Chave (biologia)

 Nota: Para outros significados de Chave, veja Chave (desambiguação).
chave dicotômica em língua francesa, com sete passos, para o gênero botânico Nostoch
Chave de identificação publicada em Flore Françoise, de Jean-Baptiste Lamarck, 1778

Em biologia, uma chave de identificação consiste em uma ferramenta ( impressa ou acessada a partir de plataformas digitais) que auxilia na identificação de taxa pertencentes a um grupo de organismos, geralmente numa determinada região geográfica ou ecológica. Tradicionalmente as chaves mais utilizadas para a identificação dos organismos são as chamadas chaves dicotômicas, porém outros tipos de chaves (de múltiplas entradas e pictóricas) são utilizadas com menor frequência.

História

As origens conceituais das chaves de identificação podem ser traçadas até a Antiguidade. Na Grécia Antiga, Teofrasto categorizou organismos em "subdivisões" baseando-se em características dicotômicas.[1]

No século XVII, o herbalista chinês Pao Shan, no tratado Yeh-ts'ai Po-Iu, incluiu uma categorização sistemática de plantas baseada em suas características aparentes especificamente com o propósito de identificá-las. Também no século XVII, naturalistas ocidentais como John Ray, Rivinius e Nehemiah Grew publicaram exemplos de tabelas estruturadas para identificação. Entretanto, estes exemplos não representam chaves de identificação no sentido moderno estrito de uma ferramenta analítica para identificar um espécime, uma vez que eles frequentemente não levam a uma única conclusão, funcionando mais como sinopses de esquemas de classificação.[1]

A primeira chave de identificação analítica no senso moderno é creditada a Jean-Baptiste Lamarck, que incluiu várias delas em seu livro Flore Françoise, de 1778.[2] As chaves de Lamarck seguem basicamente a mesma construção das modernas chaves dicotômicas.[1]

Usos

De um modo geral, uma chave de identificação oferece uma série de escolhas, representando características mutuamente exclusivas. Analisando o espécime e feita a escolha que melhor se adequa em cada passo, a chave leva o usuário a um novo passo, com novas características, e assim sucessivamente até se concluir com a determinação da identidade do espécime analisado.

Chaves de identificação são utilizadas principalmente na Taxonomia para identificar o táxon, como gênero ou espécie, de um espécime, dentro de um conjunto de táxons conhecidos. Elas são comumente empregadas na Microbiologia, Botânica e Entomologia, uma vez que os grupos de táxons relacionados nestas áreas tendem a ser muito grandes.[3] Entretanto, também têm sido empregadas para identificar não-organismos, como ninhos de aves, e em áreas além da Biologia, como a Geologia.[1]

Tipos de chave

As chaves de identificação podem ser divididas em dois tipos, a depender do número de entradas.

Chaves dicotômicas

Nas chaves dicotômicas (também denominadas de chaves de acesso único ou única entrada), uma sequência fixa de alternativas deve ser seguida, onde várias etapas (que incluem um ou mais caracteres) apresentam duas opções contrastantes (estados de caracteres).[4] Com isso, apenas uma única série de escolhas resulta em uma identificação correta. Logo, para cada táxon existe uma sequência de passos específica.[5]

Chaves de múltiplas entradas

Nas chaves de identificação de múltiplas entradas (ou múltiplo acesso) a sequência de alternativas não é fixa, sendo escolhida pelo próprio usuário, que pode escolher os caracteres a partir de uma lista de opções que estejam disponíveis na chave.[6] Um exemplo desses tipos de chaves são as chaves interativas, que são chaves informatizadas, normalmente disponíveis em plataformas online.[7]

Referências

  1. a b c d Voss, Edward G. (1 de março de 1952). «The history of keys and phylogenetic trees in systematic biology». Journal of the Scientific Laboratories of Dennison University (43): 1-25. ISSN 1063-5157. doi:10.1093/sysbio/1.1.39 
  2. Lamarck, Jean-Baptiste-Pierre-Antoine de Monet de (1778). Flore françoise, ou, Description succincte de toutes les plantes qui croissent naturellement en France : disposée selon une nouvelle méthode d'analyse, & à laquelle on a joint la citation de leurs vertus les moins équivoques en médecine, & de leur utilité dans les arts. Paris: l'Imprimerie Royale 
  3. Winston, Judith E. (1999). Describing species: practical taxonomic procedure for biologists. New York, NY: Columbia Univ. Press 
  4. Walter, David Evans; Winterton, Shaun (2007). «Keys and the crisis in taxonomy: extinction or reinvention?». Annual Review of Entomology. 52: 193–208. ISSN 0066-4170. PMID 16913830. doi:10.1146/annurev.ento.51.110104.151054 
  5. Attigala, Lakshmi; De Silva, Nuwan I.; Clark, Lynn G. (20 de abril de 2016). «Simple Web-based interactive key development software (WEBiKEY) and an example key for Kuruna (Poaceae: Bambusoideae)1». Applications in Plant Sciences. 4 (4). ISSN 2168-0450. PMC 4850057Acessível livremente. PMID 27144109. doi:10.3732/apps.1500128 
  6. «Principles of interactive keys» (PDF). 8 de novembro de 2018. Consultado em 28 de julho de 2019  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  7. «Interactive identification using the Internet». www.delta-intkey.com. Consultado em 28 de julho de 2019