Coalition of the willing

O termo coalition of the willing (traduzido para o português brasileiro como coalizão dos dispostos[1][2], coalizão de voluntários[3][4] ou coalizão da boa vontade[5] e para o português europeu como coligação dos dispostos[6]) se refere a uma parceria internacional temporária criada com o propósito de atingir um objetivo específico, geralmente de natureza militar ou política.[7]

Origem

O termo foi cunhado no início da década de 1970 pelo professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts Lincoln P. Bloomfield e seus colegas, incluindo Harland Cleveland da Universidade de Minnesota.[8] Em julho de 1971, Bloomfield descreveu a necessidade de uma coalizão de nações dispostas a apoiar importantes objetivos de manutenção da paz ou estabilização de conflitos endossados ​​pela ONU, em um artigo de opinião do The New York Times.[9] O termo foi retomado pelo Secretário de Estado Henry Kissinger em uma carta de 1973 a Bloomfield, reconhecendo a "proposta deste último para 'coalizões dos dispostos'."[10] Em 9 de maio de 1988, Cleveland escreveu uma carta 'para registro' ao Editor da Foreign Affairs deixando claro que Bloomfield foi o criador da frase, publicada pela primeira vez em seu livro de 1974 In Search of American Foreign Policy.[11] Em 2002, Bloomfield publicou outro artigo de opinião, insistindo que Cleveland compartilhasse o crédito pela frase.[8]

Utilização

O termo foi utilizado pelo presidente Bill Clinton em Junho de 1994 em relação a possíveis operações contra a Coreia do Norte, no auge do impasse de 1994 com o país sobre armas nucleares.[12]

Em sua carta apresentando a Estratégia de Segurança Nacional de 2002, o presidente George W. Bush enfatizou o importante papel das "coalizões dos dispostos".[13]

O termo "coalition of the willing" passou a referir-se à Força Multinacional no Iraque, liderada pelos Estados Unidos, o comando militar durante a invasão do Iraque em 2003 e grande parte da Guerra do Iraque que se seguiu.[14]

Também foi aplicado à operação INTERFET liderada pela Austrália em Timor-Leste de 1999 a 2000.[15][16]

Em 1 de março de 2025, o presidente tcheco Petr Pavel fez uma postagem nas redes sociais no X, apelando à formação de uma coalizão dos dispostos para acabar com a invasão russa da Ucrânia.[17] No dia seguinte, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer ecoou esse sentimento após uma cúpula internacional realizada em Londres entre dezoito líderes europeus.[18] Ele disse que o Reino Unido trabalharia com a França e outros países europeus para fornecer garantias de segurança para a Ucrânia, com uma meta de longo prazo de um acordo de paz de algum tipo com a Rússia.[19]

Referências

  1. Peter Philipp (30 de outubro de 2008). «Tropas no Iraque». Deutsche Welle 
  2. «Países querem participar da "coalizão dos dispostos" da Europa, diz o primeiro-ministro do Reino Unido, Starmer». UOL. 2 de março de 2025 
  3. Steffen Leidel (23 de março de 2003). «Coalizão dos dependentes». Deutsche Welle 
  4. «Ataques cirúrgicos podem ser opção para punir Assad». Exame. 26 de agosto de 2013 
  5. Bruno Caniato (2 de março de 2025). «Reino Unido anuncia 'coalizão da boa vontade' na Europa por cessar-fogo na Ucrânia». Veja 
  6. «"Coligação dos dispostos" reúne-se em Paris e Zelensky faz um pedido: "A Europa pode defender-se"». Expresso. 27 de março de 2025. Consultado em 30 de novembro de 2025 
  7. Rodiles, Alejandro, ed. (2018), «The Conceptual Metaphor 'Coalition of the Willing'», ISBN 978-1-108-49365-9, Cambridge: Cambridge University Press, Coalitions of the Willing and International Law: The Interplay between Formality and Informality, Cambridge Studies in International and Comparative Law, pp. 10–37, doi:10.1017/9781108680431.003 
  8. a b «'Coalition of the willing' is world's best weapon». The Baltimore Sun (em inglês). 21 de abril de 2002 
  9. Bloomfield, Lincoln P. (21 de julho de 1971). «Resurrecting the United Nations». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331 
  10. «Nov 23 1973 Henry Kissinger response» (PDF). PalmerCoates 
  11. «H Cleveland attribution letter» (PDF). PalmerCoates 
  12. Ibiblio.org (originally official White House release), Interview with the President by Sam Donaldson ABC, 5 de junho de 1994.
  13. «The National Security Strategy of the United States of America September 2002» (PDF). National Security Strategy Archive. 17 de setembro de 2002 
  14. «Bush: Join 'coalition of willing'». CNN. 20 de novembro de 2002 
  15. Peace enforcement through a global organisation: the United Nations and INTERFET in East Timor - Summary. [S.l.]: Cambridge University Press. 10 de novembro de 2010. ISBN 978-0-521-87019-1. doi:10.1017/CBO9780511491290.007 
  16. «Shaping East Timor: A Dimension of United Nations Peacekeeping». Columbia International Affairs Online. Março de 2001 
  17. Ferenčík, Jakub (1 de março de 2025). «President Pavel calls for consideration of a coalition of the willing for a just peace». Radio Prague International. Cópia arquivada em 2 de março de 2025 
  18. Landler, Mark; Castle, Stephen; Breeden, Aurelien; Smialek, Jeanna (2 de março de 2025). «Trump Administration Live Updates: U.K. Prime Minister, Seeing 'Crossroads in History,' Pledges More European Support for Ukraine». The New York Times. London, Paris, and Brussels. Cópia arquivada em 2 de março de 2025 
  19. Martin, Daniel (2 de março de 2025). «Britain and France to lead 'coalition of the willing' to save Ukraine». The Telegraph (em inglês). ISSN 0307-1235. Consultado em 2 de março de 2025