Ciro Marcondes Filho
| Ciro Marcondes Filho | |
|---|---|
| Nascimento | 9 de setembro de 1948 São Paulo, São Paulo |
| Morte | 8 de novembro de 2020 (72 anos) São Paulo |
| Residência | São Paulo, São Paulo |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Cidadania | Brasil |
| Alma mater | Universidade de São Paulo |
| Ocupação | |
| Empregador(a) | Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo |
| Orientador(a)(es/s) | Dieter Prokop |
Ciro Juvenal Rodrigues Marcondes Filho (São Paulo, 9 de setembro de 1948 — São Paulo, 8 de novembro de 2020) foi um professor, escritor, ensaísta, comunicólogo e teórico do jornalismo brasileiro.
Biografia
Cursou Ciências Sociais e Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP) entre o final das décadas de 1960 e 1970 e tornou-se docente em 1974 e professor titular da USP em 1987.[1][2] Em 1976, finalizou seu mestrado em Ciência Política, também pela mesma universidade. De 1976 a 1981, realizou seu doutorado em Sociologia da Comunicação na Universidade de Frankfurt, na Alemanha. Em 2000, cursou pós-doutorado na Universidade Grenoble Alpes, na França.[3] Ao longo de sua trajetória, publicou mais de 50 livros, tornando-se um dos mais notáveis pesquisadores e teóricos da comunicação no Brasil.[4]
Em 2014, ficou no 3º lugar na categoria "Comunicação" do Prêmio Jabuti de Literatura de 2014 com o livro O rosto e a máquina: o fenômeno da comunicação visto dos ângulos humano, medial e tecnológico.[5]
Nova Teoria da Comunicação
Entre 2002 e 2004, Ciro Marcondes Filho lançou o primeiro e o segundo volume de sua trilogia Nova Teoria da Comunicação. Na década seguinte, foi publicado o terceiro volume de sua obra principal, dividido em cinco tomos. A Nova Teoria da Comunicação propôs a comunicação como um estado raro de interação caracterizado pela produção de diferenças. Nessa abordagem, a comunicação é vista como um acontecimento que vai além da simples transmissão de informações, envolvendo a produção de sentido em uma relação de abertura à alteridade.[6][7]
A adoção da Nova Teoria da Comunicação se deu de forma tímida no Brasil. Luiz Signates argumentou que a teoria de Ciro Marcondes Filho, apesar de apresentar uma visão teórica original e heurística das questões comunicacionais, em sua perspectiva, não foi amplamente adotada e debatida no cenário acadêmico brasileiro.[6] Já Francisco Rüdiger fez críticas ao trabalho de Marcondes Filho a partir da Nova Teoria da Comunicação, argumentando que "em vez de oferecer à teoria da comunicação um arcabouço conceitual para melhor esclarecer e, talvez, ajudar a desenvolver a pesquisa, seu empreendimento filosófico se esgota na pregação de uma doutrina de forte acento solipsístico".[8] Entretanto, Ciro Marcondes Filho rebateu às críticas de Rüdiger, apontando que ele "não entendeu nada" de sua proposta teórica e metodológica, afinal, a comunicação pressupõe uma exterioridade que intenciona um contato conosco e, além disso, uma possibilidade de abertura que viabiliza a interação, podendo gerar um fato novo, a produção de sentido, transformando o ser de (ao menos) um dos sujeitos em relação, alterando a sua existência, produzindo um devir, um antes e um depois. Portanto, a relação com a alteridade é fundamental para a Nova Teoria da Comunicação, tanto no sentido da sinalização, pois sinaliza quem intenciona algo à alguém, quando na recepção no sinal, pois é necessário um Outro que se abra ao contato com a exterioridade para que o encontro possa se tornar propício para a ocorrência da comunicação, desmontando a frágil e superficial acusação de produção de uma doutrina com acento solipsístico[9].
Vida pessoal
O autor era casado com Márcia Pereira Marcondes.[10]
Morte
Ciro descobriu que tinha um câncer no final de 2018, após a descoberta iniciou um tratamento no Hospital do Servidor Público de São Paulo, passou por cirurgia e teve uma rotina hospitalar intensa, passando por quimioterapia e radioterapia até a sua morte no dia 08/11/2020[10].
Referências
- ↑ «"Ciro Marcondes mudou o entendimento sobre comunicação no Brasil"». Jornal da USP. Consultado em 22 de abril de 2024
- ↑ «Ciro Marcondes évoque les défis de la communication du sensible». Universidade Federal de Goiás. Consultado em 22 de abril de 2024
- ↑ «Ciro Marcondes Filho, professor de jornalismo da USP, morre aos 72 anos». UOL. Consultado em 22 de abril de 2024
- ↑ «Ciro Marcondes Filho, professor de jornalismo da USP, morre em São Paulo». G1. Consultado em 22 de abril de 2024
- ↑ Abos, Marcia (16 de outubro de 2014). «Rubem Fonseca, Bernardo Carvalho, Laurentino Gomes e Lira Neto premiados no Jabuti 2014». O Globo. Consultado em 4 de março de 2015
- ↑ a b Signates, Luiz (2022). «Por uma metateoria das tensões comunicacionais: fundamentos para um objeto metateórico na ciência da comunicação». Anais do 31° Encontro Anual da COMPÓS: 1-21. Consultado em 22 de abril de 2024
- ↑ «Comunicologia ou Mediologia? A fundação de um campo científico da comunicação.» (PDF). 2018. Consultado em 3 de julho de 2025
- ↑ Rüdiger, Francisco (2020). «A comunicação como aventura solipsística: sobre a "nova teoria" de Ciro Marcondes Filho». Revista Eco-Pós: 253–277. Consultado em 22 de abril de 2024. Cópia arquivada em 5 de fevereiro de 2024
- ↑ Filho, Ciro Marcondes (24 de dezembro de 2020). «Reabilitando o Positivismo: Francisco Rüdiger "critica" a Nova Teoria da Comunicação. Mas não impunemente». Revista Eco-Pós (3): 278–307. ISSN 2175-8689. doi:10.29146/eco-pos.v23i3.27646. Consultado em 3 de julho de 2025
- ↑ a b «Ciro Marcondes Filho, professor de jornalismo da USP, morre em São Paulo». G1