Chuveiro elétrico

Criado no interior de São Paulo, com o tempo, o chuveiro elétrico foi aprimorado. Hoje, todos são automáticos. O aterramento, chaves e fiações dedicadas, dispositivos como o IDR (Proteção à Corrente Diferencial Residual) somados a já comprovada economia de água e ao aquecimento instantâneo, garantiram ao chuveiro elétrico paulista absoluta segurança e popularização em regiões da América Latina[1]

O chuveiro elétrico é uma invenção brasileira, de origem paulista, desenvolvida na cidade de Jaú, no interior do estado de São Paulo, em meados da década de 1930.[2][3] Criado por Francisco Canhos, visava adotar a energia elétrica como fonte principal de calor, uma vez que redes de gás eram praticamente inexistentes nas grandes cidades. Com a rápida urbanização assistida no Brasil desde então, esta solução foi sendo a principal adotada, embora convivesse com outras formas de aquecimento da água.[3][4]

De concepção bastante simples, o chuveiro elétrico era constituído de um elemento de aquecimento (resistor), chamado de "resistência" no Brasil; feito de um fio espiralado composto de metais com alto ponto de fusão, como o níquel, o cromo ou uma liga dos dois metais, que ao aquecer, esquenta imediatamente a água, além do espalhador com inúmeros orifícios, sempre parecido com os tradicionais chuveiros. Durante o período da Segunda Guerra Mundial, com a escassez de níquel, utilizou-se também um sistema alternativo, composto por uma série de pequenas placas de aço inoxidável alternadas entre os pólos da rede elétrica que atuavam como eletrodos de aquecimento no interior do chuveiro, onde a própria água que o abastecia gerava resistência elétrica, aquecendo-se. Porém este sistema era instável, conforme o teor de minerais e cloro na água, podia levar ao curto-circuito bem como a grande quantidade de potência reativa gerada nos eletrodos prejudicava os medidores de energia e os transformadores.

História

Em meados dos anos de 1930, na cidade de Jaú (SP), Francisco Canhos, com menos de vinte anos à época, desenvolveu o primeiro chuveiro completamente automático, que se ligava automaticamente ao abrir o registro de água. Este sistema dotava o chuveiro elétrico de um diafragma de borracha, onde contatos e uma resistência eram fixados. Ao circular a água pelo aparelho, a pressão inflava o diafragma, aproximando os contatos da resistência aos contatos energizados situados em um cabeçote no aparelho, fechando o circuito elétrico. Este chuveiro também possuía duas resistências, sendo uma de baixa potência e outra de alta potência de aquecimento, de onde a combinação de funcionamento delas proporcionava várias temperaturas da água do banho. Este sistema é a base de praticamente todos os chuveiros elétricos desenvolvidos posteriormente até a atualidade. Outra empresa fabricante de materiais elétricos situada na cidade de São Paulo, a Lorenzetti, desenvolveu em 1955 um chuveiro com sistema dotado de um pistão interno que movia-se com a passagem da água pelo aparelho, fechando ou abrindo o circuito elétrico da resistência também através da passagem de água. A patente do chuveiro elétrico automático, no entanto, já não pertence à família de Canhos, a qual, por um descuido, deixou a patente vencer; anos depois, foi comprada pela Lorenzetti, que, assim como outras fabricantes, passou a produzir chuveiros automáticos inspirados no modelo desenvolvido por Canhos.[3]

Graças à extensa propaganda feita pelos fabricantes e os altos custos com canalizações de gás, o chuveiro elétrico passou a ser um eletrodoméstico muito popular no Brasil e é utilizado por quase toda a população. De seu projeto, derivaram outros aparelhos semelhantes, como aquecedores para pias e lavatórios e a "torneira elétrica", que basicamente consiste em um chuveiro elétrico dotado de um bico de saída d’água e registro de passagem.[carece de fontes?]

A popularização do plástico ao longo dos anos 60 e 70 também alcançou a fabricação de novos chuveiros mais seguros. Em 1970 a empresa Corona lançou o primeiro chuveiro inteiramente feito em plásticos como o polipropileno, nylon e baquelita, seguido por outros fabricantes nos anos seguintes. Esses chuveiros foram apelidados de "Super Ducha" e eram aparelhos de menor custo frente aos chuveiros metálicos, normalmente feitos de latão ou bronze com acabamento cromado. Além das cores e maior liberdade de criação no design, o plástico também proporcionou melhor isolamento elétrico em relação aos chuveiros metálicos, uma vez que raramente eram aterrados como recomendavam os fabricantes.[carece de fontes?]

A adoção de resistências blindadas, novas normas de aterramento e instalação elétrica no final dos anos 80 também contribuíram para que os chuveiros elétricos tornassem aparelhos mais seguros. Hoje é tão seguro utilizar um chuveiro quanto um secador de cabelos ou um liquidificador, desde que tomados os devidos cuidados que um aparelho elétrico qualquer exige.[carece de fontes?]

Referências

  1. silvana (1 de agosto de 2025). «Equipamento que muitos usam, mas poucos sabem que é invento brasileiro». Correio Braziliense - Aqui. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  2. «Conheça tecnologias e serviços que foram criados por brasileiros». TechTudo. Consultado em 25 de junho de 2022 
  3. a b c «Brasileiro inventou chuveiro elétrico nos anos 1930 para cuidar de pai doente». G1. 1 de julho de 2025. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  4. «O chuveiro elétrico foi criado por um brasileiro no século passado». Casa e Jardim. 24 de setembro de 2024. Consultado em 5 de outubro de 2025