Complexo Itapetim

Inselbergues em Brejinho, Pernambuco

O Complexo Itapetim, também chamado de Complexo Granítico Itapetim, é uma grande e dispersa formação rochosa localizada na região do Sertão do Pajeú, no estado de Pernambuco, Brasil. Essa formação neoproterozóica tem origem ígnea plutônica e foi originada durante a Orogênese Brasiliana, há cerca de 638 milhões de anos atrás, e constitui uma intrusão sin-tectônica associada ao evento D3.[1] O complexo é caracterizado pela presença de vários inselbergues graníticos e gnáissicos, com uma alta concentração no município de Itapetim.[2]

Geologia

Topo de um inselbergue em Brejinho, Pernambuco. Nota-se a textura granular típica de rochas graníticas.

O Complexo Itapetim faz parte do Lineamento Patos, uma importante cadeia de montanhas. A formação é composta principalmente por monzogranitos porfiríticos, que se formaram a partir de atividades vulcânicas antigas. Além disso, o complexo apresenta enclaves de rochas dioríticas, ricas em ferro e magnésio. Entre os minerais predominantes no complexo estão a caulinita, quartzo, feldspato potássico, ouro, ferro, magnésio e turmalina.[1][3]

A formação está em contato com rochas de diferentes idades: ao sul e a leste, faz contato com supracrustais e granitos gnáissicos formados durante o evento mesoproterozóico Cariris Velhos. Ao noroeste, o complexo interage com uma faixa de gnaisses de idade paleoproterozóica, que são rochas metamórficas mais antigas.[1]

Atividade vulcânica

A proximidade do Complexo Itapetim com a Serra Preta, localizada em São José do Egito, sugere a ocorrência de atividade vulcânica na região no passado geológico. Essa associação reforça a ideia de que a formação granítica tenha sido influenciada por processos vulcânicos antigos.[4]

Ruínas de uma antiga mina de ouro na comunidade rural de Pimenteira do Ouro, Itapetim, Pernambuco

Exploração

O Complexo Itapetim é rico em minerais como ferro, quartzo, magnésio e ouro. Durante a segunda metade do século XX, a região foi explorada pela mineração de ouro em diversos locais, com destaque para a Mina de Piedade do Ouro, localizada em Itapetim, que operou da década de 1940 até 1985.[5] Além disso, a área também foi utilizada para a construção de trincheiras na Serra do Teixeira, na Paraíba.[6]

Referências

  1. a b c Guimarães, I. P; da Silva Filho, A. F (1 de novembro de 2000). «Evidence of multiple sources involved in the genesis of the neoproterozoic itapetim granitic complex, NE Brazil, based on geochemical and isotopic data». Journal of South American Earth Sciences (6): 561–586. ISSN 0895-9811. doi:10.1016/S0895-9811(00)00040-7. Consultado em 8 de março de 2025 
  2. Imagens de satélite disponíveis no Google Maps e Google Earth
  3. Pereira, Laís Cristina Leite (17 de janeiro de 2020). «Integração de dados aerogeofísicos e sensoriamento remoto para a caraterização geológica da região de Itapetim (PE) e Teixeira (PB), e seleção de alvos prioritários para mineralização de ouro». repositorio.ufpe.br. Consultado em 8 de março de 2025 
  4. «Os vulcões de Pernambuco». www.folhape.com.br. Consultado em 8 de março de 2025 
  5. Pereira, João Paulo; Sertão, Repórter do (11 de julho de 2020). «Itapetim| Piedade do Ouro e o sonho que virou realidade». reporterdosertao.com. Consultado em 8 de março de 2025 
  6. Paiva, Ivo Pessato (1992). «Projeto Itapetim». Consultado em 8 de março de 2025