Cobra-cega-das-dunas

Cobra-cega-das-dunas
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Typhlopidae
Gênero: Amerotyphlops
Espécie: A. amoipira
Nome binomial
Amerotyphlops amoipira
(Rodrigues & Juncá, 2002)
Sinónimos[2][3]
  • Typhlops amoipira (Rodrigues & Juncá, 2002)
  • Typhlops amoipira (Lambertz, 2010)
  • Typhlops amoipira (Brito et al. 2012)
  • Typhlops amoipira Wallach et al. 2014: 758)

A cobra-cega-das-dunas (nome científico: Amerotyphlops amoipira) é uma serpente brasileira da família dos tiflopídeos (Typhlopidae).

Taxonomia

A cobra-cega-das-dunas foi descrita por M. T. Rodrigues e F. A. Juncá em 2002. Seu nome específico amoipira faz referência aos amoipiras, uma tribo indígena tupi que viveu na região onde a espécie foi identificada no século XVI e que provavelmente foi extinta no XVII.[2] Similaridade morfológica, preferências ecolôgicas e distribuição geográfica sugerem que Amerotyphlops amoipira e A. yonenagae podem ser espécies filogeneticamente próximas. Em 2018, Graboski et al. confirmaram A. amoipira, A. yonenagae, A. arenensis e A. paucisquamus compõem um clado com as espécies do Nordeste do Brasil e que A. amoipira e A. paucisquamus formam um subclado.[4]

Descrição

A cobra-cega-das-dunas apresenta corpo cilíndrico, ligeiramente pigmentado, com sutura nasal incompleta. Tem 18 fileiras de escamas ao redor do corpo e 212–242 escamas dorsais. Seu comprimento total máximo registrado de 200 milímetros.[2] É morfologicamente semelhante a A. arenensis e A. paucisquamus, compartilhando o mesmo número de fileiras de escamas em torno do corpo e sobreposição quanto ao número de escamas médio-dorsais. A análise de caracteres morfológicos externos de espécimes coletados no município de Bonito de Minas, no estado de Minas Gerais, inicialmente classificados como A. amoipira, permitiu a identificação desses indivíduos como A. arenensis.[4]

Distribuição e habitat

A cobra-cega-das-dunas é endêmica do Brasil. Até pouco tempo, seu registro era limitado apenas à localidade-tipo, situada no município de Barra (Ibiraba), na Bahia,[2] na área das dunas ao longo da margem esquerda do rio São Francisco. Pesquisas recentes expandiram sua distribuição para os estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Maranhão e Ceará.[5] Os registros atribuídos a essa espécie no Cerrado de Minas Gerais, especificamente no município de Bonito de Minas, na Fazenda Santa Maria de Vereda, foram posteriormente identificados como pertencentes a A. arenensis.[1] A área de ocorrência da espécie foi estimada em 701 708 quilômetros quadrados, calculada a partir do menor polígono convexo que inclui todos os pontos confirmados de registro da espécie. Em termos hidrológicos, ocorre nas sub-bacias do Itapecuru, do litoral de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Sergipe e no Baixo e Médio São Francisco. Habita ambientes psamófilos, em fragmentos florestais em áreas de dunas e solos arenosos nos biomas da Caatinga, Mata Atlântica, Restinga, Amazônia e Cerrado.[4][6]

Biologia e ecologia

A cobra-cega-das-dunas é uma espécie fossorial e vive enterrada em solos arenosos.[1] Alimenta-se de formigas, cupins e outros invertebrados subterrâneos.[6] Reproduz-se por postura de ovos (oviparidade), geralmente um único ovo fixo ao substrato.[2]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica a cobra-cega-das-dunas como pouco preocupante (LC), pois embora seja conhecida em diversas localidades amplamente separadas e as ameaças sejam reconhecidas pelo menos nas proximidades da localidade-tipo, evidências recentes indicam que é muito mais disseminada do que se reconhecia anteriormente.[1] Em 2017, foi classificada como como em perigo (EN) na Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia[7] e em 2018 como em perigo (EN) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[8][9] Em 2020, mediante reanálise da situação da espécie, o ICMBio atualizou sua classificação e definiu que a cobra-cega-das-dunas é pouco preocupante (LC). Suas subpopulações podem estar afetadas pela expansão agropastoril e urbana e pela extração de areia. É possível que parte de suas subpopulações tenham sido afetadas no processo de construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia. É pouco provável que a espécie tenha sido afetada pela transposição do rio São Francisco, dada a distância entre o empreendimento e seu local de registro nas margens do rio (ca. 500 quilômetros). Em sua área de distribuição, ocorre em algumas áreas de conservação: a Área de Proteção Ambiental do Piaçabuçu (APA Piaçabuçu), a Área de Proteção Ambiental de Bonfim/Guaraíra (APA Bonfim/Guaraíra), a Área de Proteção Ambiental de Upaon-Açu-Miritiba-Alto Preguiças (APA Upaon-Açu-Miritiba-Alto Preguiças), a Área de Proteção Ambiental Dunas e Veredas do Baixo-Médio São Francisco (APA Dunas e Veredas do Baixo-Médio São Francisco) e a Reserva Particular de Patrimônio Natural Fazenda Boa Ventura (RPPN Fazenda Boa Ventura).[4]

Ver também

Referências

  1. a b c d Martins, M. R. C.; Nogueira, C. de C.; Wallach, V. (2019). «Cobra-cega-das-dunas, Amerotyphlops amoipira». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T178692A96476524. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T178692A96476524.enAcessível livremente. Consultado em 8 de maio de 2025 
  2. a b c d e «Amerotyphlops amoipira (Rodrigues & Juncá, 2002)». The Reptile Database. Consultado em 25 de abril de 2025. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2025 
  3. «Amerotyphlops amoipira (Rodrigues & Juncá, 2002)». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2025. Cópia arquivada em 29 de abril de 2025 
  4. a b c d Martins, Marcio; Nogueira, Cristiano de Campos; Guidorizzi, Carlos Eduardo; Andrade, Sheila Pereira de; Bataus, Yeda Soares de Lucena; Abrahão, Carlos Roberto; Argôlo, Antônio Jorge Suzart; Barbo, Fausto Erritto; Bérnils, Renato Silveira; Martins, Márcio Borges; Colli, Guarino Rinaldi; Costa, Henrique Caldeira; Frazão, Luciana; Guedes, Thaís; Ribeiro, Ricardo Alexandre Kawashita; Loebmann, Daniel; Marques, Otavio Augusto Vuolo; Maschio, Gleomar Fabiano; Oliveira, Maria Ermelinda do Espirito Santo; Oliveira, Roberto Baptista de; Pantoja, Davi Lima; Passos, Paulo Gustavo Homem; Ribeiro, Leonardo Barros; Silveira, Adriano Lima; Strüssmann, Christine; Silva, Wilian Vaz (2023). «Amerotyphlops amoipira (Rodrigues & Juncá, 2002)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.25519. Consultado em 22 de março de 2025. Cópia arquivada em 10 de julho de 2024 
  5. «Ocorrência do gênero amerotyphlops». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 8 de maio de 2025. Cópia arquivada em 8 de maio de 2025 
  6. a b Brito, S.A.; Freire, E.M.X. (2012). «Novos registros de Amerotyphlops amoipira (Rodrigues & Juncá, 2002) para o Nordeste do Brasil». Biota Neotropica. 12 (2): 87–92 
  7. «Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia.» (PDF). Secretaria do Meio Ambiente. Agosto de 2017. Consultado em 1 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 2 de abril de 2022 
  8. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  9. «Amerotyphlops amoipira (Rodrigues & Juncá, 2002)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 8 de maio de 2025. Cópia arquivada em 29 de abril de 2025