Colobus polykomos
Macaco-fidalgo-preto
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![]() Em perigo (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||||
| Colobus polykomos (Zimmermann, 1780) | |||||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||||
![]() Distribuição do macaco-fidalgo-preto
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| Sinónimos | |||||||||||||||||||||
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O macaco-fidalgo-preto[2] ou simplesmente macaco-fidalgo[3] (Colobus polykomos) é uma espécie de macaco do Velho Mundo, ocorrendo nas florestas tropicais úmidas de baixa altitude e montanas em uma vasta região da África Ocidental, que vai do Senegal até a Costa do Marfim, passando por Guiné-Bissau, Guiné, Serra Leoa e Libéria.[1] É uma das cinco espécies do gênero Colobus e a que se posiciona mais a oeste em sua distribuição geográfica no continente africano.[4] Sua dieta é composta principalmente de folhas, embora frutas e flores também integrem seu cardápio. Apesar de ser uma espécie arborícola, costuma buscar alimento no solo. Os macacos-fidalgos-pretos vivem em pequenos grupos sociais, normalmente formados por 3 a 4 fêmeas, 1 a 3 machos e seus filhotes. Para garantir o isolamento entre os grupos, utilizam vocalizações específicas que delimitam seus territórios.[5]
Etimologia
A palavra "Colobus" deriva do grego e significa "mutilado", em referência ao fato de que todos os macacos colobídeos possuem apenas um pequeno coto no lugar do polegar. Poly tem origem na palavra grega que significa "muitos", enquanto komos está ligado às celebrações gregas caracterizadas por cantos desenfreados. Existe uma possível subespécie chamada Colobus polykomos dollmani, embora seja mais provável que se trate de um híbrido com Colobus vellerosus.[1]
Características
O macaco-fidalgo-preto macho pode alcançar 67 cm de comprimento, considerando cabeça e corpo, com uma cauda variando entre 63 e 90 cm. As fêmeas apresentam dimensões ligeiramente menores. Em termos de peso, os machos têm uma média de 9,9 kg, enquanto as fêmeas costumam pesar cerca de 8,3 kg.[5]
Seu corpo apresenta pelagem preta, com membros alongados, dedos compridos e uma cauda branca. Um detalhe marcante é a franja de pelos prateados ao redor da face, além das características "dragonas" brancas que adornam os ombros.[6] É possível diferenciá-lo dos outros membros do gênero pela distribuição das suas manchas brancas: elas aparecem apenas nos bigodes, peito e cauda. Outro traço distintivo é a ausência de um tufo cobrindo sua cauda.[5]
Distribuição e habitat
Vive em florestas tropicais úmidas de baixa altitude e regiões montanhosas.[1] Sua área de distribuição está restrita a uma faixa limitada, que se estende da Costa do Marfim até a Gâmbia.[5] Além disso, pode ser encontrado em países como Senegal, Guiné-Bissau, Guiné, Serra Leoa e Libéria.[1] O habitat desse primata foi amplamente destruído devido à expansão agrícola realizada pelo homem, levando ao surgimento de florestas secundárias nesses locais. As florestas de seu território possuem estações secas bem marcadas e dois períodos de alta precipitação ao longo do ano. Essa região é caracterizada por uma predominância de árvores leguminosas.[5]
Comportamento e ecologia
A alimentação do macaco-fidalgo-preto é predominantemente composta por folhas de árvores, mas pode incluir frutas e flores dependendo da estação. Também forrageia ocasionalmente no solo e normalmente segue trilhas de forrageamento que abrangem cerca de 500 metros.[5]
Esses primatas vivem em pequenos grupos formados por até quatro fêmeas e entre um e três machos. As fêmeas costumam interagir mais de maneira próxima, enquanto os machos, por outro lado, mantêm interações raras e frequentemente buscam afirmar sua dominância.[5] Tanto os machos quanto as fêmeas tendem a se dispersar dos grupos familiares ao longo do tempo.[7][8][9]
A área de vida média dessa espécie é de aproximadamente 22 hectares, e é comum ocorrer sobreposição entre os territórios de diferentes grupos. Embora seja raro dois grupos da mesma espécie se encontrarem, quando isso acontece, os machos podem exibir comportamentos agressivos. Os chamados territoriais são uma forma típica dessa agressividade, funcionando também como alertas contra predadores.[5]
Em cativeiro, sua expectativa de vida gira em torno de 23,5 anos, enquanto na natureza pode alcançar cerca de 30 anos.[5]
Reprodução

O macaco-fidalgo-preto vive em um sistema de acasalamento que inclui tanto grupos com um único macho (polígino) quanto grupos com múltiplos machos e fêmeas (poliginândrico). Em algumas populações, os nascimentos ocorrem ao longo do ano, enquanto em outras estão associados às estações secas. A gestação tem uma duração média de 175 dias, e as fêmeas dão à luz um filhote a cada 20 meses. Tanto machos quanto fêmeas alcançam a maturidade sexual por volta dos 2 anos de idade (730 dias). Os cuidados parentais são assumidos pelas fêmeas, que fornecem leite, realizam a higiene, garantem proteção e carregam os recém-nascidos, já que estes não conseguem caminhar logo após o nascimento.[5]
Estado e conservação
Esse raro primata tem uma distribuição de tamanho moderado e foi, no passado, uma espécie amplamente distribuída. No entanto, suas populações diminuíram significativamente nas últimas décadas. O principal fator por trás desse declínio é a caça, que não apenas ameaça a sobrevivência da espécie como também fragmenta suas populações. Durante o século XIX, era especialmente caçado por sua pele.[5] Além disso, seu habitat enfrenta uma contínua degradação em qualidade e quantidade, restringindo-se principalmente a florestas primárias e matas de galeria, embora ocasionalmente visite áreas de floresta secundária. A espécie está classificada como ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.[1] Os esforços de preservação têm se concentrado no manejo adequado de seus habitats para evitar uma maior destruição que comprometa sua sobrevivência.[5] O macaco-fidalgo-preto também integra iniciativas de reprodução em cativeiro organizadas pela EEP, envolvendo diversos zoológicos europeus.[10][11]
Referências
- ↑ a b c d e f Gonedelé Bi, S.; Koné, I.; Matsuda Goodwin, R.; Alonso, C.; Hernansaiz, A.; Oates, J.F. (2020). «Colobus polykomos». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês). 2020: e.T5144A17944855. doi:10.2305/IUCN.UK.2020-2.RLTS.T5144A17944855.en
. Consultado em 19 de novembro de 2021
- ↑ «NHAGENTE». Consultado em 29 de setembro de 2025
- ↑ «Diário Oficial da Guiné-Bissau» (PDF)
- ↑ Minhós, Tania; Chikhi, Lounès; Sousa, Cláudia; Vicente, Luis M.; Ferreira da Silva, Maria; Heller, Rasmus; Casanova, Catarina; Bruford, Michael W. (Fevereiro de 2016). «Genetic consequences of human forest exploitation in two colobus monkeys in Guinea Bissau». Biological Conservation (em inglês). 194. pp. 194–208. Bibcode:2016BCons.194..194M. doi:10.1016/j.biocon.2015.12.019. hdl:10362/89503
- ↑ a b c d e f g h i j k l Landes, D. (2000). Animal Diversity Web, ed. «Colobus polykomos» (em inglês). Consultado em 11 de março de 2013
- ↑ Jonathan Kingdon (2015). Bloomsbury Publishing, ed. The Kingdon Field Guide to African Mammals: Second Edition (em inglês). [S.l.: s.n.] p. 112. ISBN 978-1-4729-2531-2
- ↑ Sterck, E.; Noë, R.; Korstjens, A. (2002). «How adaptive or phylogenetically inert is primate social behaviour? A test with two sympatric colobines». Behaviour. 139 (2). pp. 203–225. doi:10.1163/156853902760102654
- ↑ Minhós, T.; Nixon, E.; Sousa, C.; Vicente, L. M.; Da Silva, M. F.; Sá, R.; Bruford, M. W. (2013). «Genetic evidence for spatio-temporal changes in the dispersal patterns of two sympatric African colobine monkeys». American Journal of Physical Anthropology. 150 (3). pp. 464–474. Bibcode:2013AJPA..150..464M. PMID 23359253. doi:10.1002/ajpa.22223
- ↑ Oates, J.; Davies, G.; Delson, E. (1994). «Diversity of living Colobines». Colobine Monkeys. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 45–73
- ↑ Zootierliste (ed.). «King Colobus» (em inglês). Consultado em 17 de outubro de 2023
- ↑ Associação Europeia de Zoológicos e Aquários, ed. (1 de julho de 2023). «EAZA Ex-situ Programme overview» (PDF) (em inglês). Consultado em 17 de outubro de 2023
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