O Colégio Santa Maria é uma instituição americana católica fundada[1] em 1948 e sediada na zona sul da cidade de São Paulo, Brasil e fundado e mantido pela Congregação de Santa Cruz. Inicialmente fundado como uma escola exclusivamente feminina, o colégio expandiu sua oferta educacional ao longo dos anos, incluindo cursos culturais, programas para crianças menos favorecidas e uma Pré-Escola.
Localizado no bairro Jardim Marajoara, zona sul de São Paulo, o colégio ocupa um campus de 180 mil m², com cinco prédios projetados por arquitetos renomados como Croce, Aflalo e Gasperini, além de possuir amplas áreas verdes. Reconhecido como uma das principais escolas particulares do Estado de São Paulo, o Colégio Santa Maria oferece ensino infantil, fundamental, médio e supletivo noturno, atendendo cerca de 3.500 alunos e sendo atualmente dirigido pela Prof.ª Dra. Flávia Cristina Faria Dias.
Corredores Arborizados
A instituição adota uma abordagem educativa humanista, adaptada aos diferentes estilos de aprendizagem, enfatizando a aplicação prática do conhecimento para uma compreensão mais profunda. Além disso, busca promover o desenvolvimento integral dos estudantes, incluindo aspectos cognitivos, motores e socioemocionais.
História
Em 1947, nos Estados Unidos, a Congregação das Irmãs da Santa Cruz estendeu seu campo missionário de ação, enviando irmãs a São Paulo buscando atender às necessidades mais urgentes do povo e da Igreja, tais como educação escolar e catequese.[2]
Chegada das irmãs ao Brasil em 1947
Assim, um grupo de Irmãs, Sister Charlita Enright, Sister Olivette Whalen, Sister Caecilius Roth e Sister Armella Guerrero, partiu para cá. Logo após a chegada, o que encontraram na verdade foram desafios a superar. [2]
Com a ajuda do Pe. Lionel Corbeil, foi-lhes cedida a casa de Vila Betânia, onde montaram uma escola para moças. Naquele tempo, as jovens que terminavam o curso ginasial dificilmente continuavam os estudos. Em Vila Betânia, recebiam-se essas jovens que aprendiam religião, arte, decoração e praticavam diferentes modalidades esportivas. As religiosas desejavam, porém, um trabalho mais atuante e profícuo.[2]
Em 1948, as irmãs iniciaram três projetos educacionais: um curso de cunho cultural para moças da classe alta daquela época, uma escola para crianças menos favorecidas e uma Pré-Escola, que ao longo de sua história tem se proposto a garantir uma educação de qualidade e a desenvolver valores éticos essenciais na formação da pessoa, seguindo os princípios filosóficos e pedagógicos de Padre Moreau.[2][3]
O colégio foi dirigido por muito tempo por Sister Anne Veronica Horner Hoe (1948-2019) e Sister Diane Clay Cundiff (1945), que se aposentou do cargo no fim de 2025.[4]
O hino oficial do colégio é a canção The Bells of Saint Mary's composta por A. Emmett Adams em 1917.
Projetos Sociais e Voluntariado
Alunos do Colégio Santa Maria SP no Vale do Ribeira
O voluntariado na instituição é integrado ao currículo escolar por meio de componentes como o Ensino Religioso e os Cursos Livres, buscando desenvolver no estudante a empatia e o protagonismo juvenil.
Projetos de Inserção Social
O colégio promove atividades de campo que permitem aos alunos o contato direto com diferentes realidades socioeconômicas. Entre os projetos de maior destaque estão:
Viagens ao Vale do Ribeira: Destinadas a alunos do 9º ano e do Ensino Médio, além de ex-alunos. O projeto envolve vivências comunitárias e trabalhos práticos em cidades da região, promovendo o intercâmbio de saberes com as populações locais.[5][6][7][8]
Crianças do Vale do Ribeira brincando com alunos do Colégio Santa MariaEducação de Jovens e Adultos (EJA): O colégio mantém uma modalidade de EJA gratuita que atende centenas de alunos. A comunidade escolar frequentemente se mobiliza em campanhas de arrecadação de donativos (alimentos, roupas e itens de higiene) especificamente para as famílias atendidas por este programa.[9][10]
Campanhas de Solidariedade
A escola organiza anualmente um calendário de campanhas que envolvem desde a Educação Infantil até o Ensino Médio:
Campanha da Fraternidade: Alinhada ao tema proposto pela CNBB, gera reflexões e ações práticas de arrecadação.
Restauração de Brinquedos: Iniciativa que envolve os alunos pequenos na coleta e reparo de brinquedos usados para doação a comunidades carentes, incentivando o consumo consciente e a partilha.[11]
Rede Solidária e Sustentabilidade: O projeto "Sustenta", gerido por alunos, une a conscientização ambiental ao impacto social, promovendo a captação de recursos para melhorias em comunidades e campanhas de saúde pública (como a prevenção de arboviroses).[12][13][14]
Cursos Livres e Monitoria
Dentro da estrutura de Cursos Livres, a Inserção Social é oferecida como uma opção de formação prática. Estudantes atuam como monitores em projetos de empreendedorismo social e apoiam atividades pedagógicas voltadas para crianças de escolas públicas, fortalecendo a visão de "escola em saída" (conceito de abertura à comunidade externa).[15]
Festa junina
Dança da Festa Junina dos alunos do Colégio Santa Maria, São PauloDança da Festa Junina dos alunos do Colégio Santa Maria, São Paulo
A Festa Junina do Colégio Santa Maria é um evento de caráter cultural e comunitário realizado anualmente, figurando entre as celebrações mais tradicionais do calendário escolar e festivo da cidade de São Paulo. Devido à sua magnitude e organização, é frequentemente citada em guias de lazer de veículos de circulação nacional, como a revista Veja São Paulo, que a destaca pela infraestrutura e pelo ambiente familiar.[16]
Proposta Pedagógica e Temática
O diferencial das festividades reside na integração pedagógica das apresentações. As quadrilhas e danças típicas, que envolvem alunos desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, são estruturadas em torno de temas anuais. Essas apresentações têm como objetivo promover uma homenagem cultural a diversos povos, etnias ou regiões do Brasil e do mundo, incentivando a pesquisa histórica e o respeito à diversidade entre os estudantes.
Um elemento central do evento é o engajamento de ex-alunos, que participam de apresentações específicas, reforçando o papel da festa como um instrumento de manutenção da memória institucional e dos vínculos sociais entre diferentes gerações.
Estrutura e Atrações
A estrutura da festa é montada para receber um grande fluxo de visitantes, distribuindo-se por diversas áreas da unidade escolar:
Gastronomia: A oferta gastronômica foca em iguarias tradicionais das festas de quermesse, incluindo milho verde, canjica, pipoca, arroz-doce e quentão. As barracas são organizadas para atender ao público de forma setorizada.
Entretenimento Infantil: O evento preserva o caráter lúdico das festas populares brasileiras, oferecendo brincadeiras clássicas como a pesca, boca do palhaço, chute a gol e o arremesso de frango.
Logística e Segurança: Por atrair um público externo considerável além das famílias dos alunos, a festa é planejada com sistemas de segurança, controle de acesso e horários escalonados de apresentações para otimizar a circulação no campus.
Portal Caleidoscópio
O Portal Caleidoscópio é uma revista institucional, criado originalmente em 1999 como uma revista impressa (Revista Caleidoscópio), foi desenvolvida para documentar eventos, projetos acadêmicos e conquistas da comunidade escolar.
Com a transição para o formato digital, o portal passou a centralizar a produção de conteúdo da instituição, abrangendo:
Registros Pedagógicos: Documentação de projetos interdisciplinares e atividades de campo.
Memória Institucional: Arquivo histórico de eventos que marcaram as décadas de existência do colégio.
Protagonismo Discente: Publicação de trabalhos e reflexões desenvolvidos pelos alunos ao longo do ano letivo.
A publicação completou 25 anos de existência, servindo como a principal fonte primária de informações sobre a evolução das práticas educativas da escola e das atividades da Congregação das Irmãs da Santa Cruz no Brasil.[17]
Novo Ensino Médio
O Colégio passou por diversas reformulações quanto a sua proposta para o ensino médio após a aprovação do Novo Ensino Médio, hoje oferece um currículo com oportunidades na prática esportiva, participação em olimpíadas, formação socioemocional além de preparação para o vestibular.
O colégio também desenvolve atividades organizadas pelos próprios alunos, como o Grêmio Estudantil [19](que realiza eleições periódicas para escolher sua chapa representante, sendo a atual a chapa Allagi III) , coletivo Santa Sonoridade (coletivo feminista)[20] e o Santa Post (um jornal interno no Santa Maria).[21]
Controvérsias
Casos de bullying
Apesar de o colégio seguir uma proposta pedagógica da escola enfatizar o respeito ao próximo, observam-se recorrentes casos de bullying e a falta de comprometimento da direção diante do tema[22]. Embora sejam promovidos, em conjunto com os alunos, diálogos voltados para essa problemática[23], tais iniciativas revelam-se, na prática, pouco efetivas.
Caso dos Gases (2023)
Em 2023, o Colégio Santa Maria enviou um comunicado aos alunos da 6ª série do ensino fundamental orientando-os a não soltar gases na classe, pois isso atrapalharia o “desenvolvimento das aulas”. De acordo com tal comunicado, alguns alunos estavam “tendo uma postura bastante desrespeitosa com os colegas e com os professores” durante as aulas, "pois estão soltando gases durante as mesmas".
Em nota enviada ao G1, a escola afirmou que alunos de uma das turmas do 6º ano "e não de todas as classes" "estavam soltando pum deliberadamente e com frequência, para desestabilizar o ambiente de sala de aula". Ressaltou ainda que "esta única turma, e não todas, foi orientada sobre a importância de liberar os gases do ponto de vista da saúde, mas que também é possível considerar a coletividade e a maneira mais adequada de agir nessa situação".
Tal acontecimento gerou polêmica entre alunos, pais e professores; visto que ultrapassou os muros da escola e foi noticiado pela grande mídia.[24][25][26]
Paralisação dos alunos do Colégio Santa Maria, SP após mudança nas regras para o Ensino Médio.
Mudanças nas regras do Ensino Médio sobre vestimenta adequada e calor excessivo nas salas de aula (2024)
Em 2024, o regimento interno para os alunos do Ensino Médio foi atualizado[27], visando impedir que as meninas usem determinadas roupas consideradas pela instituição como inadequadas para as leis do ambiente escolar, as novas regras dizem: "Nas demais aulas e atividades escolares são permitidas apenas calça, camisa, camiseta não cavada, blusa, agasalho, vestido, saia, bermuda, macacão, no ou abaixo do joelho". Tal mudança gerou revolta entre as alunas, que rapidamente se organizaram após algumas terem sofrido sanções disciplinares e organizaram um grande protesto, chamado "Shortasso", em que várias meninas vieram de shorts para o colégio em desacordo com a regra da escola como forma de manifestar sua insatisfação, além de entregarem uma carta para a direção, como tentativa frustrada de reverter o regulamento.[28] Além disso, uma aluna do colégio publicou um vídeo em seu perfil no TikTok que mostra a paralisação dos alunos diante do ocorrido, tal publicação atingiu por volta de 2 milhões de visualizações. [29]Ademais, alunos e seus responsáveis se manifestaram a respeito do calor excessivo nas salas de aula do Ensino Médio, que impossibilitava que as alunas usassem calças, por exemplo, tal indignação levou a responsável por um aluno a levantar um abaixo assinado, que atingiu por volta de 600 assinaturas.[30]
Tentativa de edição na Wikipedia (2025)
Em 12 de agosto de 2025, o próprio colégio editou repetidas vezes seu artigo na Wikipedia, como forma de tentar beneficiar sua imagem, tendo seu perfil inclusive banido do site.[31]
Mudança de Gestão e Protestos (2025–2026)
A partir do segundo semestre de 2025, o Colégio Santa Maria passou por uma reestruturação administrativa [32]que gerou forte oposição de alunos, ex-alunos, pais e funcionários. O estopim das críticas foi o afastamento da Irmã Diane da direção, após mais de cinco décadas na instituição, seguido pela implementação de novas diretrizes pedagógicas e disciplinares consideradas conservadoras e autocráticas por parte da comunidade escolar.
Dentre os pontos de maior tensão, destacam-se:
Alterações Curriculares e Religiosas: A exclusão de disciplinas eletivas voltadas à diversidade e espiritualidade no Ensino Médio, além da implementação de ritos religiosos obrigatórios (como a oração no início das atividades e a bênção de materiais escolares, como mochilas, na entrada da escola), o que foi interpretado por pais e alunos como um distanciamento do perfil historicamente pluralista e ecumênico da instituição.
Condições de Trabalho: Relatos de precarização no tratamento do corpo docente, incluindo a retirada de itens de uso comum na sala dos professores (como micro-ondas e máquinas de café) e a proibição do uso de aparelhos adquiridos pelos próprios funcionários.
Gestão de Pessoas: Demissões consideradas arbitrárias e a imposição de uma hierarquia rígida, que teria dificultado o diálogo direto entre a direção e os professores.
Mobilização Discente: Em 5 de fevereiro de 2026, alunos do Ensino Médio realizaram uma paralisação, recusando-se a entrar em sala de aula como forma de protesto contra o que classificaram como um "projeto autocrático", tal paralisação também gerou postagens nos perfis do grêmio estudantil[33] e coletivo feminista do colégio[34].
A crise resultou na criação de um abaixo-assinado[35] organizado por ex-alunos e ex-funcionários, que defende o resgate dos valores humanistas da instituição e critica a substituição da proposta pedagógica original por uma "dogmatização" do ensino, tal abaixo-assinado contou com mais de mil assinaturas.
No dia 6 de fevereiro de 2026, a direção do Colégio realizou uma reunião com os alunos, visando esclarecer a situação, alunos questionaram as demissões inesperadas e mudanças acadêmicas, como a exclusão dos Itinerários Formativos "Do Congo ao Funk" e "Espiritualidades". A escola diz que houve alteração nos itinerários devido à redução no número de turmas do 1.º ano do ensino médio, além da baixa adesão de tais atividades, sobre as demissões, colégio reforça que isso é uma questão administrativa e maiores detalhes não seriam dados para assegurar a privacidade de seus ex-funcionários.[36]