Cimeira dos Açores

A Cimeira dos Açores foi uma reunião em 16 de Março de 2003 na Base Aérea das Lajes, na Ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, em Portugal, entre os chefes de governo dos EUA, Reino Unido, Espanha e Portugal, respectivamente, George W. Bush, Tony Blair, José María Aznar e José Manuel Durão Barroso, que tanbem serviu como anfitrião [1]
Na reunião , foi feita a decisão de mandar um ultimato de 24 horas ao Regime Iraquiano liderado por Saddam Hussein para desarmamento sob ameaça de declaração de guerra.[2]
Na Espanha, a Cimeira dos Açores foi largamente criticada e, de acordo com alguns especialistas, foi um ponto de virada que marcou o início da queda do Partido Popular Espanhol, que seria ainda mais acentuada pelos atentados de 11 de março de 2004 em Madrid . [3] [4]
O ultimato finalmente levou à invasão do Iraque de 2003 por uma coligação internacional de países, sem o apoio explícito das Nações Unidas, [5] embora eles basearam-se nas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) 1441, 1483 e 1511. [6]
Declarações da Cimeira dos Açores em relação ao Iraque
A Cimeira dos Açores resultou em duas declarações: "Uma visão para o Iraque e o povo iraquiano" e "Compromisso com a solidariedade transatlântica".
Uma visão para o Iraque e para o povo iraquiano
Esta declaração defende a necessidade de libertar o povo iraquiano do regime de Saddam Hussein.[7]
Compromisso com a solidariedade transatlântica
Para além do ultimato, a Cimeira dos Açores adoptou uma declaração sobre a solidariedade transatlântica, na qual os signatários pretendiam expor os seus pontos de vista particulares relativamente aos valores comuns de ambos os lados do Atlântico referentes à democracia, à liberdade e ao Estado de Direito, e que em conjunto enfrentariam as duas ameaças do século XXI: o terrorismo e a proliferação de armas de destruição em massa.[8]
Consequências
A Cimeira dos Açores foi o prelúdio da invasão do Iraque em 2003 e da sua subsequente ocupação, bem como da prorrogação da Guerra do Iraque até 19 de agosto de 2010.
A ocupação militar não encontrou armas de destruição em massa
A existência de armas químicas (armas de destruição em massa) no Iraque, o principal argumento apresentado para a declaração de guerra, não foi comprovada.[9][10]A invasão do Iraque também foi associada à solução do conflito árabe-israelense,[11] a nova estratégia geopolítica dos Estados Unidos,[12] os grandes interesses económicos petrolíferos na área,[13][14] e um verdadeiro campo de testes para a indústria militar dos EUA, que constitui uma parte muito importante do seu produto interno bruto.[15]
Retirada das tropas e o fim da guerra
Na sexta-feira, do dia 27 de fevereiro de 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a retirada das tropas americanas na segunda-feira do dia 31 de agosto de 2010, embora 50.000 soldados permanecessem até sábado, 31 de dezembro de 2011.[16][17] Não seria até 2015 em que Tony Blair admitiria que tinha sido um erro invadir o Iraque.[18]
Ver também
Referências
- ↑ «Press Availability with President Bush, Prime Minister Blair, President Aznar, and Prime Minister Barroso». Departamento de Estado dos Estados Unidos (em inglês). 16 de Março de 2003. Consultado em 10 de Janeiro de 2026
- ↑ «Full text: Azores press conference». The Guardian (em inglês). 17 de março de 2003. Consultado em 10 de Janeiro de 2026
- ↑ «Azores: el día que Aznar puso a España al frente de la invasión de Irak por unas armas inexistentes». 20 minutos (em espanhol). 16 de Março de 2013. Consultado em 10 de Janeiro de 2026
- ↑ Rolfe, Pamela (19 de Março de 2003). «For Spanish Leader, War Is a Gamble». The Washington Post (em inglês). Consultado em 10 de Janeiro de 2026
- ↑ MacAskill, Ewen; Borger, Julian (16 de Setembro de 2003). «Iraq war was illegal and breached UN charter, says Annan». The Guardian. Consultado em 10 de janeiro de 2026
- ↑ Reynolds, Maura (17 de Março de 2003). «Azores Summit Ends in Ultimatum to U.N.». Los Angeles Times (em inglês). Consultado em 10 de Janeiro de 2026
- ↑ Department Of State. The Office of Electronic Information, Bureau of Public Affairs (16 de março de 2003). «Statement of the Atlantic Summit: A Vision for Iraq and the Iraqi People». 2001-2009.state.gov (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2026
- ↑ Department Of State. The Office of Electronic Information, Bureau of Public Affairs (16 de março de 2003). «Statement of the Atlantic Summit: Commitment to Transatlantic Solidarity». 2001-2009.state.gov (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2026
- ↑ «Analysis | The Iraq War and WMDs: An intelligence failure or White House spin?». The Washington Post (em inglês). 22 de março de 2019. ISSN 0190-8286. Consultado em 10 de janeiro de 2026
- ↑ Martínez Selva 2009.
- ↑ Waxman 2009.
- ↑ Mercille 2010.
- ↑ «How Oil Influenced the 2003 US Invasion of Iraq». ThoughtCo (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2026
- ↑ CNN, Antonia Juhasz,Special to (19 de março de 2013). «Why the war in Iraq was fought for Big Oil». CNN (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2026
- ↑ Hinnebusch 2007, p. 212.
- ↑ «Remarks of President Barack Obama - Responsibly Ending the War in Iraq». whitehouse.gov (em inglês). 27 de fevereiro de 2009. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Obama: U.S. to withdraw most Iraq troops by August 2010 - CNN.com». edition.cnn.com. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Gotev, Georgi (7 de Julho de 2015). «Blair held responsible for Iraq war, while Barroso remains untouchable». Euractiv. Consultado em 10 de Janeiro de 2026