João Carlos Celestino Gomes

João Carlos Celestino Gomes
Autorretrato, 1929, grafite sobre papel, 35,6 x 28 cm
Nascimento
Morte
11 de novembro de 1960 (61 anos)

NacionalidadePortugal portuguesa
ÁreaPintura

João Carlos Celestino Pereira Gomes (São Salvador, Ílhavo, 5 de outubro de 1899 — Campo Grande, Lisboa, 11 de novembro de 1960) foi um médico, professor, escritor e pintor português. Pertence à segunda geração de artistas modernistas portugueses.[1]

Foi pintor e ilustrador, área em que utilizou o nome João Carlos; escreveu sobre medicina; dedicou-se à literatura de ficção, à crítica e história da arte, sob o nome de Celestino Gomes.[2]

Biografia / Obra

Nasceu na Rua do Espinheiro (atual Rua Dr. Samuel Maia), na freguesia e concelho de Ílhavo. Era filho do funcionário público José Cândido Celestino Pereira Gomes e de Maria da Apresentação São Pedro, doméstica, também naturais de Ílhavo.[3]

Dedicou-se às artes desde muito jovem, expondo pela primeira vez em 1917, em Ílhavo. Fez os estudos médicos preparatórios no Porto (1918-1921), completando o curso na Universidade de Coimbra (1927). Ao longo desses anos contactou personalidades do mundo das letras e das artes, participando na dinâmica cultural portuense e coimbrã.

A 16 de maio de 1923, casou em Ílhavo com Silvina Ramalheira Valente (São Salvador, Ílhavo, 1902 — 16 de agosto de 1989), filha de José Francisco Carrapichano e de Maria da Conceição Ramalheira.[3][4]

Na década de 1930 fixou-se em Lisboa. Participou na I Exposição dos Independentes, 1930, em Salões da Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, e em duas edições das Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I.. Realizou múltiplas exposições individuais, escreveu e ilustrou dezenas de livros; em 1964 foi realizada uma exposição retrospetiva da sua obra no Secretariado Nacional de Informação, Lisboa.[5]

Teve a sua "hora vanguardista" em Coimbra, em 1925, "num futurismo gozado, e que acabou numa extravagante composição imitada dos painéis de S. Vicente de Fora, com amigos na figuração". Admirador do primitivismo, seria influenciado pelo álbum de desenhos de Amadeo de Souza-Cardoso, de 1912, "seguindo-lhe o preciosismo decadente e adaptando-o a um regionalismo mundanizado".[6]

Está representado em coleções públicas e privadas, entre as quais: Museu do Chiado, Lisboa; Museu Grão Vasco, Viseu; Museu Municipal de Ílhavo; Museu Santos Rocha, Figueira da Foz; e ainda: Coleções Dr. Bustorff Silva, José Esteves Brandão, Pedro Joyce Dinis, Dr. Fernando da Fonseca, Dr. Melo e Castro, João Manuel Cortes Pinto, D. Maria Borges, D. Leonor Borlido, etc.[7]

O seu nome consta da lista de colaboradores da revista de cinema Movimento[8] (1933-1934).

Morreu vítima de leucemia hepática crónica a 11 de novembro de 1960, em sua casa, na Rua Alberto de Oliveira, n.º 2, 1.º direito, freguesia do Campo Grande, em Lisboa. Foi sepultado no cemitério de Ílhavo.[9]

Referências

  1. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 315.
  2. A.A.V.V. – Arte Portuguesa, anos quarenta (tomo 2). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 17
  3. a b «Livro de registo de batismos da paróquia de São Salvador - Ílhavo (1899)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Aveiro. p. 133v e 134, assento 400 
  4. «Cemitério da Freguesia de S. Salvador». qmais.pt. Q+ Quiosque Informativo 
  5. A.A.V.V. – Arte Portuguesa, anos quarenta(tomo 2). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 17
  6. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 316.
  7. Arcadja – auction results. «João Carlos Celestino Gomes». Consultado em 14 de junho de 2013 
  8. Jorge Mangorrinha (25 de Fevereiro de 2014). «Ficha histórica: Movimento : cinema, arte, elegâncias (1933-1934)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 9 de janeiro de 2015 
  9. «Livro de registo de óbitos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1960-09-20 - 1960-11-12)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 943v, assento 1886