Complexo de Cassandra

O Complexo de Cassandra (também chamada de "Metáfora de Cassandra", "complexo", "fenômeno", "dificuldade", "dilema", "síndrome" ou "maldição") refere-se a uma pessoa cujos avisos, predições, profecias ou preocupações válidos são tomadas como falsas ou desacreditadas veementemente.

Pintura de Cassandra. Por Evelyn De Morgan.

O termo tem origem na mitologia grega. Cassandra era filha de Príamo, rei de Troia. Impressionado com sua beleza, Apolo lhe concedeu o dom da profecia, sob a condição de que ela aceitasse suas investidas românticas (ou sem o consentimento prévio de Cassandra, dependendo da fonte). Quando ela recusou as investidas de Apolo, ele a amaldiçoou, garantindo que ninguém acreditaria em seus avisos. Cassandra ficou com o conhecimento de eventos futuros, mas não podia alterá-los nem convencer os outros da validade de suas previsões [1].

A metáfora tem sido aplicada em diversos contextos, como psicologia, ambientalismo, política, ciência, cinema, mundo corporativo e filosofia. A expressão circula pelo menos desde meados de 1800, quando Charles Oman a utilizou em seu livro "A History of the Peninsular War" (Volume 5)[2], publicado em 1812. Mais tarde, em 1949, o filósofo francês Gaston Bachelard cunhou o termo "Complexo de Cassandra" para se referir à crença de que as coisas poderiam ser conhecidas com antecedência[3].

Psicologia

A metáfora de Cassandra é aplicada por alguns psicólogos a indivíduos que vivenciam sofrimento físico e emocional como resultado de percepções pessoais angustiantes e que não são acreditados quando tentam compartilhar a causa de seu sofrimento com os outros[4].


  1. Homero. (1996). A Odisseia (R. Fagles, Trad.). Penguin Books.
  2. Omã, Charles. (1812) A history of the Peninsular War, vol. 5, outubro de 1811 a agosto: Valência, Ciudad Rodrigo, Badajoz, Salamanca, Madrid. Download em https://www.gutenberg.org/ebooks/62291
  3. Bachelard, Gaston (1949) Le Rationalisme appliqué PUF, Paris
  4. Schapira, Laurie Layton (2018) O Complexo de Cassandra: Histeria, Descrédito e o Resgate da Intuição Feminina no Mundo Moderno. 1. ed. São Paulo: Cultrix.