Donzela-roxa

Donzela-roxa

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Perciformes
Família: Pomacentridae
Gênero: Chromis
Espécie: C. scotti
Nome binomial
Chromis scotti
(Emery, 1968)

A donzela-roxa[2] (nome científico: Chromis scotti) é um peixe marinho da família dos pomacentrídeos (Pomacentridae), associado a recifes tropicais do Atlântico Ocidental.

Etimologia

O nome do gênero Chromis deriva do grego khrómis (χρόμις), que faz referência a um peixe, talvez uma perca. O epíteto específico scotti é uma homenagem ao Dr. William Beverly ‘Bev’ Scott (1917–2014), curador de ictiologia e herpetologia do Museu Real de Ontário (1950–1974) e então cientista emérito.[3]

Taxonomia

A donzela-roxa foi classificado pela primeira vez em 1968 por Alan R. Emery. Faz parte da família dos pomacentrídeos (Pomacentridae).[4]

Descrição

O corpo da donzela-roxa é comprimido lateralmente e de formato oval. Possui um par de narinas e o osso soborbital apresenta borda lisa, sem entalhes, completamente recoberto por escamas. O pré-opérculo é liso ou apresenta finas serrilhas esporádicas. A boca é pequena, protuberante e terminal, com dentes dispostos em duas fileiras - os externos, de forma cônica, são maiores. Apresenta uma única nadadeira dorsal contínua com 13 espinhos e 11 a 12 raios moles; a nadadeira anal possui dois espinhos e 11 a 12 raios; a nadadeira peitoral contém de 17 a 19 raios. Na base superior e inferior da nadadeira caudal há de dois a três espinhos curtos projetados. A nadadeira caudal é profundamente bifurcada, com as extremidades arredondadas.[5]

O corpo é recoberto por escamas grandes e ásperas, incluindo grande parte da cabeça; as regiões basais das nadadeiras medianas também são escamadas. A linha lateral é incompleta, terminando abaixo da base da nadadeira dorsal, com 15 a 18 escamas. Os adultos apresentam coloração variável: marrom-acinzentada uniforme ou mais escura na metade superior da cabeça e do corpo, tornando-se esbranquiçada na parte inferior. Pequenas manchas azuis estão presentes na cabeça e, em quantidade variável, podem se estender da porção anterior do corpo até a base da cauda. As nadadeiras variam entre tons escuros e cinza-claro, podendo exibir tonalidade amarelada nas nadadeiras medianas. Os juvenis possuem coloração azul-arroxeada a azul-escura, tanto no corpo quanto nas nadadeiras. A espécie atinge até 10 cm de comprimento.[5]

Distribuição e habitat

A donzela-roxa habita a América do Norte (Estados Unidos (Flórida) e México), Caribe (Ilhas Virgens Americanas, Jamaica, Cuba, Bermudas, Porto Rico, Tobago e Baamas), América Central (Belize, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá) e América do Sul (Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil).[1] No Brasil, há registros no litoral do Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte.[6] Os registros das Bermudas são considerados de indivíduos migratórios. Habita recifes mais profundos (40 a 80 metros) e locais continentais.[1]

Ecologia

A donzela-roxa é ovípara, com formação de pares distintos durante a reprodução. Os ovos são demersais e aderem ao substrato, sendo posteriormente cuidados pelos machos, que os protegem e ventilam até a eclosão.[3] Alimenta-se de zooplâncton.[5]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica a donzela-roxa como uma espécie pouco preocupante (LC), pois está amplamente distribuído e abundante localmente, ocorrendo em recifes mais profundos. Não há grandes ameaças conhecidas e ocorre em diversas reservas marinhas em partes de sua área de distribuição. Tem valor secundário no aquarismo.[1] Em 2018, foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[7][8] No Brasil, ocorre na área de conservação do Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís.[6]

Referências

  1. a b c d Rocha, L.A.; Myers, R. (2015). «Purple Reeffish, Chromis scotti». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2015: e.T188469A1879814. doi:10.2305/IUCN.UK.2015-4.RLTS.T188469A1879814.enAcessível livremente. Consultado em 6 de julho de 2025 
  2. Freire, Kátia Meirelles Felizola; Filho, Alfredo Carvalho (2009). «Richness of common names of Brazilian reef fishes» (PDF). PANAMJAS: Pan-American Journal of Aquatic Sciencs. 4 (2): 96-145 
  3. a b «Chromis scotti Emery, 1968». FishBase. Consultado em 7 de julho de 2025. Cópia arquivada em 22 de maio de 2025 
  4. Froeser, R.; Pauly, D. «Chromis scotti Emery, 1968». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 6 de julho de 2025 
  5. a b c «Chromis scotti, Purple Reeffish, Purple Chromis». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 6 de julho de 2025. Cópia arquivada em 6 de julho de 2025 
  6. a b Macieira, Raphael Mariano; Di Dario, Fabio; Vianna, Marcelo; Mincarone, Michael Maia; Piresmarceniuk, Alexandre; Scalco, Allan Cesar Silva; Bauer, Arthur de Barros; Pimentel, Caio Ribeiro; Araujo, Ciro Colodetti Vilar de; Sampaio, Cláudio Luis Santos; Schneider, Fabiola; Rolim, Fernanda Andreoli; Silva, Francisco Marcante Santana da; Ferreira, Gabriel Costa Cardozo; Soares, Guilherme Scheidt de Souza; Reis Filho, José Amorim; Gasparini, João Luiz Rosetti; Vieira Sobrinho, João Paes; Cottens, Kelly Ferreira; Benevides, Larissa de Jesus; Mendes, Liana de Figueiredo; Sega, Luana Arruda; Melo, Marcelo Roberto Souto de; Costa, Marcus Rodrigues da; Loeb, Marina Vianna; Rotundo, Matheus Marcos; Freitas, Matheus Oliveira; Jankowsky, Mayra; Pastana, Murilo Nogueira de Lima; Leite Junior, Nilamon de Oliveira; Salge, Paula Guimarães; Pereira, Pedro Henrique Cipresso; Gonçalves, Rafael Kuster; Santos, Roberta Aguiar dos; Lessa, Rosangela Paula Teixeira; Rezende, Sergio de Magalhães; Santos, Sérgio Ricardo Brito; Mendes, Thiago Costa; Fiuza, Thiago Matheus Jantsch; Ferreira, Valdimere; Siqueira, Vinicius Scofield (2023). «Chromis scotti Emery, 1968». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.28685.2. Consultado em 26 de maio de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  7. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  8. «Chromis scotti Emery, 1968». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 6 de julho de 2025. Cópia arquivada em 6 de julho de 2025