Cephalotrigona femorata

Cephalotrigona femorata
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Família: Apidae
Subfamília: Apinae
Tribo: Meliponini
Gênero: Cephalotrigona
Espécie: C. femorata
Nome binomial
Cephalotrigona femorata
(Smith, 1854)
Distribuição geográfica

Sinónimos[1][2]
  • Trigona femorata (Smith, 1854)

Cephalotrigona femorata, chamada popularmente de mombucão-amazonense[3] mombucão-da-amazônia, língua-de-einstein[4] e mombucão-amarelo é uma espécie de abelha sem ferrão da subfamília dos apíneos (Apinae), endêmica da América do Sul e distribuída em áreas florestadas.

Etimologia

O nome popular abelha-sem-ferrão, que se comporta como sinônimo de abelha-da-terra, é comum de algumas espécies de meliponíneos.[5] Mombuca, mumbuca, mombucão ou mumbucão, deriva do tupi mu'mbuka.[6]

Taxonomia e sistemática

Cephalotrigona femorata foi descrita por Frederick Smith em 1854 na publicação Catalogue of hymenopterous insects in the collection of the British Museum, Part 2. Apidae, com o nome Trigona femorata. O paradeiro de seu holótipo é desconhecido e sua localidade-tipo é Amazonas, no Brasil.[7] Depois foi transferida ao gênero Cephalotrigona.[8][1]

Descrição

As espécies do gênero Cephalotrigona são abelhas de tamanho moderado (oito a 10 milímetros), geralmente marrom-escuras a pretas (Cephalotrigona femorata também pode ter coloração âmbar[9]), com discretas marcas amarelas. Destacam-se pela crista preoccipital carenada a lamelada, face intensamente pontuada, pernas longas e metatíbias em forma de espátula ou raquete, com corbículas largas e borda retromarginal equipada apenas com cerdas simples. A crista preoccipital é bem desenvolvida e brilhante ao longo da região posterior ao vértice, enquanto a parte inferior da face e a região genal inferior contrastam por serem brilhantes e grosseiramente pontuadas, em oposição à face superior, à genal superior e ao mesoscuto, que são opacos e finamente pontuados.[10] Operárias claras e escuras podem coabitar na mesma colônia.[9]

Distribuição e habitat

Cephalotrigona femorata ocorre na Bolívia (El Beni), Colômbia (Meta), Peru (Junim) e Brasil, onde está presente nos estados do Acre, Amapá (Macapá), Amazonas (Benjamin Constant, Beruri, Itacoatiara, Manaus), Maranhão (Chapadinha, Urbano Santos), Mato Grosso, Pará (Anajás, Belém, Santarém, Óbidos), Rondônia e Tocantins,[7] no bioma da Amazônia e em zonas limítrofes com o Cerrado. Em termos hidrográficos, ocorre nas sub-bacias do Araguaia, do Gurupi, do Itapecuru, do Madeira, do Negro, do Solimões, do Tapajós, do Baixo Tocantins e do Xingu.[2]

Ecologia

Os ninhos do gênero Cephalotrigona são instalados em ocos de árvores e possuem entrada reduzida, do tamanho de uma abelha, sobre uma plataforma curta e arredondada feita exclusivamente de cerúmen e materiais escuros.[10] Cephalotrigona femorata nidifica em árvore em floresta de terra firme e a entrada do ninho apresenta uma saliência enegrecida com forma de língua. Os favos de criação são horizontais e com grande diâmetro (22 centímetros).[4] Produz mel de boa qualidade e acumula grande quantidade de própolis. As colônias são populosas, mas de manejo desafiador na meliponicultura.[10] A espécie visita as seguintes plantas como fontes polínicas: amarantáceas (ex.: Alternanthera tenella), araliáceas (ex.: Schefflera morototoni), asteráceas (gêneros Eupatorium e Mikania), burseráceas (Protium heptaphyllum), cesalpiniáceas (gênero Caesalpinia e a espécie Cenostigma tocantinum), cecropiáceas (gênero Cecropia), clusiáceas (Vismia guianensis), cucurbitáceas (Gurania coccinea), fabáceas (Clitoria racemosa), flacourtiáceas (Casearia grandiflora), humiriáceas (Humiria balsamifera), lecitidáceas (Bertholletia excelsa[4]), lorantáceas (Phthirusa micrantha), malpigiáceas (Byrsonima ciliata e Byrsonima chrysophylla), malváceas (Urena lobata), melastomatáceas (Bellucia grossularioides e Miconia myriantha), mimosáceas (Dinizia excelsa, Inga alba, Mimosa guilandinae var. spruceana, Mimosa pudica e Stryphnodendron guianense), miristicáceas (Virola venosa), mirtáceas (Myrcia fallax e Syzygium malaccense), oxalidáceas (Averrhoa carambola), palmas (Attalea maripa, Euterpe oleracea e Euterpe precatoria) e sapindáceas (gêneros Matayba e Talisia).[2]

Conservação

Em 2018, Cephalotrigona femorata foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[11][12] Não foram identificadas ameaças com impacto significativo sobre o risco de extinção da espécie quando considerada toda a sua área de distribuição. No entanto, no Centro-Oeste do Brasil, as populações de Cephalotrigona femorata vêm sendo afetadas pela conversão de florestas em pastagens, monocultivos e pela formação de grandes reservatórios para hidrelétricas. Além disso, segundo Kerr et al. (2001), a atividade de extração de mel por meleiros pode ter contribuído para a redução populacional nessa região. Em sua área de distribuição, a espécie está presente em algumas áreas de conservação: a Floresta Nacional de Carajás (Flona Carajás), o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos (PARNA dos Campos Ferruginosos), a Reserva Extrativista Alto Juruá (Resex Alto Juruá), a Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão (APA Ilha do Bananal/Cantão) e a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (APA Triunfo do Xingu).[2]

Referências

  1. a b «Cephalotrigona femorata (Smith, 1854)». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 30 de junho de 2025. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2024 
  2. a b c d de Aguiar, Antônio José Camillo; Brant, Arthur; Blochtein, Betina; Borges Henriques, Cibelle; Menezes, Cristiano; Silva Nogueira, David; Garcez Militão, Elba Sancho; de Oliveira, Favízia Freitas; da Silveira, Fernando Amaral; Vieira Zanella, Fernando César; Canto Resende, Helder; dos Santos Júnior, Jose Eustáquio; Faria Junior, Luiz Roberto Ribeiro; de Albuquerque, Patricia Maia Correia; Barbosa Gonçalves, Rodrigo; Witter Freitas, Sidia; Giannini, Tereza Cristina (2023). «Cephalotrigona femorata (Smith, 1854)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.35950.2. Consultado em 27 de junho de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  3. «Ficha de cadastro de propriedade com apicultura / meliponicultura» (PDF). Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO), Gerência de Inspeção e Defesa Sanitária Animal, Divisão de Defesa Sanitária Animal, Núcleo do Programa Nacional de Sanidade Apícola. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 20 de junho de 2024 
  4. a b c Pedro, Silvia R. M.; Oliveira, Favízia Freitas de; Campos, Lucio Antonio de Oliveira (2022). «Aparatrigona impunctata». Abelhas sem ferrão do Pará: a partir das expedições científicas de João M. F. Camargo (PDF). São Paulo: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP). ISBN 978-65-990228-1-4. doi:10.11606/9786588924209. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 4 de dezembro de 2024 
  5. Grande Dicionário Houaiss, verbete abelha-sem-ferrão
  6. Grande Dicionário Houaiss, verbete mombuca
  7. a b Camargo, J. M. F.; Pedro, S. R. M.; Melo, G. A. R. (23 de julho de 2008). Moure, J. S.; Urban, D.; Melo, G. A. R., eds. «Cephalotrigona femorata (Smith, 1854)». Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region - online version. Consultado em 30 de junho de 2025. Cópia arquivada em 17 de junho de 2025 
  8. «Cephalotrigona femorata (Smith, 1854)». Integrated Taxonomic Information System (ITIS). Consultado em 20 de junho de 2025. Cópia arquivada em 21 de maio de 2025 
  9. a b Costa, Luciano (2019). «Celetrigona longicornis». Guia Fotográfico de Identificação de Abelhas Sem Ferrão para resgate em áreas de supressão florestal (PDF). Belém: Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável. ISBN 978-85-94365-05-7. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 18 de janeiro de 2025 
  10. a b c Engel, M. S.; Rasmussen, C. (2021). «Stingless bee classification and biology (Hymenoptera, Apidae)». ZooKeys. 104: 1–35. doi:10.3897/zookeys.10401200. Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 1 de maio de 2025 
  11. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  12. «Cephalotrigona femorata (Smith, 1854)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 30 de junho de 2025. Cópia arquivada em 30 de junho de 2025