Cichlasoma sanctifranciscense

Cichlasoma sanctifranciscense
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Cichliformes
Família: Cichlidae
Subfamília: Cichlasomatinae
Gênero: Cichlasoma
Espécie: C. sanctifranciscense
Nome binomial
Cichlasoma sanctifranciscense
Kullander, 1983

Cichlasoma sanctifranciscense, popularmente referido como acará ou acará-comum, é uma espécie da família dos ciclídeos (Cichlidae) e do gênero Cichlasoma.[2][3] Foi descrita em 1973 por Sven Kullander.

Etimologia

O nome genérico Cichlasoma do grego kichlḗ (γῆ), que significa "bodião", e sȭma (σῶμα), que significa "corpo".[4] O nome popular cará ou acará é uma designação comum a diversos peixes da família dos ciclídeos. O termo deriva do tupi aka'ra, no sentido de "escamoso, cascudo", e foi registrado pela primeira vez em 1587.[5]

Taxonomia e sistemática

Cichlasoma sanctifranciscense foi descrito pela primeira vez por Sven Kullander em 1983.[6] Seu holótipo é NMW 32714 e sua localidade-tipo é a lagoa Viana, no sistema do rio São Francisco, no estado da Bahia.[7]

Distribuição e habitat

Cichlasoma sanctifranciscense ocorre no rio São Francisco, desde as cabeceiras até a foz, bem como em lagoas e drenagens costeiras próximas a Salvador, nos estados de Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco. Há registros incertos de sua ocorrência no lagoa de Parnaguá, na bacia do rio Parnaíba (estados do Ceará, Maranhão e Piauí). Segundo Lima e Caires (2011), também é listado para o rio do Sono, afluente do rio Tocantins, na região das Águas Emendadas (na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins), abrangendo os estados de Tocantins e Bahia. Há ainda registro para o trecho do Tocantins que banha o estado de Goiás. Habita lagoas marginais e represas do rio São Francisco, mas também pode ser encontrada nos riachos e rios maiores.[1]

Ecologia

Cichlasoma sanctifranciscense é uma espécie onívora, com preferência por insetos, conforme apontam estudos sobre dieta e estrutura trófica de comunidades de peixes em lagoas marginais do trecho médio do São Francisco. Em pesquisa realizada em uma lagoa marginal do trecho sub-médio do mesmo rio, a espécie foi classificada como invertívora. Informações etnoecológicas baseadas no conhecimento de pescadores da região indicam que o corró - nome popular atribuído à espécie - se alimenta de peixes pequenos e ovas, constrói ninhos e exerce cuidado parental, apresentando comportamento agressivo na defesa da prole.[1]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica Cichlasoma sanctifranciscense como pouco preocupante (LC), pois é relativamente comum e abundante, é encontrado em ambientes lênticos, sua população aparente estar estável e não foram identificadas ameaças que coloquem a espécie em risco.[1] Em 2018, foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[8][9] A espécie está presente em várias áreas de conservação:[10]

Referências

  1. a b c d Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) (2022). «Acará, Cichlasoma sanctifranciscense». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2022: e.T186394A1812402. doi:10.2305/IUCN.UK.2022-1.RLTS.T186394A1812402.enAcessível livremente. Consultado em 11 de julho de 2025 
  2. «Cichlasoma sanctifranciscense Kullander, 1983». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 29 de maio de 2025 
  3. Froeser, R.; Pauly, D. «Cichlasoma sanctifranciscense Kullander, 1983». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 2 de julho de 2020 
  4. «Cichlasoma sanctifranciscense Kullander, 1983». FishBase. Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 23 de março de 2025 
  5. Grande Dicionário Houaiss, verbete acará
  6. Kullander, Sven O. (1983). «A revision of the South American cichlid genus Cichlasoma (Teleostei: Cichlidae)». Naturhistoriska Riksmuseet, Stockholm: I–IV + 1–296, Pls. 1–14 
  7. Reis, Roberto E.; Kullander, Sven O.; Ferraris Jr., Carl J. (2003). Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS. p. 624. ISBN 85-7430-361-5 
  8. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  9. «Cichlasoma sanctifranciscense Kullander, 1983». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 10 de junho de 2025 
  10. da Silva, André Teixeira; Zanata, Angela Maria; Silva, Augusto Luís Bentinho; Terra, Bianca de Freitas; Pavanelli, Carla Simone; da Silva Junior, Dário Ernesto; de Melo, Filipe Augusto Gonçalves; Ferreira, Frederico Fernandes; Deprá, Gabriel de Carvalho; Galvão, Giancarlo Arrais; Salvador, Gilberto Nepomuceno; Penido, Iago de Souza; Birindelli, Jose Luis Olivan; Gomes, João Pedro Corrêa; Silva, Leonardo Oliveira; Barros Neto, Luciano de Freitas; Soares Filho, Luisa Maria Sarmento; Tencatt, Luiz Fernando Caserta; da Silva, Luiz Fernando Duboc; Guedes de Brito, Marcelo Fulgêncio; Cardoso, Priscila Camelier de Assis; dos Reis, Roberto Esser; Lima, Sergio Maia Queiroz; Costa, Silvia Yasmin Lustosa; Ramos, Telton Pedro Anselmo; Volpi, Thais de Assis; Pessali, Tiago Casarim; Motta, Veronica de Barros Slobodian; Guimarães, Érick Cristófore (2023). «Cichlasoma sanctifranciscense Kullander, 1983». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.15307.2. Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025