Comadia redtenbacheri

Comadia redtenbacheri
Fotografia da mariposa, ou traça, C. redtenbacheri em repouso.
Fotografia da mariposa, ou traça, C. redtenbacheri em repouso.
A lagarta norte-americana de C. redtenbacheri, denominada gusano rojo de maguey, única espécie usada no preparo do mezcal mexicano.[1]
A lagarta norte-americana de C. redtenbacheri, denominada gusano rojo de maguey, única espécie usada no preparo do mezcal mexicano.[1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Subordem: Cossoidea
Família: Cossidae
Subfamília: Cossinae[2][3]
Género: Comadia
Barnes & McDunnough, 1911[2]
Espécie: C. redtenbacheri
Nome binomial
Comadia redtenbacheri
(Hammerschmidt, 1848)[2][3]
Distribuição geográfica
Mais de 70% da bebida alcoólica mezcal é destilada e engarrafada no estado de Oaxaca (em vermelho), no México; grande parte desta produção recebendo o gusano rojo de maguey (Comadia redtenbacheri) em seu interior; em prática iniciada na década de 1940, acreditando-se que o empresário mexicano Jacobo Lozano Paez tenha sido o primeiro a colocar larvas nas garrafas como estratégia de marketing.[1]
Mais de 70% da bebida alcoólica mezcal é destilada e engarrafada no estado de Oaxaca (em vermelho), no México; grande parte desta produção recebendo o gusano rojo de maguey (Comadia redtenbacheri) em seu interior; em prática iniciada na década de 1940, acreditando-se que o empresário mexicano Jacobo Lozano Paez tenha sido o primeiro a colocar larvas nas garrafas como estratégia de marketing.[1]
Sinónimos
Zeuzera redtenbacheri Hammerschmidt, 1848
Hypopta redtenbacheri (Hammerschmidt, 1848)
Xyleutes redtenbacheri (Hammerschmidt, 1848)
Bombyx agavis (Blasquez, 1870)
Cossus redtenbachi (sic) Godman & Salvin, 1887
Hypopta chilodora Dyar, 1910
(M. Savela/M. Boone/J. Ramos-Elorduy et al.)[2][3][4]
vasilha com gusanos rojos de maguey; "maguey" significando ágave, a planta do mezcal, e "rojo" significando vermelho.

O gusano rojo de maguey, metchikuil, chilocuil, chinicuil ou techol,[4][5] cientificamente denominado Comadia redtenbacheri, é uma espécie de inseto da ordem Lepidoptera; uma mariposa, ou traça, de hábitos noturnos, norte-americana da família Cossidae; as suas lagartas ("gusanos") atacando plantas de ágave ("maguey") e sendo um dos "gusanos de maguey", ingrediente da culinária do México desde o período anterior à colonização espanhola da América e única espécie introduzida nas garrafas de mezcal, uma bebida alcoólica tradicional, destilada a partir de 30 das 159 espécies de ágave do país; mais de 70% de sua produção engarrafada em Oaxaca.[1][2][6][7][8] A espécie também ocorre no sul dos Estados Unidos (Texas).[2][3]

Classificação

Comadia redtenbacheri foi classificada pelo entomologista austríaco Carl Eduard Hammerschmidt no ano de 1848, com a denominação Zeuzera redtenbacheri, em homenagem a Ludwig Redtenbacher.[6]

Descrição

Mariposa de coloração predominantemente cinzenta com discretas faixas claras e castanhas sobre suas asas; as posteriores de tamanho bem menor e de coloração geral cinza-uniforme.[3]

Distribuição

A distribuição de Comadia redtenbacheri vai do sul dos Estados Unidos, no Texas, aos estados mexicanos de Cidade do México, Estado do México, Guanajuato, Hidalgo, Michoacán, Oaxaca, Puebla, Querétaro, Tlaxcala, Veracruz e Zacatecas.[9]

Reprodução e uso

As fêmeas adultas deste inseto depositam aproximadamente 120 ovos em plantas de Agave americana, A. atrovirens, A. mapisaga ou A. salmiana, eclodindo após cerca de 30 dias; suas lagartas se alimentando das raízes e caules da ágave, formando colônias de 40 a 60 indivíduos na base das folhas carnudas ao longo do caule, matando-se a planta por ocasião de sua coleta; os coletores, conhecidos como "gusaneros", identificando plantas infectadas e as retirando manualmente do ágave selvagem com o auxílio de um gancho de metal ou um espinho do próprio vegetal; tal coleta ocorrendo entre maio e setembro, quando elas estão mais abundantes em seu habitat, feita evitando ao máximo danificar as plantas e os "gusanos"; principalmente se estes forem utilizados no preparo do mezcal, uma bebida alcoólica destilada tradicional do México (mais de 70% de sua produção em Oaxaca) e feita a partir da planta do ágave (tais larvas não colocadas na tequila, provinda da mesma planta); se acreditando que os destiladores só começaram a colocar uma "larva de mezcal" dentro da garrafa a partir da década de 1940; o empresário mexicano Jacobo Lozano Paez possivelmente tendo sido o primeiro "mestre mezcalero" a colocar estas larvas em suas garrafas como estratégia de marketing.[1][10] A larva tendo uma função controversa, pois há quem diga que a sua presença intacta prova que a bebida é alcoólica o suficiente para conservar o bicho inteiro; também havendo quem defenda que o "gusanito", seu apelido carinhoso, serve para dar gosto. De qualquer maneira, se o gusano cair no copo, o dono tem que comê-lo.[11] Também estão entre os insetos mais apreciados e consumidos no México, servindo como petiscos fritos crocantes e recheios suculentos para tacos e tortillas com guacamole; também utilizados no "sal de gusano", um pó defumado feito com "gusanos" moídos, sal e pimenta vermelha, que serve como tempero e combina muito bem com fatias de frutas cítricas e mezcal.[7]

Determinação da espécie na produção de mezcal

Um estudo do ano de 2023 (Mezcal worm in a bottle: DNA evidence suggests a single moth species; publicado na revista científica PeerJ por Akito Kawahara et al.) determinou que as larvas mergulhadas no interior das garrafas de mezcal eram todas pertencentes a esta espécie; antes havendo a dúvida se tais larvas não poderiam ser da borboleta Aegiale hesperiaris (Lepidoptera; Hesperiidae) ou do gorgulho Scyphophorus acupunctatus (Coleoptera; Curculionidae), um besouro de cor preta que possui a denominação popular picudo del agave por atacar as mesmas plantas, sendo uma uma importante praga para a produção do mezcal.[1][12]

Referências

  1. a b c d e f Kawahara, Akito Y.; Martinez, Jose I.; Plotkin, David; Markee, Amanda; Butterwort, Violet; Couch, Christian D.; Toussaint, Emmanuel F. A. (8 de março de 2023). «Mezcal worm in a bottle: DNA evidence suggests a single moth species» (em inglês). Zoological Science (PeerJ). 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  2. a b c d e f Savela, Markku. «Comadia redtenbacheri (Hammerschmidt, 1848)» (em inglês). Lepidoptera and some other life forms. 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  3. a b c d e Boone, Mike. «Comadia redtenbacheri (Hammerschmidt, 1848)» (em inglês). Moth Photographers Group. 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  4. a b Ramos-Elorduy, Julieta; Pino M., José M. (2001). «Contenido de vitaminas de algunos insectos comestibles de México» (PDF) (em espanhol). Revista de la Sociedad Química de México, Vol. 45, Núm. 2 (SciELO). p. 70. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  5. Mejia, Mish (29 de março de 2025). «El chilocuil, chinicuil (del náhuatl chilocuilin "gusano de chile"), metchikuil, techol, gusano de maguey o gusano rojo de maguey (Comadia redtenbacheri (em espanhol). Enseñanza y aprendizaje de la Biología (Facebook). 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  6. a b «Comadia redtenbacheri» (em alemão). Yumda. 8 de março de 2023. 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  7. a b ChavezBush, Leigh. «Maguey Worm» (em inglês). Atlas Obscura. 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  8. Houghton Mifflin Company (1982). The American Heritage Dictionaryː Second College Edition (em inglês) 2ª ed. United States: Houghton Mifflin. p. 755. 1568 páginas. ISBN 0-395-33959-6 
  9. Jiménez-Vásquez, Manuel; Llanderal-Cázares, Celina; Miranda-Perkins, Kalina; Vargas-Hernández, Mateo; López-Romero, Rosa Maria; Campos-Figueroa, Manuel (30 de dezembro de 2022). «Adult population fluctuation of Comadia redtenbacheri (Hammerschmidt, 1847) (Lepidoptera: Cossidae)» (em inglês). Shilap. 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  10. Difford, Simon. «Mezcal worm (Con Gusano)» (em inglês). Difford's Guide. 1 páginas. Consultado em 8 de dezembro de 2025. Collecting is difficult because the larva must not be damaged in any way. Otherwise the mezcal would become cloudy. 
  11. Folha de S.Paulo (4 de maio de 2006). «Larva é mote de brinde em rodada de mezcal». Folha de S.Paulo. 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  12. Pinson, Jerald (8 de março de 2023). «Scientists uncover the unexpected identity of mezcal worms» (em inglês). Florida Museum of Natural History. 1 páginas. Consultado em 10 de dezembro de 2025