Charles Gallo

Charles Gallo
Nascimento7 de fevereiro de 1859
Le Palais
Morte23 de setembro de 1923 (64 anos)
Penal colony of New Caledonia
Ocupaçãoanarquista, professor do ensino secundário, empregado
Ideologia políticaanarquismo
Reconstituição de jornal da época, da bolsa de valores de Paris, após o atentado do anarquista Charles Gallo.

Charles Gallo (Palais, 7 de Fevereiro de 1859 - Nova Caledônia, 1902(?)) foi um anarquista ilegalista nascido na Inglaterra que ganhou notoriedade ao realizar um atentado contra a bolsa de valores de Paris em 5 de Março de 1886.

Infância e juventude

Charles Gallo nunca conheceu sua mãe, foi abandonado com poucos anos de idade e criado por uma família que o acolheu. Inteligente e estudioso se forma rapidamente tornando-se professor, e depois consegue um emprego de auxiliar de advogado. Em 1879 é preso pela fabricação de dinheiro falso, sendo condenado a cinco anos de detenção. Na prisão tem contato com a propaganda anarquista e logo depois de ser solto decide cometer um atentado.[1]

O atentado

Muda-se para Paris e lá consegue um revólver e um amigo lhe ajuda a conseguir 200 gramas de ácido prússico. No dia 5 de Março de 1886 pela tarde, Charles Gallo lança da galeria superior da bolsa de valores de Paris uma garrafa com ácido. No entanto o vidro não quebra exalando um odor nauseante que provoca pânico entre compradores, vendedores e acionistas. No meio da confusão Gallo sacou seu revólver e disparou três tiros a esmo sem acertar em ninguém.[1]

Detenção e julgamento

Detentos atravessam o forte penal San Martín na Ilha de Ré escoltados por soldados.

Uma vez detido, Charles Gallo é encaminhado para o presídio de Mazas, de onde vai escrever diversos artigos para o periódico anarquista Le Révolté. Em 26 de Junho de 1886 é julgado na Corte de Sena. Durante o processo mantém constantemente uma atitude insolente diante dos juízes, provocando uma série de incidentes que farão com que seu julgamento seja adiado. A pedido dos juízes é arrastado para fora da corte enquanto grita a plenos pulmões:

Viva a Revolução Social! Viva a anarquia! Morte aos juízes burgueses! Viva a dinamite! Seu bando de idiotas!

No dia 15 de Julho de 1886 comparece de novo a corte com a mesma atitude provocadora. Na ocasião declara não se arrepender de nada a não ser de não ter matado sequer uma pessoa com sua ação para servir de propaganda pelo ato para outros anarquistas. Acaba condenado a 20 anos de trabalhos forçados com base nas suas ações reincidentes.[1]

Prisão e desaparecimento

Ao fim do julgamento é levado a Avinhão e de lá para a Prisão Penal da Ilha de Ré, em 6 de Dezembro de 1886 é novamente transferido para a penitenciária da Nova Caledônia, uma colônia francesa nas Ilhas Melanésias onde vai desembarcar em 29 de Março de 1887. Em 10 de Setembro de 1887 vai agredir um guarda enfiando-lhe um copo de vidro quebrado no ventre. Em 30 de Dezembro daquele mesmo ano é condenado a morte, mas em 7 de Agosto de 1888 sua pena é comutada para trabalhos forçados perpétuos.[1]

Em 1902 Jean Grave lança um artigo no periódico Les Temps Nouveaux sobre a severa situação de cadáver vivente em que se encontra Charles Gallo. Depois disso não existem mais notícias sobre ele.[1]

Ver também

Referências

Bibliografia

  • Monumental Intolerance: Jean Baffier, a Nationalist Sculptor in Fin-de-siècle France, Por Neil McWilliam, Publicado por Penn State Press, 2000 - ISBN 0271019654, 9780271019659 - 326 páginas
  • Terrorism in context, Por Martha Crenshaw, Colaborador Martha Crenshaw, Publicado por Penn State Press, 1995 - ISBN 0271010150, 9780271010151 - 633 páginas