Chapim-de-dorso-castanho

Chapim-de-dorso-castanho
Ilustração do chapim-de-dorso-castanho por Louis Agassiz Fuertes
Ilustração do chapim-de-dorso-castanho por Louis Agassiz Fuertes
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Paridae
Gênero: Poecile
Espécie: P. rufescens
Nome binomial
Poecile rufescens
(Townsend, JK, 1837)
Distribuição geográfica
Área de distribuição de Poecile rufescens
Área de distribuição de Poecile rufescens
Sinónimos
Parus rufescens
A closeup of a chestnut-backed chickadee perched on a tree. The strong chestnut coloring on its back is visible.
Chapim-de-dorso-castanho.

O chapim-de-dorso-castanho (Poecile rufescens)[1] é uma pequena ave da ordem Passeriformes e da família Paridae, nativa do oeste da América do Norte.

Taxonomia

No início do século XX, Joseph Grinnell [en] sugeriu que o chapim-de-dorso-castanho divergiu do chapim-boreal (Poecile hudsonicus), pois ambas as espécies habitam ambientes semelhantes de florestas de coníferas. Grinnell observou que as principais diferenças entre o chapim-boreal e o chapim-de-dorso-castanho estão na tonalidade e intensidade de sua coloração marrom. Ele comparou as características dos chapins, destacando que algumas espécies de aves tornam-se menores e com coloração marrom mais vibrante em habitats mais úmidos.[2] Estudos modernos de filogenética molecular confirmaram que o chapim-de-dorso-castanho é grupo-irmão do chapim-boreal.[3][4][5] Pesquisas recentes sobre a distribuição populacional do chapim-de-dorso-castanho indicam que sua fragmentação genética em relação ao chapim-boreal ocorreu devido às mudanças nas paisagens glaciais da era do Pleistoceno.[6] Após essa divergência, o chapim-de-dorso-castanho migrou para o sul, ocupando a área descrita acima.

Subespécies

Existem três subespécies, com os flancos sendo mais acinzentados e menos ruivos conforme se avança para o sul:[7]

  • Poecile rufescens rufescens (Townsend, 1837). Subespécie nominal; do Alasca ao noroeste da Califórnia. Faixa ruiva ampla nos flancos.
  • Poecile rufescens neglectus (Ridgway, 1879). Litoral central da Califórnia (condado de Marin). Faixa ruiva estreita nos flancos.
  • Poecile rufescens barlowi (Grinnell, 1900). Litoral sudoeste da Califórnia (sul da baía de São Francisco). Quase sem coloração ruiva nos flancos.

Além dessas três subespécies, estudos sobre a distribuição geográfica do chapim-de-dorso-castanho sugerem que há quatro grupos "geneticamente distintos" na América do Norte. Além das populações do Alasca e da costa norte-americana, há populações distintas nas ilhas Queen Charlotte e na Colúmbia Britânica.[6] O chapim-de-dorso-castanho é a única espécie de chapim que habita as ilhas da Colúmbia Britânica.[6]

Distribuição e habitat

O chapim-de-dorso-castanho é encontrado no noroeste do Pacífico dos Estados Unidos e oeste do Canadá, do sudeste do Alasca ao sudoeste da Califórnia. Sua distribuição geográfica abrange as costas úmidas e nebulosas. É uma espécie residente permanente em sua área de distribuição, com alguns movimentos sazonais enquanto bandos de aves se deslocam curtas distâncias em busca de alimento. Geralmente, esses chapins descem para altitudes mais baixas no inverno e retornam a altitudes mais altas no final do verão. Seu habitat consiste em florestas de coníferas e florestas mistas de coníferas, compostas principalmente por Pseudotsuga menziesii, Tsuga heterophylla e Thuja plicata.[8] Esse ambiente proporciona bastante sombra e temperaturas constantemente frescas.[2] A abundância de Pseudotsuga menziesii pode ser um indicador da presença de populações de chapins-de-dorso-castanho na região.[6]

Descrição

O chapim-de-dorso-castanho é uma ave pequena, com 11,5 a 12,5 cm de comprimento e peso entre 8,5 e 12,6 g. A cabeça é marrom-escura, quase preta, com bochechas brancas; o dorso é de um marrom-ruivo brilhante, as penas das asas são cinza-escuras com bordas mais claras, e as partes inferiores variam de branco a cinza-branco pálido, com flancos ruivos ou cinza pálido. É frequentemente considerado o mais vibrante de todos os chapins.[9]

Os chapins utilizam a hipotermia noturna para regular o gasto de energia, permitindo-lhes sobreviver a invernos rigorosos, ao contrário de outras espécies que não utilizam regulação térmica. Estimativas sugerem que a hipotermia noturna pode conservar até 32% da energia.[10]

Dieta e forrageamento

Os chapins-de-dorso-castanho alimentam-se principalmente de insetos e outros invertebrados coletados da folhagem, especialmente de Pseudotsuga menziesii. Frequentemente, movem-se pela floresta em bandos mistos de alimentação, podendo ser vistos em grandes grupos com Psaltriparus minimus, parulídeos, trepadeiras-azuis-do-canadá e aves da família Regulidae. Também consomem sementes, especialmente de coníferas, e frutas. Visitam comedouros de aves, incluindo os de beija-flores, e apreciam particularmente sebo.[8]

Acasalamento e nidificação

Os chapins-de-dorso-castanho são monogâmicos e podem permanecer com o mesmo parceiro por anos.[8] São nidificadores em cavidades, preferindo buracos em tocos de árvores ou caixas de nidificação, geralmente utilizando cavidades abandonadas por pica-pau, mas às vezes escavando suas próprias. Durante a temporada de nidificação, a fêmea passa cerca de uma semana construindo o ninho sozinha, usando musgo e casca de árvore como base e uma camada de pelos por cima.[8] Os ninhos são compostos por cerca de 50% de pelos e peles, geralmente de cervos, coelhos e coiotes. Os adultos também criam uma camada de pelos com cerca de um centímetro de espessura para cobrir os ovos quando saem do ninho. A fêmea põe de 5 a 8 ovos (às vezes 9) por ninhada, depositando cerca de um ovo por manhã. As doninhas são o principal risco predatório para os ovos. O período de incubação dura cerca de duas semanas, e os filhotes deixam o ninho aproximadamente três semanas após a eclosão.[8]

Galeria

Referências

  1. a b BirdLife International (2016). «Poecile rufescens». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T22711767A94308055. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22711767A94308055.enAcessível livremente. Consultado em 12 de novembro de 2021 
  2. a b Grinnell, Joseph (julho de 1904). «The Origin and Distribution of the Chest-Nut-Backed Chickadee». The Auk. 21 (3): 364–382. JSTOR 4070199. doi:10.2307/4070199 
  3. Johansson, Ulf S.; Ekman, Jan; Bowie, Rauri C. K.; Halvarsson, Peter; Ohlson, Jan I.; Price, Trevor D.; Ericson, Per G. P. (2013). «A complete multilocus species phylogeny of the tits and chickadees (Aves: Paridae)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 69 (3): 852–860. Bibcode:2013MolPE..69..852J. PMID 23831453. doi:10.1016/j.ympev.2013.06.019 
  4. Tritsch, Christian; Martens, Jochen; Sun, Yue-Hua; Heim, Wieland; Strutzenberger, Patrick; Päckert, Martin (2017). «Improved sampling at the subspecies level solves a taxonomic dilemma – A case study of two enigmatic Chinese tit species (Aves, Passeriformes, Paridae, Poecile)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 107: 538–550. Bibcode:2017MolPE.107..538T. PMID 27965081. doi:10.1016/j.ympev.2016.12.014 
  5. Gill, F. B.; Slikas, B.; & Sheldon, F. H. (2005). Phylogeny of titmice (Paridae): II. Species relationships based on sequences of the mitochondrial cytochrome-b gene. Auk 122: 121–143. doi:10.1642/0004-8038(2005)122[0121:POTPIS]2.0.CO;2 HTML abstract
  6. a b c d Burg, Theresa M. (2007). «Phylogeography of chestnut-backed chickadees in western North America». In: Ken A. Otter. Ecology and Behavior of Chickadees and Titmice: an integrated approach online ed. Oxford: Oxford Academic. pp. 77–94. ISBN 978-0-19-856999-2. doi:10.1093/acprof:oso/9780198569992.003.0007 
  7. del Hoyo, J.; Elliot, A.; Christie D. (eds) (2007). Handbook of the Birds of the World. Volume 12: Picathartes to Tits and Chickadees. Lynx Edicions. ISBN 978-84-96553-42-2
  8. a b c d e Dahlsten, Donald L.; Brennan, Leonard A.; McCallum, D. Archibald; Gaunt, Sandra L. (4 de março de 2020). «Chestnut-backed Chickadee (Poecile rufescens)». In: Billerman, Shawn M.; Keeney, Brooke K.; Rodewald, Paul G.; Schulenberg, Thomas S. Birds of the World. [S.l.]: Cornell Lab of Ornithology. doi:10.2173/bow.chbchi.01Acessível livremente 
  9. «Birds of Sonoma County : Chestnut-backed chickadee». Consultado em 31 de março de 2022. Arquivado do original em 14 de junho de 2011 
  10. SHELDON J. COOPERS; DAVID L. SWANSON (1994). «Seasonal Acclimatization of Thermoregulation in the Black-Capped Chickadee» (PDF). The Condor. 96 (3): 638–646. JSTOR 1369467. doi:10.2307/1369467. Consultado em 31 de março de 2022 

Ligações externas