Christy Brown
| Christy Brown | |
|---|---|
| Nascimento | 5 de junho de 1932 |
| Morte | 7 de setembro de 1981 (49 anos) East Pennard, Irlanda |
| Nacionalidade | irlandês |
| Ocupação | Escritor e pintor |
| Magnum opus | Meu Pé Esquerdo (1954) |
Christy Brown (Dublin, 5 de junho de 1932 – East Pennard, 7 de setembro de 1981) foi um pintor e escritor irlandês.[1]
Brown nasceu com uma severa paralisia cerebral, o que lhe permitia escrever ou digitar apenas com os dedos de um dos pés. Sua obra mais reconhecida é sua autobiografia, intitulada Meu Pé Esquerdo (1954). Posteriormente, o livro foi adaptado para o cinema em 1989, num filme homônimo vencedor do Oscar, estrelado por Daniel Day-Lewis no papel de Brown.[2]
Biografia
Brown nasceu em Dublin, em 1932, em uma família irlandesa da classe trabalhadora no Hospital Rotunda.[3] Seus pais eram Bridget Fagan (1901–1968) e Patrick Brown (1901-1955). Ele tinha vinte e um irmãos, nove dos quais morreram na infância. Ele nasceu com paralisia cerebral grave, de modo que era quase totalmente espástico nos membros. Embora aconselhados a interná-lo em um hospital, os pais de Brown estavam determinados a criá-lo em casa. Durante a adolescência de Brown, uma assistente social começou a visitá-lo regularmente, trazendo livros e materiais de pintura para Christy, pois ele havia demonstrado grande interesse pelas artes e literatura. Christy aprendeu a escrever e desenhar com a perna esquerda, o único membro sobre o qual tinha controle efetivo. Brown logo se tornou um artista respeitado. Embora Brown quase não tenha recebido educação formal durante sua juventude, ele frequentou a Escola-Clínica St. Brendan em Sandymount intermitentemente. Em St Brendan's, ele conheceu Robert Collis, um escritor. Collis descobriu que Brown também era um romancista nato e, mais tarde, usou suas próprias conexões para ajudar a publicar Meu Pé Esquerdo, um relato autobiográfico que vinha sendo gestado há tempos sobre a luta de Brown com a vida cotidiana em meio à vibrante cultura de Dublin.[4]
Quando Meu Pé Esquerdo se tornou um sucesso literário, uma das muitas pessoas que escreveram cartas para Brown foi a americana casada Beth Moore. Brown e Moore se tornaram correspondentes regulares e, em 1960, Brown passou férias na América do Norte e ficou na casa de Moore em Connecticut. Quando se reencontraram em 1965, começaram um caso. Brown viajou para Connecticut mais uma vez para terminar sua obra-prima, que vinha desenvolvendo há anos. Ele finalmente a concluiu em 1967 com a ajuda de Moore, que introduziu e administrou um regime de trabalho rigoroso, principalmente negando-lhe álcool (do qual Brown era dependente) até que o trabalho do dia fosse concluído.[5] O livro, intitulado Down All the Days, foi publicado em 1970 e continha uma dedicatória para Moore que dizia:
| “ | Para Beth, que com tanta gentileza e ferocidade, finalmente me incentivou a terminar este livro... | ” |
Durante esse período, a fama de Brown continuou a se espalhar internacionalmente e ele se tornou uma celebridade proeminente. Ao retornar à Irlanda, ele pôde usar os lucros das vendas de seus livros para projetar e se mudar para uma casa especialmente construída nos arredores de Dublin com a família de sua irmã. Embora Brown e Moore tivessem planejado se casar e morar juntos na nova casa, e embora Moore tivesse informado seu marido sobre esses planos, foi nessa época que Brown começou um caso com a inglesa Mary Carr, a quem conheceu em uma festa em Londres.[2]
Brown então terminou seu caso com Moore e se casou com Carr no Cartório de Registro Civil de Dublin, em 1972. Eles se mudaram para Stoney Lane, Rathcoole, Condado de Dublin (atualmente o local do Lar de Idosos Lisheen), para Ballyheigue, Condado de Kerry e depois para Somerset. Ele continuou a pintar, escrever romances, poesia e peças de teatro. Seu romance de 1974, A Shadow on Summer, foi baseado em seu relacionamento com Moore, a quem ele ainda considerava uma amiga.[2]
Últimos anos e morte
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A saúde de Brown deteriorou-se após se casar com Carr. Ele tornou-se praticamente um recluso em seus últimos anos, o que se acredita ser resultado direto da influência de Carr e, talvez, de sua natureza abusiva. Brown morreu em 7 de setembro de 1981, aos 49 anos, após se engasgar durante o jantar. Ele foi sepultado no cemitério de Glasnevin, na Irlanda.[6]
Seu corpo apresentava hematomas significativos, o que levou muitos a acreditar que Carr o havia agredido fisicamente. Outras suspeitas surgiram após a biografia de Georgina Hambleton, The Life That Inspired My Left Foot, revelar uma versão supostamente mais precisa e problemática do relacionamento deles. O livro retrata Carr como uma alcoólatra abusiva e habitualmente infiel.[7][8]
No livro de Hambleton, ela cita o irmão de Brown, Sean, dizendo:
| “ | Christy a amava, mas não era recíproco porque ela não era esse tipo de pessoa. Se ela o amasse como dizia, não teria tido casos com homens e mulheres. Acho que ela se aproveitou dele de várias maneiras. | ” |
Legado cultural
A obra-prima de Brown, Down All the Days, foi um projeto ambicioso, em grande parte derivado de uma expansão lúdica de My Left Foot; tornou-se também um best-seller internacional, traduzido para 14 idiomas. O crítico do Irish Times, Bernard Share, afirmou que a obra era "o romance irlandês mais importante desde Ulysses". Assim como James Joyce, Brown empregou a técnica do fluxo de consciência e buscou documentar a cultura de Dublin por meio do humor, dialetos precisos e descrições de personagens complexas. Down All the Days foi seguido por uma série de outros romances, incluindo A Shadow on Summer (1972), Wild Grow the Lilies (1976) e A Promising Career (publicado postumamente em 1982). Ele também publicou três coletâneas de poesia: Come Softly to My Wake, Background Music e Of Snails and Skylarks. Todos os poemas estão incluídos em The Collected Poems of Christy Brown.[2]
Uma adaptação cinematográfica de Meu Pé Esquerdo, dirigida por Jim Sheridan, foi produzida em 1989 a partir de um roteiro de Shane Connaughton. Daniel Day-Lewis interpreta Christy Brown e Brenda Fricker interpreta sua mãe; ambos ganharam o Oscar por suas atuações. O filme também recebeu indicações ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.[2]
A banda de rock The Pogues homenageou Christy Brown com a música "Down All the Days". É a sétima faixa do álbum Peace and Love, lançado em 1989. Da mesma forma, o U2 lançou uma música intitulada "Down All the Days" na edição de 20º aniversário do álbum Achtung Baby. A banda The Men They Couldn't Hang também compôs uma música chamada "Down All the Days", que aparece no álbum Silver Town, também lançado em 1989.[9]
Referências
- ↑ «Christy Brown». Encyclopædia Britannica Online (em inglês). Consultado em 22 de novembro de 2019
- ↑ a b c d e «On This Day: Christy Brown of "My Left Foot" was born in Dublin» (em inglês). Irish Central. 5 de junho de 2024. Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Christy Brown - Irish writer» (em inglês). Encyclopedia Britannica. Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ Jordan (1998), p. 49.
- ↑ Jordan (1998), pp. 127–128.
- ↑ «Christy Brown». Find a Grave. Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ Asthana, Anushka (17 de novembro de 2007). «The dark side of a poet that Hollywood didn't show». Londres: The Guardian. Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ Peterkin, Tom (6 de novembro de 2007). «Christy Brown 'neglected by ex-prostitute wife'». The Daily Telegraph. Londres. Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Down All The Days». Song Facts. Consultado em 5 de dezembro de 2025
- Bibliografia
- Jordan, Anthony J. (1998). Christy Brown's Women: A Biography Drawing on His Letters. [S.l.]: Westport Books. ISBN 978-0-9524447-3-2