n.º 7571/2013» (PDF). Diário da República. 12 de junho de 2013. p. 19051. Consultado em 24 de agosto de 2025
- ↑ «Conceição Oliveira continua como juíza instrutora do «caso Moderna»». Público. 7 de setembro de 2001. Consultado em 24 de agosto de 2025