Cisne Negro Companhia de Dança

Cisne Negro Companhia de Dança
TipoCompanhia de dança
Fundação1 de janeiro de 1977 (49 anos)
SedeRua Aliança Liberal, 970
Vila Madalena, São Paulo, SP
Diretora artísticaDany Bittencourt
Websitecisnenegro.com.br

A Cisne Negro Companhia de Dança é uma companhia brasileira de dança contemporânea fundada em 1977 na cidade de São Paulo.[1] Considerada uma das mais importantes e tradicionais companhias de dança do Brasil, destacou-se ao longo de quase cinco décadas pela inovação artística, diversidade de repertório e formação de bailarinos.[2]

História

Fundação

A companhia foi fundada em 1977 pela bailarina e coreógrafa Hulda Bittencourt (1934-2021), que já dirigia desde 1958 o Estúdio de Ballet Cisne Negro.[3] A origem da companhia teve uma característica peculiar: Hulda reuniu alunas de sua escola com estudantes da Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP), criando um grupo com forte presença masculina numa época em que homens bailarinos enfrentavam discriminação no Brasil.[2][4]

O nome "Cisne Negro" foi inspirado no personagem do balé clássico O Lago dos Cisnes, refletindo o apreço pessoal de Hulda pela obra.[2]

Primeiros anos e consolidação

Logo em 1979, apenas dois anos após sua fundação, a Cisne Negro recebeu o Prêmio APCA na categoria Grupo de Dança Revelação, consolidando sua relevância no cenário artístico brasileiro.[1] Em 1983, a companhia estreou sua montagem de O Quebra-Nozes, que se tornaria uma tradição anual e um dos espetáculos mais longevos da dança brasileira.[5]

Em 1984, a montagem de O Quebra-Nozes recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) os prêmios de Melhor Espetáculo e Melhor Coreografia do Ano.[6] Em 1988, a companhia voltou a ser premiada pela APCA, desta vez na categoria Melhor Grupo de Dança.[5]

Trajetória internacional

Ao longo de sua história, a Cisne Negro apresentou-se em mais de 17 países, incluindo Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, China, Colômbia, Cuba, Escócia, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Moçambique, Paraguai, Romênia, Tailândia, Uruguai e África do Sul.[7] A companhia realizou turnês que consolidaram seu reconhecimento como modelo de excelência na dança brasileira.[7]

Transição de direção

Com o falecimento de Hulda Bittencourt em 1º de novembro de 2021, vítima de um acidente vascular cerebral,[3] a direção artística da companhia passou para sua filha Dany Bittencourt, bailarina formada pela Royal Academy of Dancing e que já atuava como coreógrafa e diretora de ensaios da companhia.[2]

Características artísticas

Repertório

A Cisne Negro destacou-se por não possuir um coreógrafo residente, trabalhando com diversos criadores nacionais e internacionais.[8] Esta característica proporcionou ao grupo um repertório diversificado que transita entre o clássico e o contemporâneo.

Entre os coreógrafos que criaram obras para a companhia estão Mark Baldwin (Inglaterra), Gigi Caciuleanu, Patrick Delcroix (França), Itzik Galili (Holanda/Israel), Victor Navarro (Espanha), Rui Moreira, Dany Bittencourt, Mário Nascimento e Ana Mondini (Brasil), Luis Arrieta (Argentina), entre outros.[8]

O Quebra-Nozes

A montagem anual de O Quebra-Nozes tornou-se uma das marcas registradas da Cisne Negro. Iniciada em 1983, a temporada natalina do espetáculo chegou à sua 42ª edição em 2024, consolidando-se como tradição cultural paulistana.[9]

Ao longo das décadas, o espetáculo foi assistido por mais de 500 mil pessoas.[9] A partir de 2022, passou a integrar oficialmente a programação de Natal do Parque Ibirapuera.[9]

Reconhecimento e prêmios

A companhia acumulou diversos prêmios ao longo de sua trajetória:

  • 1979: Prêmio APCA – Grupo de Dança Revelação[1]
  • 1984: Prêmio APCA – Melhor Espetáculo e Melhor Coreografia (O Quebra-Nozes)[6]
  • 1988: Prêmio APCA – Melhor Grupo de Dança[5]
  • 1996: Prêmio Bandeirante – Personalidade do Ano em Dança (Hulda Bittencourt)[1]
  • 2010: Ordem do Ipiranga (Hulda Bittencourt)[6]
  • 2019: Honraria da Royal Academy of Dance no Imperial College de Londres (Hulda Bittencourt)[2]

Números e impacto

Segundo dados da própria companhia, a Cisne Negro:[10]

Atingiu um público superior a 5 milhões de pessoas Realizou cerca de 5.000 apresentações Apresentou-se em mais de 500 cidades Atuou em 17 países diferentes Mantém média de 60 a 80 apresentações por ano

Projetos sociais

A Cisne Negro desenvolveu projetos socioeducativos voltados à democratização da dança:[1]

  • Reciclando Sonhos – projeto social criado por Hulda Bittencourt
  • Caminhos da Arte – projeto social criado por Hulda Bittencourt
  • Dança nos Hospitais – desde 2016, leva apresentações de O Quebra-Nozes a instituições de saúde da capital paulista

Conexão com o Estúdio de Ballet Cisne Negro

A companhia mantém forte vínculo com o Estúdio de Ballet Cisne Negro, escola fundada em 1958 por Hulda Bittencourt e seu marido Edmundo Rodrigues Bittencourt.[3] A escola, localizada na Vila Madalena em São Paulo, formou diversas gerações de bailarinos que atuam em companhias nacionais e internacionais, utilizando o método da Royal Academy of Dancing.[8]

Direção atual

Desde 2021, a companhia está sob a direção artística de Dany Bittencourt, que mantém o compromisso com a inovação, diversidade e democratização do acesso à dança.[2] A Cisne Negro continua produzindo tanto espetáculos de dança contemporânea quanto montagens clássicas, perpetuando o legado deixado por Hulda Bittencourt.

Filosofia

A Cisne Negro acredita que a cultura é uma ferramenta de transformação social. Seus valores incluem inclusão, acessibilidade e a crença de que todo ser humano merece experimentar o prazer da arte.[10]


Ver também

Dança no Brasil

Dança contemporânea

Hulda Bittencourt

Ballet no Brasil

Ballet Stagium

Ligações externas

Site oficial da Cisne Negro Cia. de Dança

Site do Estúdio de Ballet Cisne Negro

Referências

  1. a b c d e «Hulda Bittencourt, fundadora da Cisne Negro Cia. de Dança, morre em São Paulo». Concerto. 1 de novembro de 2021. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  2. a b c d e f «Ocupação Hulda Bittencourt: uma História com a Dança proporciona perspectiva histórica sobre a fundadora do Grupo Cisne Negro». Conected Dance. 25 de janeiro de 2024. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  3. a b c «Morre a coreógrafa e bailarina Hulda Bittencourt, fundadora da companhia Cisne Negro». Folha de Londrina. 1 de novembro de 2021. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  4. «Faleceu nesta segunda (01/11), Hulda Bittencourt, fundadora da Cisne Negro Cia de Dança». Dança em Pauta. 1 de novembro de 2021. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  5. a b c «Hulda Bittencourt». SPCD - São Paulo Companhia de Dança. 15 de maio de 2024. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  6. a b c «Hulda Bittencourt». Wikipédia. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  7. a b «Cisne Negro estreia neste sábado a 42º temporada de "O Quebra-Nozes"». SEGS. Dezembro de 2024. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  8. a b c «Quem Somos». Estúdio de Ballet Cisne Negro. 30 de abril de 2023. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  9. a b c «Cisne Negro estreia neste sábado a 42º temporada de "O Quebra-Nozes"». SEGS. Dezembro de 2024. Consultado em 17 de dezembro de 2024 
  10. a b «A Companhia». Cisne Negro. Consultado em 17 de dezembro de 2024