Companhia Dinamarquesa das Índias Ocidentais e Guiné

Companhia Dinamarquesa das Índias Ocidentais e Guiné
Estandarte real das Índias Ocidentais Dinamarquesas
Nome nativoVestindisk-Guineisk Kompagni
Companhia majestática
AtividadeComércio internacional, tráfico de escravos
Fundação11 de março de 1671 (354 anos)
Fundador(es)Cristiano V da Dinamarca
DestinoLiquidada
Encerramento22 de novembro de 1776
SedeCopenhaga, Reino da Dinamarca e Noruega
Área(s) servida(s)Índias Ocidentais, África Ocidental
Sucessora(s)Governo da Dinamarca

A Companhia Dinamarquesa das Índias Ocidentais e Guiné (em dinamarquês: Vestindisk-Guineisk Kompagni), também conhecida como Companhia Dinamarquesa das Índias Ocidentais (em dinamarquês: Vestindisk Kompagni), foi uma companhia majestática do Reino da Dinamarca e Noruega, responsável pela administração e exploração das possessões coloniais dinamarquesas nas Caraíbas e na Costa do Ouro Africana.

A companhia detinha o monopólio do comércio entre as Índias Ocidentais e a Guiné, beneficiava de privilégios económicos, possuía jurisdição própria e detinha o direito exclusivo de refinação de açúcar dentro do reino e dos seus domínios ultramarinos. Em contrapartida, estava obrigada a manter ligações marítimas regulares entre as colónias, a fornecer um volume determinado de produtos dinamarqueses e a transportar gratuitamente as mercadorias pertencentes ao Rei da Dinamarca.

A empresa era organizada de forma semelhante às atuais sociedades anónimas, contando com um conselho administrativo, uma direção executiva e uma assembleia-geral. A sua sede localizava-se em Copenhaga.

História

Primeiros anos

Mapa detalhado mostrando a sede e o porto da Companhia em Copenhaga

Em Março de 1659 a Companhia Africana Dinamarquesa foi criada em Glückstadt, por iniciativa do finlandês Hendrik Carloff, dos neerlandeses Isaac Coymans e Nicolaes Pancras, e dos mercadores alemães Vincent Klingenberg e Jacob del Boe. O seu mandato incluía comércio com a Costa do Ouro Dinamarquesa (actual Gana). Após a conquista dinamarquesa das possessões suecas na região, em 1663, a companhia passou também a administrar os antigos territórios da Costa do Ouro Sueca.

A Companhia das Índias Ocidentais Dinamarquesas foi organizada em Novembro de 1670 e licenciada pelo Rei Cristiano V da Dinamarca em 11 de Março de 1671.[1]

Em 1671 a Companhia Africana Dinamarquesa foi incorporada na Companhia das Índias Ocidentais Dinamarquesas.

Em 1668, foi estabelecida uma colónia dinamarquesa na Ilha de São Tomás, pertencente às actuais Ilhas Virgens Americanas, dos EUA.[2]

A primeira colonização bem sucedida de São Tomás empregou barcos da Marinha Real Dinamarquesa-Norueguesa, nomeadamente o iate Den forgyldte Krone e a fragata Faeroe. Posteriormente, a companhia passou a utilizar embarcações próprias, recorrendo ocasionalmente à Marinha Real Dinamarquesa para escolta.

A partir de Agosto de 1680 a companhia passou a ser conhecida como Companhia das Índias Ocidentais-Guiné.

Embora inicialmente pouco lucrativa, a companhia começou a gerar receitas significativas com o aumento da tributação e com a centralização das exportações directamente para Copenhaga.[3]

A Ilha de São João foi adquirida em 1718 e a Ilha de Santa Cruz foi adquirida em 1733, ambas anteriormente sob domínio do Reino da França.

Nos séculos XVII e XVIII, a companhia floresceu graças às rotas do comércio triangular no norte do Oceano Atlântico, Escravos vindos da Costa de Ouro de África eram trocados por melaço e rum nas Caraíbas.

Encerramento

A companhia administrou as colónias até 1754, quando o governo dinamarquês assumiu o controlo directo através da Câmara das Receitas. Entre 1760 e 1848, a administração colonial passou a ser exercida pelo organismo conhecido como Vestindisk-guineiske rente- og generaltoldkammer.

Reabertura

Em 18 de Março de 1765, Frederik Bargum obteve autorização régia para reabrir a companhia sob a designação de Companhia Guineense, com o objectivo de manter o comércio nas colónias da Costa do Ouro Dinamarquesa. Em novembro desse mesmo ano, a empresa recebeu os fortes de Christiansborg e Fredensborg por um período de 20 anos. Contudo, ao contrário do passado, não beneficiou de um monopólio exclusivo, passando a competir com comerciantes dinamarqueses, noruegueses e de outros reinos do Norte da Europa.

Encerramento definitivo

As dificuldades financeiras levaram à dissolução definitiva da companhia em 22 de Novembro de 1776. Antecipando esse desfecho, o governo dinamarquês-norueguês reassumiu o controlo dos fortes em Agosto de 1775. Frederik Bargum fugiu do país em 1774 para evitar os seus credores. [4]

Barcos da Companhia

  • Charlotte Amelie (1680s)
  • Den Unge Tobias (Jovem Tobias, 1687)
  • Røde Hane (Galo Vermelho, 1687)
  • Maria (1687)
  • Pelicanen (Pelicano)
  • Unidade (1700s)

Ver também

Referências

  1. Westergaard, Waldemar. «The Danish West Indies Under Company Rule». www.ebooksread.com (em inglês). Consultado em 1 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 2 de abril de 2023 
  2. Dookhan, Isaac (1974). A History of the Virgin Islands of the United States. books.google.com (em inglês). [S.l.]: Canoe Press. p. 33. ISBN 9768125055. Consultado em 1 de janeiro de 2026 
  3. Thomas, Hugh. The Slave Trade, pp. 172 & 188. Phoenix (London), 2006.
  4. «Frederik Bargum». denstoredanske.dk (em dinamarquês). Dansk Biografisk Leksikon. Consultado em 1 de janeiro de 2026 

Referências