Comercial Futebol Clube (São Paulo)
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| Nome | Comercial Futebol Clube | ||
| Fundação | 3 de abril de 1939 | ||
| Extinção | 1961 | ||
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O Comercial Futebol Clube foi um clube brasileiro de futebol da cidade de São Paulo. Fundado em 3 de abril de 1939, suas cores eram vermelha e branca. Foi um dos membros fundadores da Federação Paulista de Futebol. Foi extinto em 1961[1].
História
Em 10 de abril de 1939, o conselho de fundadores da Liga de Futebol do Estado de São Paulo aprovou a mudança de nome do Luzitano para Comercial Futebol Clube, sob a presidência de Oscar da Silveira Campos.[2] A votação foi por unanimidade, apesar da expectativa de que muitos clubes se manifestassem contra a mudança.[2] "O Comercial, com efeito, possui recursos bem maiores do que o antigo Luzitano", escreveu o Diário Popular. "E será, sem dúvida, mais um poderoso grêmio que virá abrilhantar nossos campeonatos oficiais. Segundo fomos informados, não tardarão a ser iniciadas as obras de remodelação do estádio comercialino, e assim contaremos com um novo local para assistências numerosas, coisas que faz bastante falta em São Paulo no momento."[2]
No dia seguinte, uma reunião na Rua José Bonifácio, 39, deu posse à primeira diretoria do Comercial.[3] Além de Campos, fizeram parte dela Charles Marchais como primeiro vice-presidente, Arthur César Lopes como segundo vice-presidente, José Marcellini como secretário geral, Albino de Souza como primeiro secretário, Domingos Croce como segundo secretário, Hernâni Lopes como primeiro tesoureiro, Mário Bandeira como segundo tesoureiro e José Bernardino Pantaleão como diretor de esportes.[3]
Apesar de ser vista inicialmente como uma mera troca de nome, foi adotada nova data de fundação, e muito pouca coisa do Luzitano foi aproveitada, pois os dirigentes queriam "ver o onze comercialino brilhar sobremaneira e logo passar para a categoria de esquadrão", nas palavras do Diário Popular.[4] O jornal ainda comparou a mudança à fusão do São Paulo com o Estudante Paulista, no ano anterior, como mais um acontecimento para "aumentar o prestígio do futebol paulista".[4]
A estreia do Comercial foi num amistoso contra o Palestra Itália, no Parque Antarctica, mas terminou com uma derrota por 7 a 2.[5] A primeira escalação foi composta por Jacyntho (Domingos); Nélson e Thomazini; Mandico, Tony e Gherardi (Geraldo); Renato (Luizinho), Zico, Macaco, Gallet (Dias) e Oswaldinho.[5] Seis titulares foram mantidos em relação à última partida do Luzitano, um mês antes: Thomazini, Mandico, Tony, Renato, Zico e Macaco.
O Comercial tinha por objetivo ser o segundo time de todo mundo. Seu apelido, inclusive, era "O mais simpático", que juntamente com seu mascote, reforçava a imagem de atrair o torcedor de outros clubes. Durante a década de 1950 possuiu em seus quadros jogadores que iriam "brilhar" mais tarde nos clubes "grandes" de São Paulo, tais como Dino Sani e Gino Orlando.
Em 1953, a equipe fundiu-se com o São Caetano Esporte Clube, dando origem à Associação Atlética São Bento. O clube durou apenas 4 anos. Com a separação, em 1957, o Comercial, que tinha sua sede na Praça Clóvis Bevilacqua, voltou a disputar o Campeonato Paulista no ano seguinte, mas não repetiu as mesmas campanhas de sua primeira fase. Cai para a segunda divisão em 1960 e para a terceira em 1961, quando a equipe profissional foi desativada, desistindo de jogar o torneio.[6]
"Estava escrito, porém, que se trata de um clube sem futuro e sem vida", escreveu o Diário Popular, em junho de 1961. "Tentou, na Justiça, ser reconduzido ao posto para o qual, dentro de campo, não conseguira mostrar virtudes. Depois, participou — à revelia — do campeonato da Primeira Divisão de Profissionais [correspondente à segunda divisão]. Também naufragou. Agora, eis que também é alijado da Segunda Divisão, pois reconhece que não tem capacidade para disputar o torneio. Parece que o Alvirrubro, que iniciou com tanta disposição e esperando ser o redentor dos comerciários, terá, mesmo, como fim a vala comum.[6]
Participou 16 vezes (1939 a 1949), (1951 a 1953) e (1958 e 1959) do Campeonato Paulista de Futebol, e continuou participando dos campeonatos infanto-juvenis da Federação Paulista de Futebol até o final da década de 1970, sob a direção do presidente Antônio La Porta. Seu presidente mais conhecido foi o capitão Oberdan de Nicola.
Referências
- ↑ Que fim levou? Terceiro Tempo
- ↑ a b c «A reunião de hontem do conselho de fundadores da Liga». São Paulo: Diário Popular. Diário Popular (17 935): 14. 11 de abril de 1939
- ↑ a b «Tomou posse a primeira directoria do Commercial F.C.». Folha da Manhã (4 627). São Paulo: Empresa Folha da Manhã. 12 de abril de 1939. p. 9. ISSN 1414-5723. Consultado em 9 de junho de 2025
- ↑ a b «A estréa do Commercial F.C., ex-Luzitano, na Liga Paulista». São Paulo: Diário Popular. Diário Popular (17 956): 14. 6 de maio de 1939
- ↑ a b «Facil victoria do Palestra sobre o Commercial». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (21 349): 7. 7 de maio de 1939. ISSN 1516-2931. Consultado em 9 de junho de 2025
- ↑ a b «Pingos nos 'ii'». São Paulo: Diário Popular. Diário Popular (17 956): 2, 2.º caderno. 2 de junho de 1961


