Robalo-de-escama-grande
Robalo-de-escama-grande
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Centropomus mexicanus Bocourt, 1868 | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2][3] | |||||||||||||||||
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O robalo-de-escama-grande[4] (nome científico: Centropomus mexicanus), também chamado robalo-gordo e robalo-corcunda, é um peixe perciforme da família dos centropomídeos (Centropomidae), endêmico de zonas costeiras da América do Norte, América Central, Caribe e América do Sul, no Oceano Atlântico.
Etimologia
O nome popular robalo foi formado por metátese de *lobarro, derivado de lobo /ô/, que - assim como o latim lupus,i, no sentido de 'lobo' - é aplicado metaforicamente ao peixe. Comparar ao espanhol lobarro, no sentido de "robalo". Foi registrado em 1340 como rrobalo (apelido) e em 1595 como robalo.[5] O nome genérico Centropomus deriva do grego kéntron (κέντρον), que significa "ferrão" ou "agulhão", e pȭma (πῶμα; genitivo: πώματος, pṓmatos), que significa "tampa" ou "opérculo".[6]
Taxonomia e sistemática
O robalo-de-escama-grande foi classificado pela primeira vez em Marie Firmin Bocourt em 1868. Embora tenha sido considerado sinônimo de C. parallelus por alguns autores, evidências morfológicas e moleculares sustentam sua validade como espécie distinta. É simpátrica com C. parallelus - espécie morfologicamente muito semelhante - ao longo de grande parte de sua distribuição. No entanto, adultos do robalo-de-escama-grande parecem ocorrer preferencialmente em águas de menor salinidade em comparação aos de C. parallelus. Recentemente, Figueiredo-Filho et al. (2021) sugeriram que o robalo-de-escama-grande representa uma forma juvenil ocasional de C. parallelus, com base em dados morfológicos e moleculares. Contudo, o estudo utilizou apenas exemplares do sul do Brasil, enquanto a localidade-tipo do robalo-de-escama-grande é no México, o que impede a confirmação definitiva de sinonímia entre essas espécies. Além disso, análises genéticas com base na sequência do gene da citocromo oxidase I (COI) indicam diferenciação entre ambas as entidades taxonômicas. Segundo Carvalho-Filho (2023), embora o robalo-de-escama-grande seja válida para o Atlântico Norte, sua ocorrência no Brasil ainda carece de comprovação robusta.[7][3]
Descrição
O comprimento máximo registrado para o robalo-de-escama-grande é de 47,5 centímetros, sendo mais comuns exemplares com cerca de 35 centímetros.[3] Os juvenis apresentam uma ponta preta notável na nadadeira dorsal.[6]
Distribuição e habitat
O robalo-de-escama-grande ocorre na América do Norte (Estados Unidos (Flórida) e México), América Central (Belize, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Porto Rico), Caribe (Dominica, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Virgens Americanas, República Dominicana e Trindade e Tobago) e América do Sul (Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela). No Brasil, está presente nos estados da Bahia, Paraná, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Habita até 20 metros de profundidade em porções inferiores de rios costeiros, podendo alcançar trechos mais a montante, além de habitar áreas rasas do litoral, como manguezais. Os adultos são geralmente encontrados em ambientes de menor salinidade.[3]
Ecologia
Como outros robalos, o robalo-de-escama-grande é uma espécie marinha bentopelágica, costeira e estuarina-dependente, de hábitos carnívoros e termofílicos. Vive em águas rasas e salobras, mas também penetra em ambientes de água doce. Trata-se de uma espécie migratória (anfídroma), que realiza a desova no litoral, próximo a estuários, especialmente em bancos de areia.[3] Alimenta-se de pequenos peixes e crustáceos. Os juvenis frequentemente se juntam a grupos de forrageamento de Eucinostomus melanopterus, peixe de tamanho e aparência semelhantes. Misturam-se com as a Eucinostomus melanopterus e se alimentam de peixes e camarões atraídos por suas atividades de escavação. Essa semelhança com um peixe inofensivo para camarões e pequenos peixes permite que o robalo-de-escama-grande se aproxime dessas presas, um exemplo clássico de mimetismo agressivo.[6]
Conservação
A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o robalo-de-escama-grande como pouco preocupante (LC). Trata-se de uma espécie amplamente distribuída, podendo ser comum e localmente abundante em determinadas áreas de sua ocorrência, especialmente em estuários, fozes de rios e regiões influenciadas por correntes de maré. É valorizada na pesca esportiva e capturada comercialmente no México, embora atualmente não enfrente ameaças significativas.[1] Em 2018, foi igualmente classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[8][9] Todas as espécies do gênero Centropomus possuem interesse comercial e são amplamente visadas pela pesca recreativa e artesanal. Entre as modalidades de pesca estão a pesca com linha, o arrasto de fundo e o emalhe. A conservação das populações do robalo-de-escama-grande, no entanto, está ameaçada pela perda e modificação de habitat, decorrentes da ocupação desordenada do litoral, do desmatamento de manguezais e sua conversão em áreas de aquicultura, bem como pela construção de estruturas portuárias, barragens e parques eólicos.[3]
Os registros do robalo-de-escama-grande são esparsos e irregulares, possivelmente devido à sua semelhança com C. parallelus, o que pode ter resultado em identificações equivocadas. As espécies do gênero Centropomus são simpátricas e podem ocorrer na mesma localidade, embora em proporções variáveis. Há poucos registros de captura da espécie no Brasil, tanto por pesca comercial quanto amadora, e não há dados disponíveis sobre seu tamanho e estrutura populacional. Embora não existam informações específicas sobre a pesca do robalo-de-escama-grande no país, observa-se, nos últimos anos, um aumento na captura e no desembarque de robalos juvenis em geral, indicando possível sobrepesca que afeta provavelmente todas as espécies do gênero. As estatísticas de pesca não apresentam dados individualizados para o robalo-de-escama-grande sendo provável que seus registros estejam incluídos genericamente com outras espécies.[3]
Em sua área de distribuição no Brasil, ocorre em algumas áreas de conservação: a Área de Proteção Ambiental Cananéia-Iguape-Peruíbe (APA Cananéia-Iguape-Peruíbe), a Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (APA Guaraqueçaba), a Reserva Extrativista Mãe Grande de Curuçá (Resex Mãe Grande de Curuçá), a Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte (APA Marinha do Litoral Norte), a Área de Proteção Ambiental da Baía de Camamu (APA Baía de Camamu), a Área de Proteção Ambiental da Baía de Todos os Santos (APA Baía de Todos os Santos), a Área de Proteção Ambiental Ponta da Baleia-Abrolhos (APA Ponta da Baleia-Abrolhos) e a Área de Relevante Interesse Ecológico de São Sebastião (ARIE de São Sebastião).[3]
Referências
- ↑ a b Aiken, K. A.; Collette, B. B.; Dooley, J.; Kishore, R.; Marechal, J.-P.; Pina Amargos, F.; Robertson, R.; Singh-Renton, S. (2019). «Largescale Fat Snook, Centropomus mexicanus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T191832A82664748. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T191832A82664748.en
. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ Froeser, R.; Pauly, D. «Centropomus mexicanus Bocourt, 1868». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 29 de junho de 2025. Cópia arquivada em 19 de abril de 2025
- ↑ a b c d e f g h Araujo, Gabriel Soares de; Di Dario, Fabio; Macieira, Raphael Mariano; Carvalho-Filho, Alfredo; Fernandes, Cezar Augusto Freire; Sampaio, Cláudio Luis Santos; Pimentel, Caio Ribeiro; Hostim-Silva, Mauricio; Mendonca, Jocemar Tomasino; Schneider, Fabíola; Scalco, Allan Cesar Silva; Santos, Roberta Aguiar dos (2025). «Centropomus mexicanus Bocourt 1868». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
- ↑ Freire, Kátia Meirelles Felizola; Filho, Alfredo Carvalho (2009). «Richness of common names of Brazilian reef fishes» (PDF). PANAMJAS: Pan-American Journal of Aquatic Sciencs. 4 (2): 96-145
- ↑ Grande Dicionário Houaiss, verbete robalo
- ↑ a b c «Centropomus mexicanus Bocourt, 1868». FishBase. Consultado em 29 de junho de 2025. Cópia arquivada em 15 de maio de 2025
- ↑ Seyoum, Seifu; Anderson, Joel; Williford, Damon; Hayes, Michelle C. D.; Dutka-Gianelli, Jynessa; Figuerola-Hernandez, Miguel G; Trotter, Alexis; Taylor, Ronald G.; Tringali, Michael D. (2022). «A novel allopatric lineage within the fat snook species complex of the genus Centropomus (Perciformes: Centropomidae)» (PDF). Bull Marine Science. 98 (4): 471–492. doi:10.5343/bms.2022.0007. Consultado em 29 de junho de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 29 de junho de 2025
- ↑ «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- ↑ «Centropomus mexicanus Bocourt 1868». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 29 de junho de 2025. Cópia arquivada em 29 de junho de 2025
