Chico Buarque de Hollanda (álbum)
| Chico Buarque de Hollanda | ||||
|---|---|---|---|---|
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| Álbum de estúdio de Chico Buarque | ||||
| Lançamento | 1966 | |||
| Gênero(s) | MPB samba Samba-canção Bossa nova Marcha-rancho (Marchinha)[1][2][3] | |||
| Duração | 27:08 | |||
| Idioma(s) | português | |||
| Formato(s) | LP (1966), CD (1995, 1997) | |||
| Gravadora(s) | RGE | |||
| Produção | Manuel Barenbeim | |||
| Cronologia de Chico Buarque | ||||
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Chico Buarque de Hollanda é o álbum de estreia do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque, lançado em 1966 pela gravadora Philips.[4] Marcando o início da carreira solo de um dos maiores nomes da música popular brasileira, o disco é considerado um marco na música brasileira, especialmente no gênero MPB (Música Popular Brasileira), por sua poesia refinada e crítica social sutil.[5]
Antecedentes
Antes do lançamento de seu álbum de estreia em 1966, Chico Buarque já era reconhecido no cenário musical brasileiro como um talentoso compositor e letrista. Nascido em 1944, no Rio de Janeiro, filho do renomado historiador Sérgio Buarque de Holanda, Chico teve contato com a cultura e a literatura desde cedo, o que influenciou profundamente sua produção artística.[6]
Nos anos 1960, o Brasil vivia uma efervescência cultural marcada pelo surgimento da bossa nova, que renovava a música popular brasileira com arranjos sofisticados e um novo estilo de interpretação.[7] Chico Buarque, influenciado por artistas como João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, começava a compor músicas que logo chamariam a atenção por sua poesia e crítica social.
Antes de lançar o disco, Chico já havia conquistado notoriedade ao compor letras para grandes nomes da música brasileira, como Nara Leão e Nélson Gonçalves.[8] Seu estilo único, que combinava a simplicidade da melodia com letras profundas e muitas vezes irônicas, preparava o terreno para seu trabalho como intérprete.
A transição para o papel de cantor solista veio acompanhada do desejo de expressar pessoalmente suas composições e mensagens. Assim, o lançamento do álbum "Chico Buarque de Hollanda" representou não apenas o início da sua carreira como intérprete, mas também a materialização de uma nova fase na MPB, que unia a poesia literária com a música popular.[9]
Contexto e produção
O álbum foi gravado em um momento em que a bossa nova e a música popular brasileira estavam em grande efervescência.[10] Chico Buarque, que até então era mais conhecido como letrista e compositor, inicia aqui sua trajetória como intérprete. A produção do disco ficou a cargo do maestro Sérgio Ricardo, que também regeu os arranjos.
A obra tem influência da bossa nova, samba e elementos da música erudita, com arranjos sofisticados que destacam a voz e a violão de Chico, além de corais e orquestrações discretas.[11] O disco traz letras carregadas de poesia, temas sociais e existenciais que marcaram o início da carreira do artista.
Lançamento
O álbum Chico Buarque de Hollanda foi lançado em 1966 pela gravadora Philips, em um momento decisivo para a música popular brasileira. O lançamento aconteceu em meio à ascensão da bossa nova e da MPB, gêneros que estavam conquistando o público nacional e internacional.[12]
O disco foi produzido por Sérgio Ricardo, maestro e arranjador renomado, que deu ao álbum uma sonoridade que combinava simplicidade e sofisticação, destacando a voz suave e a interpretação singular de Chico.[13]
A faixa "A Banda" foi lançada como single e rapidamente ganhou popularidade, chegando a vencer o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1966, o que alavancou a carreira do jovem artista e contribuiu para o sucesso do álbum.[14]
O lançamento do disco foi acompanhado por apresentações em programas de TV e rádios, fortalecendo a imagem de Chico Buarque como um novo talento da MPB.[15]
Recepção
| Críticas profissionais | |
|---|---|
| Pontuações agregadas | |
| Fonte | Avaliação |
| Album of the Year | 90/100[16] |
| Avaliações da crítica | |
| Fonte | Avaliação |
| All Music Guide | |
| Movimento | |
O álbum Chico Buarque de Hollanda foi muito bem recebido pela crítica especializada e pelo público desde seu lançamento em 1966. A combinação de letras poéticas, melodia sofisticada e interpretação delicada de Chico conquistou elogios, posicionando o artista como uma voz inovadora dentro da MPB.[19]
A música "A Banda" foi destaque e se tornou um grande sucesso, ganhando o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1966, o que impulsionou ainda mais a visibilidade do disco.[20] Críticos ressaltaram a habilidade de Chico em tratar temas sociais e existenciais com sutileza, utilizando uma linguagem literária e melódica que dialogava com diferentes públicos.[21]
Apesar do clima político tenso da época, com o início do regime militar no Brasil, o disco conseguiu alcançar grande popularidade sem abrir mão das mensagens sutis de crítica social que se tornariam marca registrada do artista.[22] Com o tempo, o álbum consolidou-se como um clássico da MPB, sendo estudado e celebrado como um importante marco na música brasileira.[23]
Prêmio
| Ano | Premiação | Categoria | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|---|
| 1966 | Festival de Música Popular Brasileira | Música Popular Brasileira | Venceu | [24] |
Faixas
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
|---|---|---|---|---|
| 1. | "A Banda" | Chico Buarque | 2:11 | |
| 2. | "Tem Mais Samba" | Chico Buarque | 1:45 | |
| 3. | "A Rita" | Chico Buarque | 2:01 | |
| 4. | "Ela e Sua Janela" | Chico Buarque | 2:10 | |
| 5. | "Madalena Foi pro Mar" | Chico Buarque | 1:41 | |
| 6. | "Pedro Pedreiro" | Chico Buarque | 2:36 |
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
|---|---|---|---|---|
| 1. | "Amanhã, Ninguém Sabe" | Chico Buarque | 2:08 | |
| 2. | "Você Não Ouviu" | Chico Buarque | 2:43 | |
| 3. | "Juca" | Chico Buarque | 1:50 | |
| 4. | "Olê, Olá" | Chico Buarque | 3:06 | |
| 5. | "Meu Refrão" | Chico Buarque | 2:43 | |
| 6. | "Sonho de um Carnaval" | Chico Buarque | 2:14 |
Legado
O álbum Chico Buarque de Hollanda é considerado um marco na música popular brasileira. Lançado quando o cantor tinha apenas 22 anos, o disco revelou Chico Buarque como um dos mais promissores compositores e letristas da nova geração da MPB.[25]
A obra é frequentemente lembrada por inaugurar o estilo lírico, socialmente engajado e esteticamente sofisticado que caracterizaria a carreira do artista. Canções como "Pedro Pedreiro", "A Banda" e "Tem Mais Samba" tornaram-se clássicos e continuam sendo regravadas por diversos intérpretes ao longo das décadas.[26]
Além disso, o disco foi responsável por abrir as portas para uma nova fase da MPB, marcada pela combinação de música popular com poesia refinada e crítica social, ajudando a estabelecer uma ponte entre a tradição sambista e a linguagem moderna da bossa nova e do teatro de revista.[27]
Em retrospectiva, críticos e pesquisadores o consideram um dos álbuns de estreia mais impactantes da música brasileira, por apresentar um artista com linguagem própria, já plenamente desenvolvido em termos de estilo e conteúdo.[28]
Meme de internet
A partir de aproximadamente 2013, a capa do álbum, que apresenta Chico Buarque com expressões contrastantes — sorridente à esquerda e sério ou melancólico à direita — passou a ser amplamente utilizada como meme na internet. A imagem ganhou popularidade tanto no Brasil quanto no exterior, sendo empregada de forma humorística em redes sociais e publicações digitais, inclusive por artistas internacionais como a dupla Cheech & Chong.[29]
O próprio Chico Buarque demonstrou bom humor com a viralização da imagem, utilizando a estética do meme ao criar seu perfil oficial no Instagram em julho de 2017.[30]
Apesar da popularização espontânea, o artista não autoriza o uso comercial da imagem. Em 2015, chegou a mover uma ação judicial contra um shopping center em Teresina, que utilizou a foto de forma promocional em sua página oficial, sem autorização.[31]
Ver também
Referências
- ↑ Ricardo Romano (15 de novembro de 2021). «Chico Buarque – Chico Buarque de Hollanda (1966)». Altamont. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Sylvio Túlio Cardoso (10 de maio de 2019). «Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque». Movimento Revista. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Juarez Fonseca (10 de junho de 2024). «Vale a pena ouvir ou reouvir os três primeiros discos de Chico Buarque». GaúchaZH. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Discogs. «Chico Buarque de Hollanda - Chico Buarque (1966)». Discogs
- ↑ Letra Mús. «Perfil de Chico Buarque». Letra Mús. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Encyclopaedia Britannica. «Chico Buarque - Biography». Britannica. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ MPB.com.br. «História da Bossa Nova». MPB.com.br. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Fernanda Caldas. «Biografia de Chico Buarque». Fernanda Caldas. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Revista Música (20 de julho de 2018). «Chico Buarque e a revolução na MPB». Revista Música. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Rolling Stone Brasil (10 de março de 2020). «Entrevista: Chico Buarque fala sobre seu álbum de estreia». Rolling Stone Brasil. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ MPBNet. «Biografia de Chico Buarque». MPBNet. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Discogs. «Chico Buarque de HollandaTexto em itálico - Chico Buarque (1966)». Discogs
- ↑ MPBNet. «Biografia de Chico Buarque». MPBNet. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Folha de S.Paulo (15 de junho de 1966). «Crítica do álbum Chico Buarque de Hollanda». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ TV Cultura (1966). «Apresentação de Chico Buarque na TV em 1966». YouTube. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ «Chico Buarque de Hollanda - Chico Buarque de Hollanda». albumoftheyear. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ «Chico Buarque de Hollanda, Vol. 1 - Chico Buarque». AllMusic. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Sylvio Túlio Cardoso (10 de maio de 2019). «Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque». Movimento Revista. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Folha de S.Paulo (15 de junho de 1966). «Crítica do álbum Chico Buarque de Hollanda». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ TV Record (1966). «A Banda - Festival de Música Popular Brasileira 1966». YouTube. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Rolling Stone Brasil (10 de março de 2020). «Análise crítica do álbum de estreia de Chico Buarque». Rolling Stone Brasil. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Memorial da Democracia. «Chico Buarque e a resistência cultural na ditadura». Memorial da Democracia. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Letra Mús. «Perfil e legado de Chico Buarque». Letra Mús. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Folha de S.Paulo (15 de junho de 1966). «Chico Buarque vence o Festival de Música Popular Brasileira com "A Banda"». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Sylvio Túlio Cardoso (10 de maio de 2019). «Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque». Movimento Revista. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Ricardo Romano (15 de novembro de 2021). «Chico Buarque – Chico Buarque de Hollanda (1966)». Altamont. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Juarez Fonseca (10 de junho de 2024). «Vale a pena ouvir ou reouvir os três primeiros discos de Chico Buarque». GaúchaZH. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Usuários do site. «User Reviews: Chico Buarque de Hollanda». Album of The Year. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Redação (16 de abril de 2015). «Capa do disco de Chico Buarque vira meme até com Cheech & Chong». Rolling Stone Brasil. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Redação (31 de julho de 2017). «Chico Buarque faz estreia no Instagram com meme da capa de disco». O Globo. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ G1 Piauí (18 de maio de 2015). «Chico Buarque processa shopping por uso de imagem em publicidade». G1. Consultado em 25 de maio de 2025


