Colomesus asellus

Colomesus asellus
Colomesus asellus (J. P. Müller & Troschel, 1849)
Colomesus asellus (J. P. Müller & Troschel, 1849)
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Tetraodontiformes
Gênero: Colomesus
Espécie: C. asellus
Nome binomial
Colomesus asellus
J. P. Müller & Troschel, 1849)
Sinónimos
Cheilichthys asellus ((J. P. Müller & Troschel, 1849) [2] Basinômio

Colomesus asellus, o baiacu-da-amazônia ou baiacu-amazonense, é uma espécie de baiacu pertencente a família Tetraodontidae, nativa da America do Sul, que vive exclusivamente em água doce.

Etimologia

Colomesus – do grego antigo χωλóς (cholós), que significa "fisicamente defeituoso, aleijado" e μέσος (mésos), que significa "meio", presumivelmente em referência aos ossos frontais serem estreitos, não conectados à órbita, e com os pós-frontais alongados conectados aos pré-frontais.
Asellus – do latim asellus, que significa "pequeno burro".[3]

Distribuição geográfica

O baiacu-da-amazônia, Colomesus asellus (J. P. Müller & Troschel, 1849), é um peixe de água doce que ocorre em águas tropicais da Bacia do rio Amazonas, do Equador, Peru, Bolívia e Colômbia[4] à Ilha do Marajó, no Brasil, incluindo os rios Marañon, Ucaiáli, Putumayo, Caquetá, Apaporis, Solimões, Purus,[5] Japurá, Negro, Juruá, Madeira, Tapajós, Guaporé, Xingu, Araguaia, Trombetas, Jari, Pará e Tocantins,[6] Bacia do rio Orinoco, próximo a sua nascente, na Venezuela, e Bacia do Essequibo, na Guiana. [7]

Morfologia

Colomesus asellus possui um corpo curto, placa dentária, em forma de bico, dividida por uma sutura mediana, abertura branquial reduzida e anterior à base da nadadeira peitoral, ausência de nadadeiras pélvicas ou raios espinhosos nas nadadeiras, nadadeiras dorsal e anal tipicamente de base curta, e ausência de costelas. Sua coloração é verde na parte superior, branca na parte inferior e apresenta faixas transversais pretas na superfície dorsal. Uma grande mancha preta distingue-se na parte inferior do pedúnculo caudal. Possui uma fileira transversal única de abas dérmicas no queixo (ausente em seus congêneres C. psittacus e C. tocantinensis). Também pode ser diferenciado de C. tocantinensis por possuir 10 raios na nadadeira anal (C. tocantinensis tem 9); 11 raios na nadadeira dorsal (C. tocantinensis tem 10); um opérculo triangular (em C. tocantinensis é entalhado ventralmente, aparecendo como um V invertido); e coloração da base na porção dorsal do corpo amarelo-dourado (a de C. tocantinensis é amarelo-claro a pálido). C. asellus se distingue de C. psittacus por seu tamanho adulto menor (máximo de 128 mm de comprimento enquanto C. psittacus pode atingir 289 mm; possui entre 13-16 (vs. 17-19) raios na nadadeira peitoral (C. psittacus tem entre 17 e 19); e pela presença de 5 faixas escuras transversais dorsalmente no corpo (C. psittacus tem 6). [6] [8]


Ecologia

Dentre a família Tetraodontidae, apenas Colomesus tocantinensis (Amaral, Brito, Silva e Carvalho, 2013) e Colomesus asellus (J. P. Müller & Troschel, 1849) são encontrados exclusivamente em águas doces.[6] HabitatC. asellus ocorre em bacias hidrográficas inferiores, médias e superiores, em habitats com bancos de areia, praias, lagos de várzea, margens com vegetação saliente e corredeiras de fluxo rápido sobre leitos rochosos, matacões e pedras, preferentemente em ambientes com altos níveis de oxigênio. É adaptável, penetrando em afluentes do alto Amazonas, mas também ocorre nas regiões do Amazonas e do delta do Orinoco, embora não tenda a ser encontrado em águas pretas muito ácidas. [9]
Reprodução – a espécie não apresenta dimorfismo sexual aparente e é ovípara, com uma estratégia de desova diferente de outros peixes secundários de água doce da Amazônia, como scianídeos e engraulídeos e de outros tetraodontídeos de água doce, assemelhando-se à estratégia de caraciformes, siluriformes e tetraodontídeos marinhos, com alta fecundidade, ovos relativamente pequenos e ausência de cuidado parental. A desova ocorre principalmente durante as cheias, em locais específicos dos grandes afluentes às margens da foz de lagos de várzea ou de seus tributários, com as larvas pelágicas sendo transportadas passivamente para zonas de berçário em lagos de várzea ou igarapés, onde completam seu desenvolvimento, retornando aos canais dos rios quando as águas da enchente recuam. [10]

Referências

  1. Brejão, G.L. (2022). «Colomesus asellus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2015: e.T49830559A159172198. doi:10.2305/IUCN.UK.2022-2.RLTS.T49830559A159172198.enAcessível livremente. Consultado em 26 de junho de 2025 
  2. Schomburgk, Richard, Schomburgk, Robert H., Cabanis, Jean Louis, Ehrenberg, Christian Gottfried, Erichson, W. F., Klotzsch, Fr., Müller, Johannes, Troschel, F. H. (1847). Reisen in Britisch-Guiana in den Jahren 1840-1844 : nebst einer Fauna und Flora Guiana’s nach Vorlagen von Johannes Müller, Ehrenberg, Erichson, Klotzsch, Troschel, Cabanis und Andern (em alemão). 3. [S.l.]: J. J. Weber. p. 641 
  3. Froese, R. and D. Pauly, ed. (2025). «Colomesus asellus (Müller & Troschel, 1849): Amazon puffer». FishBase. World Wide Web electronic publication. Consultado em 26 de junho de 2025. Cópia arquivada em 17 de abril de 2023 – via www.fishbase.org 
  4. Mojica, J. I., G. Galvis, F. Arbeláez, M. Santos, S. Vejarano, E. Prieto-Piraquive, M. Arce, P. Sánchez-Duarte, C. Castellanos, A. Gutiérrez, S.R. Duque, J. Lobón-Cerviá & C. Granado-Lorencio (2005). «Peces de la cuenca del río Amazonas en Colombia: Región de Leticia». Biota Colombiana. 6 (2): 191-210 
  5. Duarte, C.; Py-Daniel. L. H. R.; Deus, C. P. de (2010). «Fish assemblages in two sandy beaches in lower Purus river, Amazonas, Brazil». Porto Alegre. Iheringia, Sér. Zool. (em inglês). 100 (4): 319-328. doi:10.1590/S0073-47212010000400006 
  6. a b c Amaral, C.R.L.; Brito, P. M.; Silva, D. A.; Carvalho, E. F. (2013). «A new cryptic species of South American freshwater pufferfish of the genus Colomesus (Tetraodontidae), based on both morphology and DNA data». PLOS ONE. 8 (9): e74397. doi:10.1371/journal.pone.0074397 
  7. Kullander, S. O. (2003). «Family Tetraodontidae (Pufferfishes)». In: Reis, R. E.; Kullander, S. O.; Ferraris Jr, C. J. Checklist of the freshwater fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS. p. 670 
  8. Tyler, J. C. (1964). «A Diagnosis of the Two Species of South American Puffer Fishes (Tetraodontidae, Plectognathi) of the Genus Colomesus». Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia. 116: 119–148 
  9. Bartolette, R.; Rosa, D.; Beserra, D.; Soares, B.; Albrecht, M.; Brito, M. (2018). «Seasonal and ontogenetic diet patterns of the freshwater pufferfish Colomesus asellus (Müller & Troschel, 1849) in the upper-middle Tocantins River». Acta Scientiarum Biological Sciences (em inglês). 40 (1). doi:10.4025/actascibiolsci.v40i1.35282 
  10. Araujo-Lima, C. A. R. M.; Savastano, D.; Jordão, L. C. (1994). «Drift of Colomesus asellus (Teleostei : Tetraodontidae) larvae in the Amazon river». Revue d'Hydrobiologie Tropicale (em francês). 27 (1): 33-38. ISSN 0240-8783