Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara
A Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC) foi um órgão colegiado instituído pelo Estado de Pernambuco com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, com ênfase no período da ditadura militar brasileira (1964–1985).[1]
Nomeada em homenagem ao arcebispo Dom Helder Câmara, a comissão foi fundamental para a reconstrução histórica da resistência política e da repressão no estado, culminando na publicação de um extenso relatório final e na recomendação de criação do Memorial da Democracia de Pernambuco.
História e Criação
A CEMVDHC foi criada pela Lei Estadual nº 14.688, de 1º de junho de 2012, sancionada pelo então governador Eduardo Campos.[1] Sua instalação ocorreu em um contexto nacional de busca pela verdade, em consonância com a instalação da Comissão Nacional da Verdade.
A comissão foi integrada por nove membros de notória reputação e histórico de defesa da democracia, sendo composta de forma pluralista, com representação majoritária da sociedade civil.[2]
Objetivos
De acordo com o seu planejamento estratégico e legislação de suporte, a comissão estabeleceu como metas principais:
- Identificar estruturas, locais, instituições e grupos associados a violações de direitos humanos;
- Colaborar com instâncias do Poder Público para o esclarecimento de desaparecimentos forçados e identificação de restos mortais;
- Promover a recuperação da memória histórica de grupos perseguidos, como camponeses, operários, estudantes e religiosos;
- Propor medidas de reparação simbólica e políticas públicas de não repetição.[3]
Atividades e Metodologia
A comissão desenvolveu suas atividades por meio de audiências públicas, depoimentos de vítimas e agentes da repressão, além de intensas pesquisas em arquivos públicos, como o Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano.
Um aspecto central de sua atuação foi a parceria com universidades e instituições de pesquisa, notadamente com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que auxiliou na sistematização de dados e na documentação do projeto "Revelando o Patrimônio Fortificado".[4][5]
Relatório Final
Em dezembro de 2017, a CEMVDHC entregou o seu relatório final, que serve como documento histórico essencial para o Estado:
- Volume 1: Aborda as estruturas da repressão em Pernambuco, a perseguição a movimentos sociais e o papel das instituições estatais.[6]
- Volume 2: Detalha casos específicos de mortos e desaparecidos políticos, além de recomendações ao Estado para a promoção da justiça e da memória.[7]
Legado
O principal legado institucional da comissão foi a criação do Memorial da Democracia de Pernambuco – Fernando de Vasconcellos Coelho, inaugurado em 2022. O memorial abriga o acervo documental e os registros orais reunidos durante os trabalhos da CEMVDHC, garantindo a continuidade do direito à memória em Pernambuco.
Ver também
Referências
- ↑ a b «Lei nº 14.688, de 1º de junho de 2012». Alepe Legis. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Sobre a Comissão». Comissão da Verdade de Pernambuco. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Planejamento Estratégico CEMVDHC» (PDF). Acervo PE
- ↑ «CEMVDHC e o Patrimônio Fortificado». RPF UFPE. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ «Comissão apresenta relatório ao Consuni da UFPE». ADUFEPE
- ↑ «Relatório Final CEMVDHC - Vol. 1» (PDF). Comissão da Verdade PE
- ↑ «Relatório Final CEMVDHC - Vol. 2» (PDF). Comissão da Verdade PE