Colônia Esperança
A Colônia Esperança surgiu, em 1934, em terras que hoje pertencem à cidade de Arapongas, resultado da iniciativa de Koshiro Suzuki, missionário de origem japonesa, que desejava formar uma comunidade nipônica e católica em solo brasileiro.[1] Inicialmente, ele residiu no estado de São Paulo, mas, devido ao surto de malária na região, buscou outro local para estabelecer moradia fixa. Suzuki ouviu sobre a terra roxa e fértil do Paraná e, em Londrina, encontrou-se com Hikoma Udihara, em um escritório da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), que ficou conhecido por negociar lotes com japoneses,[2] tornando-se o representante exclusivo de vendas para eles, e sendo um dos principais responsáveis pela concentração dessa população no norte do Paraná.[3]
Foi Udihara quem levou Suzuki para conhecer a região então chamada Gleba Pirapó, que lhe pareceu adequada para a formação da futura “Colônia Esperança”, ou "Shin Ai Shokuminchi". O nome deriva do japonês shin (fé) e ai (amor), combinação da qual surge a ideia de esperança.[2] A CTNP negociou com Suzuki, e ele adquiriu dez alqueires de terra para a construção da Igreja Sagrado Coração de Jesus (Mosteiro Sagrado Coração de Jesus, desde 2024[4]), comprometendo-se, em troca, a vender mil alqueires para outros japoneses.[5]
Após o missionário dormir por uma noite à margem do Rio Pirapó, comprovou-se que o mal da malária não estava presente no local e, então, começou a chamar amigos e conhecidos com a intenção de que conhecessem e comprassem lotes ali. Dessa forma, iniciou-se a povoação do lugar em meados de 1935, e em 1937, já havia vinte e quatro famílias na Colônia.[2] O desenvolvimento comunitário avançou e, em 1944, foi criada oficialmente a primeira escola, o Grupo Escolar “19 de Abril”, que, após receber outras denominações, transformou-se na atual Escola Estadual “Frei Graciano Droessler – Ensino Fundamental”. Nas mesmas instalações funciona também a Escola Municipal Colônia Esperança.[6]
Conforme arquivos da CTNP, a maioria dos japoneses que migraram para o Paraná, vieram do noroeste paulista, onde eram colonos ou arrendatários de terras para o cultivo de café, e encontraram oportunidades econômicas nos novos lotes abertos pela Companhia, que estavam sendo vendidos a preços mais acessíveis do que em São Paulo.[7] Assim, por intermédio do corretor Hikoma Udihara, os mil e duzentos alqueires reservados pela CNTP para o estabelecimento dos japoneses na Gleba Pirapó foram negociados.
À princípio, os colonos praticavam a cafeicultura, pois muitos possuíam experiência prévia, e tudo continuou dessa forma até a Geada Negra, em 1975, que provocou grande instabilidade, tendo em vista a forte dependência no café. Em algumas propriedades, eram cultivadas também uva e culturas temporárias, como o arroz e a soja. A avicultura, atividade que exigia pouco espaço e se adaptava bem ao clima local,[7] ganhou destaque econômico e permanece importante, sendo celebrada anualmente na Feira do Ovo e do Abacate.[8] A Colônia é uma das principais produtoras de ovos da cidade, que é a maior criadora de ovos para consumo humano do estado, com cerca de 460 milhões de unidades somente no ano de 2024.[9] O Abacate Margarida tornou-se também essencial na economia da comunidade, com média de 2,3 mil toneladas sendo criadas ao ano.[10]
As famílias japonesas tiveram papel fundamental no desenvolvimento social, econômico e cultural de Arapongas. Em reconhecimento a essa contribuição histórica, dois representantes da comunidade foram homenageados em sessão solene da Câmara Municipal em 2024. Massake Makiyama (Cambará-PR, 26/04/1938 – presente) recebeu o título de Cidadão Honorário, enquanto Ignácio Suzuki (Colônia Esperança, Arapongas-PR, 11/03/1942 – presente), filho do fundador Koshiro Suzuki, foi agraciado com o título de Cidadão Benemérito.[11] As homenagens simbolizam o impacto duradouro da presença japonesa na formação da identidade local e reafirmam a relevância da Colônia Esperança na história do município.
Referências
- ↑ Sato, Larissa Ayumi (12 de fevereiro de 2010). «A fotografia como documento e fonte de pesquisa para a recuperação histórica da Colônia Esperança». Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura (1): 104–121. ISSN 2178-3284. doi:10.20396/resgate.v18i19.8645681. Consultado em 14 de novembro de 2025
- ↑ a b c Sato, Larissa Ayumi; Boni, Paulo César (21 de outubro de 2009). «Fé e Amor: As Contribuições das Fotografias para Recuperar o Pioneirismo de Koshiro Suzuki na Fundação da Colônia Esperança». Revista Cesumar – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (2). ISSN 2176-9176. Consultado em 14 de novembro de 2025
- ↑ Magalhães, Leandro Henrique (2013). «PATRIMÔNIO CULTURAL LONDRINENSE E A CONTRIBUIÇÃO JAPONESA ATRAVÉS DA GASTRONOMIA» (PDF). Natal, RN.: ANPUH. XXVII Simpósio Nacional de História. ISBN 978-85-98711-11-9
- ↑ Digital, A. C. I. «Diocese de Apucarana (PR) inaugura seu primeiro mosteiro». ACI Digital. Consultado em 14 de novembro de 2025
- ↑ Londrina, Folha de (9 de outubro de 1997). «Colônia Esperança concretizou sonho». Folha de Londrina. Consultado em 14 de novembro de 2025
- ↑ «Lei de Criação». Prefeitura do Município de Arapongas. Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ a b Yamashita, Yoshie (1976). «Colônia Esperança - Arapongas, PR (Aspectos da Organização do Espaço Agrário)» (PDF). São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ ARAPONGAS, MUNICÍPIO DE (22 de agosto de 2022). «Festa do Ovo e do Abacate reúne cerca de 15 mil pessoas». MUNICÍPIO DE ARAPONGAS. Consultado em 14 de novembro de 2025
- ↑ Londrina, Folha de (19 de outubro de 2024). «Arapongas é o maior produtor de ovos para consumo humano no PR». Folha de Londrina. Consultado em 14 de novembro de 2025
- ↑ «Colônia Esperança comemora 85 anos - D.A Online - Diocese de Apucarana». diocesedeapucarana.com.br. Consultado em 14 de novembro de 2025
- ↑ «REPRESENTANTES DA COLÔNIA ESPERANÇA SÃO HOMENAGEADOS PELA CÂMARA». Câmara Municipal de Arapongas. Consultado em 14 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 21 de abril de 2025