Cocytius antaeus
Cocytius antaeus
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Indivíduo avistado em Santiago Quiotepeque, no México
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Cocytius antaeus (Drury, 1773) | |||||||||||||||||
| Sinónimos[1][2] | |||||||||||||||||
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Cocytius antaeus, popularmente conhecida como mariposa-esfinge,[3] é uma espécie de artrópode lepidóptero, mais especificamente de mariposa, pertencente à família dos esfingídeos (Sphingidae).
Taxonomia e sistemática
Cocytius antaeus foi originalmente descrita por Dru Drury em 1773 sob o nome Sphinx antaeus. Foi transferida ao gênero Cocytius por William Kirby em 1892.[4][2] Sua localidade-tipo é a Jamaica. Apresenta duas subespécies: a nominal C. a. antaeus e C. a. medor.[5]
Descrição
Cocytius antaeus apresenta envergadura entre cinco e sete polegadas (12,6 a 17,8 centímetros), sendo os machos significativamente menores que as fêmeas.[5] A asa anterior superior tem região semitransparente posterior à veia CuA1, resultado da menor densidade de escamação e da presença de escamas semelhantes a pelos na camada superior da parte inferior; por essa razão, o traço preto nessa área está mais ou menos obliterado. O traço posterior à veia M3 é mais evidente, embora também apresente escamação modificada. A linha sub-basal branco-amarelada está dividida em três partes: uma porção costal, uma parte discocelular mais distal e uma porção posterior. Esta última difere daquela observada em Cocytius duponchel, por estar localizada mais distalmente, formando ângulos retos com a veia cubital e posicionada além da parte costal; o oposto é observado em C. duponchel. Além disso, a linha pós-discal é mais curva do que naquela espécie. Ambas as asas inferiores frequentemente exibem coloração de lavagem amarelo-ocre bastante conspícua. A asa posterior superior possui espaços transparentes longos, sendo o localizado após a veia M1 nitidamente mais longo do que a largura da borda marrom da asa; esses espaços são incisados distalmente, pois a borda apresenta entalhes entre as veias. Uma mancha semitransparente está presente anteriormente à nervura CuA2.[6][7]
Quanto aos membros, a tíbia anterior é ligeiramente mais longa que o primeiro segmento tarsal correspondente; a tíbia média é visivelmente mais longa, e a posterior um pouco mais curta em relação aos seus respectivos primeiros segmentos tarsais. O tarso anterior é semelhante ao de Cocytius duponchel, mas o primeiro segmento apresenta apenas espinhos externos, com a crista representada por apenas um ou dois espinhos apicais; os segmentos seguintes possuem mais espinhos do que os de C. duponchel. O tarso anterior exibe todas as quatro fileiras de espinhos; a crista da segunda fileira não é tão regular quanto no macho, e os espinhos se orientam mais distalmente. As tíbias anterior, média e posterior medem de um a dois milímetros a mais do que os primeiros segmentos tarsais correspondentes.[6][7]
A genitália masculina apresenta o unco com curvatura biarqueada em vista lateral, com o ápice apontando ventral e distalmente, sendo mais ou menos agudo. O gnato é semelhante ao de Cocytius lucifer, porém com os lados mais paralelos e o ápice arredondado-truncado. A valva é grande, com uma prega alta próxima à base, acima da harpa, recoberta por numerosas cerdas. A harpa possui um processo subcilíndrico robusto, com forma algo claviforme, levemente dilatado distalmente e fortemente dentado na extremidade. A juxta é representada por uma prega em forma de colarinho, aberta ventralmente e coberta por pequenos pelos. O falo possui um pequeno dente subapical. Na genitália feminina, a placa ostial é muito grande, bem esclerotizada inclusive na porção apical, mas com poucas ou nenhuma escama. Tem forma subtruncada, com as bordas laterais espessadas ou recurvadas. O óstio é livre, com bordas menos elevadas do que em C. lucifer ou C. beelzebuth, e está posicionado de forma significativamente mais proximal do que nas demais espécies do gênero, situando-se muito mais próximo da base do que do ápice do abdômen. Em fêmeas acasaladas, é comum observar uma crista alta, longitudinal, de substância esbranquiçada sobre a placa ostial.[6][7]
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Macho, lado dorsal -
Macho, lado ventral -
Fêmea, lado dorsal -
Fêmea, lado ventral
Distribuição e habitat

Cocytius antaeus habita áreas florestadas, planícies tropicais e subtropicais e áreas perturbadas, inclusive grandes centros urbanos.[2] Ocorre na América do Norte, nos Estados Unidos (rara no Texas, mas ocorre com frequência na Flórida e às vezes até tão ao norte quanto Chicago, em Ilinóis) e México (Quintana Roo), no mar do Caribe (Jamaica), no Oceano Pacífico (Ilhas Galápagos), na América Central, em Belize (Corozal, Cayo, Stann Creek, Toledo), Guatemala (Izabal), Nicarágua (Leão, Manágua, Granada, e provavelmente Carazo, Masaia e Rivas) e Costa Rica (Guanacaste, Limão, Herédia, Puntarenas, Alajuela, São José e Cartago) e na América do Sul, na Venezuela (Arágua, Bolívar, Guárico, Miranda e Monagas), Equador, Peru, Bolívia (Santa Cruz e La Paz), Paraguai (Central), Chile (norte do país), Argentina (Missões, Salta, Chaco, Formosa e Tucumã) e Uruguai. É possível que também ocorra na Colômbia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.[5]
No Brasil, está presente nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal (Brasília[8]), Espírito Santo, Goiás (Pirenópolis[8]), Maranhão (Chapadinha[8]), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais (Uberlândia[8]), Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins (Palmas[8]), nos biomas da Amazônia, da Caatinga, do Cerrado, da Mata Atlântica e do Pampa. Em termos hidrológicos, ocorre nas sub-bacias do Grande, do Guaíba, do Gurupi, do Iguaçu, do Itapecuru-Paraguaçu, do litoral de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, do Madeira, do Negro, do Paraguai 01, do Paranapanema, do Paranaíba, do Paraná RH1, do Paraíba do Sul, do Piranhas, do Tapajós, do Tietê, do Alto e Baixo Tocantins, do Trombetas, do Alto e Médio Uruguai e do Xingu.[2]
Ecologia


Adultos de Cocytius antaeus se alimentam de néctar de flores. No Cerrado, sabe-se que polinizam Caryocar brasiliensis (cariocaráceas), Inga vera (fabáceas), Tocoyena formosa (rubiáceas), Cestrum schlechtendalii (solanáceas) e Salvertia convallariodora (vochisiáceas).[8] Voam em várias gerações ao longo do ano no sul da Flórida. Na Costa Rica, há registros de adultos em todos os meses do ano, com exceção de março e outubro. Na Bolívia, espécimes foram coletados em março, outubro e dezembro. As pupas provavelmente se deslocam à superfície a partir de câmaras subterrâneas pouco antes da eclosão. As fêmeas atraem os machos por meio de um feromônio liberado por uma glândula localizada na extremidade do abdome. A oviposição ocorre individualmente nas folhas de várias espécies do gênero Annona, sendo Annona cherimola relatada como planta hospedeira nas ilhas Galápagos.[5]
Nos primeiros ínstares, as larvas apresentam listras laterais brancas. As lagartas maduras são grandes, podendo pesar até 20,81 gramas, e possuem um chifre característico na extremidade posterior. Nos últimos ínstares, são uniformemente verdes, com uma linha mediana roxa escura e uma listra lateral posterior branca bem destacada, acompanhada por tonalidades de verde escuro em ambos os lados. As larvas alimentam-se de plantas dos gêneros Annona (A. holosericea, Annona glabra, A. muricata, A. purpurea, A. squamosa), Guatteria sp., Oxandra sp., Sapranthus sp., Rollinia sp. (R. orthopetala) e Xylopia sp.. A fase pupal ocorre no subsolo, e os adultos emergem cerca de 30 dias após a formação da pupa. A pupa apresenta uma proeminente alça lingual, semelhante à observada em Manduca rustica. As larvas são vulneráveis à parasitização por dípteros da família dos taquinídeos.[5][2]
Conservação
Não são conhecidas ameaças que coloquem em risco a conservação de Cocytius antaeus. Em 2018, foi classificada como pouco preocupante no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[3][9] Em 2020, a NatureServe avaliou a espécie como segura (categoria G5) para o estado da Flórida.[10] Em sua área de ocorrência no Brasil, Cocytius antaeus presente em várias áreas de conservação:[2]
- Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe (APA Chapada do Araripe)
- Área de Proteção Ambiental de Petrópolis (APA Petrópolis)
- Área de Proteção Ambiental do Planalto Central (APA Planalto Central)
- Área de Proteção Ambiental Campos do Jordão (APA Campos do Jordão)
- Área de Proteção Ambiental da Bacia dos Ribeirões do Gama e Cabeça de Veado (APA da Bacia dos Ribeirões do Gama e Cabeça de Veado)
- Área de Proteção Ambiental de Jundiaí (APA Jundiaí)
- Área de Proteção Ambiental Sapucaí Mirim (APA Sapucaí Mirim)
- Área de Proteção Ambiental Serra do Mar (APA Serra do Mar)
- Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio Macacu (APA Bacia do Rio Macacu)
- Área de Proteção Ambiental de Murici (APA Murici)
- Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (APA Baixada Maranhense)
- Área de Proteção Ambiental Rota do Sol (APA Rota do Sol)
- Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNA da Serra dos Órgãos)
- Parque Nacional da Tijuca (PARNA da Tijuca)
- Estação Ecológica do Seridó (ESEC Seridó)
- Estação Ecológica de Maracá (ESEC de Maracá)
- Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESEC Águas Emendadas)
- Estação Ecológica do Jardim Botânico (ESEC Jardim Botânico)
- Reserva Biológica de Guaribas (Rebio Guaribas)
- Parque Estadual da Serra do Mar (PE Serra do Mar)
- Parque Estadual dos Pirineus (PE Pirineus)
- Refúgio de Vida Silvestre Matas do Sistema Gurjaú (RVS Matas do Sistema Gurjaú)
- Reserva Ecológica do Panga (RE do Panga)
- Reserva Particular do Patrimônio Natural Ano Bom (RPPN Ano Bom)
- Reserva Particular do Patrimônio Natural Ceflusmme (RPPN Ceflusmme)
- Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Limeira (RPPN Fazenda Limeira)
- Reserva Particular do Patrimônio Natural Frei Caneca (RPPN Frei Caneca)
- Reserva Particular do Patrimônio Natural Gleba O Saquinho de Itapirapuá (RPPN Gleba O Saquinho de Itapirapuá)
- Reserva Particular do Patrimônio Natural Sítio do Bananal (RPPN Sítio do Bananal)
- Terra Indígena Alto Rio Negro (TI Alto Rio Negro)
- Terra Indígena Tubarão-Latundê (TI Tubarão/Latundê)
- Terra Indígena Utiariti (TI Utiariti)
Referências
- ↑ «Cocytius antaeus (Drury, 1773)». Funet. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ a b c d e f de Amorim, Felipe Wanderley; Soares, Alexandre; de Camargo, Amabílio José Aires; Mielke, Carlos Guilherme Costa; Correa, Danilo do Carmo Vieira; Moraes, Simeão de Souza (2025). «Cocytius antaeus (Drury, 1773)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
- ↑ a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- ↑ «Cocytius antaeus (Drury, 1773)». Sphingidae Taxonomic Inventory. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2023
- ↑ a b c d e Oehlke, Bill. «Cocytius antaeus (Drury, 1773)». Sphingidae of the Americas (em inglês). Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 30 de novembro de 2024
- ↑ a b c «Cocytius antaeus (Drury, 1773)». Sphingidae Taxonomic Inventory. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 30 de abril de 2025
- ↑ a b c «Cocytius antaeus (Drury, 1773) sec CATE Sphingidae, 2009». CATE Sphingidae (em inglês). Consultado em 14 de julho de 2025. Arquivado do original em 2 de agosto de 2012
- ↑ a b c d e f Camargo, Amabílio José Aires de; Camargo, Willian Rogers Ferreira de; Corrêa, Danilo do Carmo Vieira; Vilela, Marina de Fátima; Amorim, Felipe Wanderley. Mariposas polinizadoras do Cerrado: Identificação, distribuição, importância e conservação Família Spinghidae (Insecta - Lepidoptera) (PDF). Brasília: Embrapa. p. 63. Consultado em 25 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 6 de maio de 2025
- ↑ «Cocytius antaeus (Drury, 1773)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 14 de julho de 2025
- ↑ «Cocytius antaeus». NatureServe. Consultado em 14 de julho de 2025. Cópia arquivada em 1 de junho de 2025

