Chega de Saudade (filme)

Chega de Saudade
Chega de Saudade (filme)
Pôster oficial do filme.
 Brasil
2008 •  cor •  92 min 
Gênero drama
Direção Laís Bodanzky
Produção
  • Laís Bodanzky
  • Luis Bolognesi
  • Caio Gullane
  • Fabiano Gullane
  • Débora Ivanov
Coprodução Daniel Filho
Produção executiva Renata Galvão
Roteiro Luiz Bolognesi
Elenco
Música Eduardo Bid
Cinematografia Walter Carvalho
Direção de arte Marcos Pedroso
Figurino André Simonetti
Edição Paulo Sacramento
Companhias produtoras Gullane
Buriti Filmes
ARTE
Distribuição Buriti Filmes
Lançamento 21 de março de 2008[1]
Idioma português
Receita R$ 1.591.603,00

Chega de Saudade é um filme de drama brasileiro de 2008, dirigido por Laís Bodanzky e estrelado por Tônia Carrero, Leonardo Villar, Stepan Nercessian, Betty Faria, Cássia Kiss, Paulo Vilhena e Maria Flor nos papéis de frequentadores de um clube de dança.[2] O roteiro de Luiz Bolognesi foi inspirado em uma visita do próprio com a diretora a um clube de dança.[3] O filme foi distribuído nos mercados internacionais como The Ballroom.[4][5] A trama se passa em uma única noite e retrata um ambiente repleto de lembranças do passado, com personagens vivendo diferentes dilemas pessoais enquanto andam pelo salão.[6]

Sua estreia no Festival de Brasília ocorreu em 25 de novembro de 2007, tendo sido aplaudido pelo público, que dançou no final da sessão, e rendendo aclamação à direção de Laís Bodanzky e o roteiro de Luiz Bolognesi.[7] O filme recebeu o Troféu Candango de melhor longa-metragem pelo público do festival.[7] Posteriormente, foi selecionado para outros festivais de cinema nacionais e internacionais. O filme também recebeu elogios da crítica especializada, sendo considerado uma obra "inteligente, com roteiro pensado e estruturado, personagens muito bem construídos, uma direção original e criativa"[8], além de ter sido aclamado pela trilha sonora, cantada por Elza Soares.[9]

Chega de Saudade foi lançado oficialmente nos cinemas brasileiros em 21 de março de 2008 pela Buriti Filmes.[10] Tornou-se um dos filmes mais comentados da temporada.[8] Nos Prêmios Grande Otelo de 2009, o filme conquistou onze indicações em variadas categorias, saindo-se vencedor na categoria de Melhor Figurino.[11] Aos Prêmios Guarani de 2009, a obra angariou treze indicações, incluindo de Melhor Filme, e foi o elegido nas categorias de Melhor Som e Melhor Trilha Sonora.[12] Ao Prêmio Qualidade Brasil de 2009, o filme recebeu quatro indicações — Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator para Leonardo Villar e Melhor Atriz para Betty Faria.[13]

Um livro foi publicado com o roteiro do longa, que integra a coleção "Aplausos Cinema Brasil", e foi publicado pela editora Imprensa Oficial.[14]

Enredo

A história se passa ao longo de uma única noite de baile em um clube de dança paulistano, iniciando na preparação do salão ao entardecer e encerrando-se quando o último frequentador vai embora. Dentro desse ambiente marcado por lembranças nas paredes, acompanhamos diferentes personagens que transitam pela pista com seus dilemas pessoais.

Bel (Maria Flor), que acompanha o namorado DJ, Marquinhos (Paulo Vilhena), acaba fascinada pelo clima do baile, e especialmente por um frequentador (Stepan Nercessian), o que provoca tensão com a companheira dele, Marici (Cássia Kiss). Paralelamente, Álvaro (Leonardo Villar), frustrado por não poder dançar devido ao pé quebrado, desconta seu mau humor em Alice (Tônia Carrero). Também aparece a carente Elza (Betty Faria), cheia de desejos e frustrações, entre outros personagens que compõem esse universo. No palco, os crooners Ana (Elza Soares) e Wanderley (Marku Ribas) embalam a noite com a música.[15]

Elenco

Produção

O filme marca a volta de Tônia Carrero ao cinema após 17 anos.

Chega de Saudade é o segundo longa-metragem da cineasta Laís Bodanzky, sendo o elogiado Bicho de Sete Cabeças (2001) o primeiro. Uma visita a um baile no Clube Piratininga, em São Paulo, entre 1995 e 1996, ao lado de seu então namorado Luiz Bolognesi (roteirista do filme), inspirou a criação do seu segundo filme.[16] Bolognesi disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que quando se conheceram, Bodanzky tinha o desejo de produzir um filme sobre um motorista de uma kombi que frequentava bailes. No entanto, as situações ocorridas na noite do Clube Piratininga, fizeram com que o cenário do salão de festas se tornasse o principal. Após essas idealizações iniciais, o projeto ficou parado por alguns anos.[16]

Em 2004, o casal voltou a trabalhar na concepção do filme. A ambientação do enredo passou para uma única noite dentro de um salão de baile em São Paulo.[16] O filme foi concebido com o título União Fraterna.[2] O processo de criação do filme envolveu dois anos de pesquisa de Bodanzky sobre salões de baile, que têm como público alvo idosos.[17] A extinta casa Panelinha Baiana também serviu de referência para o clima do filme, segundo Luiz. Os jovens personagens de Chega de Saudade, interpretados por Paulo Vilhena e Maria Flor, não se baseiam na experiência do casal de realizadores. Inicialmente, o rapaz seria ajudante de motorista, depois músico, até se tornar técnico de som; a moça, que seria uma estudante de jornalismo para trazer um olhar externo ao baile, acabou como sua namorada.[16] Entre as inspirações citadas por Laís e Luiz, estão O Jantar, Short Cuts, O Gosto dos Outros, O Gato Sumiu e Cinema, Aspirinas e Urubus, obras unidas por “pequenos acontecimentos com consequências profundas”.[16]

Filmagens

O orçamento de Chega de Saudade foi de R$ 4,6 milhões.[2] As gravações do filme ocorreram em São Paulo.[2] Bodanzky conta que, no processo de filmagem, revisitou suas anotações realizadas na sua primeira visita ao baile, quando ainda estava na faculdade, e percebeu que estava filmando suas primeiras impressões: "O filme é a minha primeira lembrança do salão, que não mudou".[16] O processo de gravação do filme contou com a ajuda do produtor musical BiD, que é pesquisador da música brasileira. Sérgio Penna trabalhou na preparação dos atores e o bailarino J.C. Violla realizou a coreografia do filme.[18] O filme marca o retorno de Tônia Carrero ao cinema após 17 anos.[19]

Trilha sonora

Chega de Saudade
Trilha sonora de diversos
Lançamento2008
Gênero(s)Vários
Gravadora(s)Universal Music Group

O filme se destaca não apenas pelo roteiro, pela fotografia e pelas atuações, mas também pela rica trilha sonora de diferentes ritmos samba, forró, bossa nova e pop.[20] Toda trilha é interpretada por Elza Soares e Marku Ribas, com participação da Banda Luar de Prata.[20] A trilha sonora foi lançada em CD no ano de 2008, pela Universal Music Group.[21][22]

A seguir, as músicas presentes na obra cinematográfica:[23]

Lançamento

A primeira exibição oficial do filme foi durante o 40° Festival de Brasília, no Cine Brasília, participando da mostra principal de longas-metragens.[24] O lançamento oficial nos cinemas brasileiros ocorrera em 21 de março de 2008.[10] O filme ainda percorreu alguns festivais de cinema internacionais. Em novembro de 2008, recebeu o prêmio de melhor filme no 14° Festival Internacional de Cinema de Genebra, na Suíça.[25] Em 27 de fevereiro de 2009, foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Cartagena, na Colômbia.[26] Em março de 2009, foi selecionado para o 31º Festival Films des Femmes em Creteil, na França, onde recebeu o prêmio especial do júri.[27]

Recepção

Bilheteria

De acordo com dados publicados pela Ancine, Chega de Saudade chegou a 31 salas de cinema no Brasil em seu lançamento comercial. O filme registrou uma bilheteria de 205.893 pessoas, o que resultou em uma arrecadação de R$ 1.591.603,00.[28]

Crítica

Em sua estreia no Festival de Brasília, em novembro de 2007, o filme foi amplamente bem recebido pela crítica e pelo público. O filme saiu-se vencedor do prêmios de melhor direção e melhor roteiro, além de sido eleito o melhor filme pelo júri popular. Ao final da sessão, no Cine Brasília, foi ovacionado de pé, com vários convidados dançando animadamente ao final da sessão.[29] Após seu lançamento comercial, o filme seguiu com aprovação dos críticos de cinema, chegando a ser considerado um dos melhores filmes nacionais do ano.[17]

Érico Borgo, do portal Omelete, fez crítica bastante elogiosa ao filme e ao diretor de fotografia Walter Carvalho. Sobre o filme anotou que: "A cineasta não decepciona em seu segundo trabalho e entrega um dos melhores filmes nacionais recentes".[30] Luiz Zanin Oricchio, para o O Estado de S. Paulo, elogiou as escolhas da direção de Laís e fez crítica positiva a música: "Chega de Saudade é um filme coral [...] Como não poderia deixar de ser, Chega de Saudade é um filme embalado pela música".[9] Ronaldo Pelli, do G1, elogiou o filme, a escolha do elenco e comentou que: "Apoiado em inúmeras tramas que se sucedem, o longa-metragem de Laís Bodanzky - seu anterior foi o aclamado “Bicho de Sete Cabeças” – poderia ser cansativo. Mas não é. Do início ao fim, acompanhamos a evolução de uma festa onde as pessoas, dos mais diferentes tipos, dançam, jogam papo fora e se divertem. E é exatamente na diversidade de pessoas que está a graça da história".[31]

Robledo Milani, para o site Papo de Cinema, iniciou sua crítica com elogios: "Uma das produções nacionais mais comentadas da recente temporada justifica todo elogio recebido: Chega de Saudade, de Laís Bodanzky, é realmente uma delícia. Filme inteligente, com roteiro pensado e estruturado, personagens muito bem construídos, uma direção original e criativa, um elenco afinado e uma trilha sonora tão pesquisada e inteligente que acaba se tornando um elemento crucial do sucesso da empreitada. E como é bom assistir a um filme em que simplesmente tudo funciona à perfeição!".[8]

Internacionalmente, o filme também ganhou repercussão na crítica de cinema. David Parkinson, do The Guardian, chamou-o de “um trabalho peculiar de elenco” e elogiou-o por ser “soberbamente coreografado”.[32] Allan Hunter, do Daily Express, classificou-o como “agridoce” e deu-lhe uma nota 3 de 5, dizendo: “Se Robert Altman alguma vez tivesse feito um filme sobre um salão de dança à moda antiga, poderia ter se parecido com The Ballroom (título internacional do filme).[33] Escrevendo para o Evening Standard, Derek Malcom elogiou-o ao afirmar: “Se o filme nem sempre convence, tem alguns momentos maravilhosos. A simpatia de Bodanzky por seus personagens é evidente e a música é tão atraente quanto a série de histórias que nos são contadas sobre eles".[34] Por outro lado, David Jenkins, da Time Out, deu uma crítica mais negativa, afirmando que “este filme que quer parecer sensual nunca consegue gerar qualquer calor dramático porque se dispersa demais pelo seu elenco numeroso e banal”.[35]

Prêmios e indicações

A positiva recepção crítica de Chega de Saudade também mostrou-se nas premiações da obra, que recebeu inúmeros prêmios em festivais de cinema nacionais e internacionais. Após seu lançamento, recebeu inúmeras indicações da Academia Brasileira de Cinema ao Prêmio Grande Otelo, sendo 11 ao total, saindo-se vencedor como Melhor Figurino para André Simonetti. No Festival Internacional de Cinema de Cartagena, na Colômbia, o desempenho das atrizes chamou atenção do júri, que concedeu o prêmio coletivo de Melhor Atriz Coadjuvante para as atrizes Betty Faria, Cássia Kis, Clarisse Abujamra, Conceição Senna, Maria Flor, Marly Marley, Miriam Mehler, Selma Egrei e Tônia Carrero.[27] Na 14ª edição do Prêmio Guarani, organizada pela crítica brasileira, o filme recebeu 13 indicações, incluindo de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante para Cássia Kis e Stepan Nercessian.[12] A obra ainda recebeu indicações de Melhor Filme aos Prêmios ACIE e Prêmios Qualidade Brasil.[36]

Referências

  1. «Crítica: 'Chega de saudade' é um baile para todas as idades». G1. 20 de março de 2008. Consultado em 26 de março de 2016 
  2. a b c d AdoroCinema, Chega de Saudade, consultado em 28 de julho de 2020 
  3. Bolognesi, Luiz; Bodanzky, Laís (2008). Chega de saudade. [S.l.]: Imprensa Oficial 
  4. Cajueiro, Marcelo (16 de maio de 2008). «Brazilian helmers on the horizon». Variety (em inglês). Consultado em 25 de novembro de 2025 
  5. Jenkins, David. «The Ballroom». Time Out Worldwide (em inglês). Consultado em 25 de novembro de 2025 
  6. «The Ballroom has some wonderful moments». The Standard (em inglês). 10 de abril de 2012. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  7. a b «'Chega de Saudade' empolga júri popular no Festival de Brasília». Estadão. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  8. a b c «Chega de Saudade - Papo de Cinema». Consultado em 25 de novembro de 2025 
  9. a b Zanin, Luiz (27 de novembro de 2007). «Chega de Saudade». O Estado de São Paulo. Consultado em 28 de julho de 2020 
  10. a b «Chega de Saudade». gshow. 21 de março de 2008. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  11. «Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro divulga indicados da edição 2009». Extra Online. 11 de março de 2009. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  12. a b «14º Prêmio Guarani :: Premiados de 2008 - Papo de Cinema». Consultado em 25 de novembro de 2025 
  13. B, CADERNO (2 de março de 2024). «Betty Faria - 80 anos». Jornal do Brasil. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  14. «Buriti Filmes - Chega de Saudade». Buriti Filmes. Consultado em 28 de julho de 2020 
  15. Borgo, Érico (20 de março de 2008). «Chega de Saudade». Omelete. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  16. a b c d e f «Folha de S.Paulo - Visita de diretora a baile inspirou filme - 20/03/2008». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  17. a b «A melancolia do envelhecer (Chega de Saudade, 2007)». ACCIRS. 23 de março de 2014. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  18. «"Chega de Saudade" destaca nostalgia de bailes antigos». www.gazetadopovo.com.br. 7 de agosto de 2008. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  19. Borgo, Érico (20 de março de 2008). «Chega de Saudade». Omelete. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  20. a b «Rádio: trilha de 'Chega de Saudade' traz samba, forró, bossa nova e mais». Globo Filmes. 10 de janeiro de 2014. Consultado em 28 de julho de 2020 
  21. «Folha de S.Paulo - Trilha de "Chega de Saudade" sai antes do filme - 04/02/2008». Folha de SP. 4 de fevereiro de 2008. Consultado em 28 de julho de 2020 
  22. «Various - Chega de Saudade». Discogs. Consultado em 28 de julho de 2020 
  23. «Chega de Saudade (2007) Trilha sonora». RingosTrack (em inglês). Consultado em 28 de julho de 2020 
  24. «40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2007)». www.metropoles.com. 11 de agosto de 2017. Consultado em 27 de novembro de 2025 
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  27. a b redacaoterra. «'Chega de Saudade' ganha prêmio nos festivais de Creteil e Cartagena». Terra. Consultado em 27 de novembro de 2025 
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  29. «"Chega de Saudade" destaca nostalgia de bailes antigos». www.gazetadopovo.com.br. 7 de agosto de 2008. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  30. Borgo, Érico (20 de março de 2008). «Chega de Saudade». Omelete. Consultado em 28 de julho de 2020 
  31. Pelli, Ronaldo (20 de março de 2008). «G1 > Cinema - NOTÍCIAS - Crítica: 'Chega de saudade' é um baile para todas as idades». G1. Consultado em 28 de julho de 2020 
  32. Parkinson, David (21 de dezembro de 2009). «The top 10 films of 2009 you probably won't have seen». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  33. Hunter, Allan (2 de julho de 2010). «The Ballroom: Film review». Express.co.uk (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  34. «The Ballroom has some wonderful moments». The Standard (em inglês). 10 de abril de 2012. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  35. Jenkins, David. «The Ballroom». Time Out Worldwide (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  36. «Prêmio ACIE de Cinema». www.premioaciedecinema.com.br. Consultado em 26 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2024 

Ligações externas