Celebridade da internet

As celebridades da internet, também conhecidas como influenciadores de mídia social ou influenciadores digitais, são celebridades que adquiriram ou desenvolveram sua fama e participação por meio da internet.[1][2] O surgimento das mídias sociais ajudou a aumentar seu alcance para um público global. Celebridades da internet podem ser recrutadas por empresas para um marketing influente, a fim de anunciar produtos para seus fãs e seguidores em sua plataforma. As celebridades da internet costumam servir como professores de estilo de vida que promovem certos estilos de vida ou atitudes. Nessa função, eles podem ser importantes influenciadores ou multiplicadores de tendências de gênero, incluindo moda, beleza, tecnologia, videogames, política e entretenimento.[3][4]
Um influenciador digital ou influenciador de mídia social é um indivíduo que utiliza uma rede social para expressar análises e influenciar a opinião de outros indivíduos, através de publicações em texto ou vídeo online e que são seguidos por um determinado público.[5]
O influenciador originado na internet às vezes não se restringe a apenas uma rede social, mas a união delas faz com que alcance uma audiência maior. O surgimento desses novos formadores de opinião digitais também causa uma mudança comportamental e de mentalidade nos seus seguidores, que tendem a ser facilmente influenciados.[6]
Alguns influenciadores estão associados a aplicações específicas das redes sociais, como os influenciadores do TikTok,[7] os influenciadores do Instagram,[8][9] ou os influenciadores do Pinterest, e muitos são também considerados celebridades da Internet. A partir de 2023, o Instagram é a plataforma de redes sociais em que as empresas gastam mais dinheiro em publicidade para fazer marketing com influenciadores.[10] No entanto, os influenciadores podem exercer a sua influência em qualquer tipo de rede de redes sociais.
Influenciadores virtuais

Influenciadores virtuais são personagens criadas por artistas 3D e postas em aparentes situações de vida real, como desfiles de moda, concertos, destinos turísticos, entre outros, por meio de manipulação digital. Embora não correspondendo a utilizadores reais (pessoas físicas), não são considerados "influenciadores falsos", na medida em que não são bots automáticos nem são desenvolvidos com o intuito de gerar interações falsas ou deturpar os resultados das plataformas em que estão presentes.
Estes influenciadores são habitualmente criados como modelos, cantores e outras celebridades, e os seus criadores escrevem as narrativas das suas vidas, interagem com outros perfis em seu lugar e, inclusive, respondem a entrevistas no lugar das suas personagens. Lil Miquela é um caso de influenciadora virtual, cantora e modelo brasileira-americana que, com mais de 1.2 milhões de seguidores no Instagram, já protagonizou campanhas publicitárias para marcas como Gucci, Prada e Vans.
A Lu do Magalu é um dos maiores casos de sucesso no uso de influenciadores virtuais, mesmo tendo o Magazine Luiza foco apenas no mercado Brasileiro, a Lu conseguiu se tornar uma das influenciadoras digitais virtuais com maior número de seguidores no mundo acumulando mais de 24 milhões de seguidores em plataformas digitais (Twitter, Instagram, Facebook, YouTube e TikTok).[11] A influenciadora participa ativamente de atividades promocionais do Magalu com a publicação de vídeos de unboxing, avaliações de produtos e dicas de softwares e aplicativos.[12] Em 2020, ela foi contratada para estrelar uma campanha de marketing da Adidas[13] e foi a primeira personalidade brasileira, além dos atletas patrocinados pela Red Bull, a ser retratada nos cartoons da marca.[14]
Outros influenciadores virtuais amplamente conhecidos são Shudu Gram, Blawko e Bermuda.[15]
Microinfluenciadores
Microinfluenciadores são perfis menores com até 100 mil seguidores, vistos como pequenos quando comparados aos macro. São mais nichados e são uma opção para as marcas alcançarem resultados qualitativos com um custo menor.[16]
Nanoinfluenciadores
São perfis com um número bem menor de seguidores. No entanto, como diferencial, permitem parcerias mais humanizadas e econômicas. Além disso, podem influenciar um círculo restrito e qualificado de consumidores potenciais, pois interagem com pessoas muito próximas.
Conflitos com profissões tradicionais
A ascensão das celebridades da internet e sua migração para meios tradicionais de comunicação e estruturas corporativas têm gerado debates sobre qualificação técnica e regulamentação profissional. A priorização de métricas de engajamento em detrimento da formação acadêmica ou técnica tem motivado reações de conselhos de classe e profissionais veteranos.
Dramaturgia e atuação
A escalação de influenciadores digitais para papéis de destaque em telenovelas e produções audiovisuais tornou-se uma estratégia recorrente de emissoras de televisão visando atrair a audiência jovem das redes sociais. Essa prática, no entanto, é alvo de críticas por parte da classe artística e de entidades sindicais, como o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Sated).[17]
O ponto central do conflito reside na exigência do registro profissional (DRT) para atuar. Casos notórios, como a escalação de influenciadores para papéis de protagonismo sem formação prévia em artes cênicas, geraram denúncias e tentativas de impedimento legal por parte dos sindicatos.[18] Atores veteranos, como Irene Ravache e Silvio de Abreu, argumentam que a profissão exige estudo e técnica que vão além da capacidade de gerar engajamento online, classificando a tendência como uma desvalorização do ofício.[19][20]
Outras críticas apontam que a busca por seguidores pode comprometer a qualidade das produções. O ator Luís Miranda destacou que "talento quem tem é artista, não influencer", reforçando a distinção entre a criação de conteúdo para internet e a dramaturgia.[21] Em contrapartida, parte do mercado defende a integração, como o ator Antônio Fagundes, que sugeriu que o mercado atua como regulador natural da qualidade, independentemente da origem do profissional.[22] A pressão por números também afeta atores formados, que relatam perder papéis por não possuírem milhões de seguidores.[23]
Além de papéis na teledramaturgia, a disputa por verbas publicitárias em grandes eventos, como o Rock in Rio, também evidencia a preferência de marcas por influenciadores em detrimento de celebridades da mídia tradicional, alterando a dinâmica do mercado de endosso publicitário.[24]
Mercado corporativo e publicidade
A influência digital também tem reconfigurado hierarquias no ambiente corporativo, gerando atritos com profissionais de Marketing e Publicidade. Um exemplo significativo ocorreu em 2026, quando o influenciador fitness Toguro foi anunciado como Head de Comunicação e Marketing da farmacêutica Cimed.[25]
A contratação visava internalizar a linguagem das redes sociais e a criação de narrativas (storytelling) diretamente na estrutura executiva da empresa. O presidente da companhia, João Adibe Marques, defendeu a decisão alegando que a capacidade de inovação e comunicação rápida do influenciador não é ensinada em cursos tradicionais.[26] No entanto, o movimento gerou críticas de publicitários e profissionais de marketing, que questionaram a substituição da formação técnica e acadêmica pelo alcance numérico e viralização.[27]
Ver também
Referências
- ↑ «Influenciadores de mídia social: o que são e onde encontrá-los?». Agência de Marketing Digital IMMA. 18 de agosto de 2017. Consultado em 20 de setembro de 2020
- ↑ «What are influencers? definition and meaning». BusinessDictionary.com (em inglês). Consultado em 20 de setembro de 2020
- ↑ Schouten, Alexander P.; Janssen, Loes; Verspaget, Maegan (17 de fevereiro de 2020). «Celebrity vs. Influencer endorsements in advertising: the role of identification, credibility, and Product-Endorser fit». International Journal of Advertising (2): 258–281. ISSN 0265-0487. doi:10.1080/02650487.2019.1634898. Consultado em 20 de setembro de 2020
- ↑ «O poder da influência». Revista Consumidor Moderno. 18 de dezembro de 2018. Consultado em 20 de setembro de 2020
- ↑ bumeoficial (17 de setembro de 2018). «Digital Influencer: O Guia Para o Sucesso Na Internet». Blog Bume. Consultado em 8 de abril de 2019
- ↑ «Celebridade de Internet: Quem é a Brasileira Mais Influente do Momento? - GAZETA MERCANTIL». 21 de fevereiro de 2025. Consultado em 25 de fevereiro de 2025
- ↑ «A guide to the TikTokish apps that want to be the next TikTok» (em inglês). 6 de agosto de 2020. Consultado em 3 de março de 2024
- ↑ «Video captures men spraying Instagram influencer's dog during alleged robbery» (em inglês). 11 de junho de 2023. Consultado em 3 de março de 2024
- ↑ «Influencer Authenticity» (em inglês). Consultado em 3 de março de 2024
- ↑ «Instagram Remains a Priority Platform for Marketers. Here's Why» (em inglês). 17 de abril de 2023. Consultado em 3 de março de 2024
- ↑ «Who is Virtual Influencer and Magalu Spokesperson Lu?». www.virtualhumans.org (em inglês). Consultado em 26 de maio de 2021
- ↑ «Como a "Lu" elevou o patamar do marketing do Magazine Luiza». InfoMoney. 13 de setembro de 2019. Consultado em 26 de maio de 2021
- ↑ «Lu, do Magalu, estrela campanha da Adidas». propmark. 3 de dezembro de 2020. Consultado em 26 de maio de 2021
- ↑ «Red Bull se une a Magazine Luiza e Lu vira cartoon». Consultado em 26 de maio de 2021
- ↑ «O que são os influenciadores virtuais?». van. 13 de julho de 2018. Consultado em 19 de julho de 2019
- ↑ «Microinfluenciadores: quem são e qual a sua relevância?». Whow. 2 de julho de 2021. Consultado em 28 de fevereiro de 2023
- ↑ «Influencers em novelas incomodam atores e autores, por quê?». IstoÉ. 11 de julho de 2024. Consultado em 11 de julho de 2024
- ↑ «Influenciadores tomam espaço na TV e viram alvos de críticas de atores e atrizes». BNews. 11 de julho de 2024. Consultado em 11 de julho de 2024
- ↑ «Irene Ravache solta o verbo sobre tendência de influenciadores como atores: 'Não é assim'». Contigo!. 26 de novembro de 2024. Consultado em 26 de novembro de 2024
- ↑ «"É ridículo que influencers queiram ser atores", diz Silvio de Abreu». A Gazeta. 14 de setembro de 2024. Consultado em 14 de setembro de 2024
- ↑ «Luís Miranda alfineta influencers que fazem novelas». L'Officiel Hommes Brasil. 26 de junho de 2025. Consultado em 26 de junho de 2025
- ↑ «Influenciadores tomam espaço na TV e viram alvos de críticas de atores e atrizes». BNews. 11 de julho de 2024. Consultado em 11 de julho de 2024
- ↑ Silvero Pereira (16 de março de 2022). «Não basta ser bom ator, precisa ser influencer?». Diário do Nordeste. Consultado em 16 de março de 2022
- ↑ «Influenciadores disparam sobre atores na briga por 'publi' no Rock in Rio». Veja. 20 de setembro de 2024. Consultado em 20 de setembro de 2024
- ↑ «Toguro assume comunicação da Cimed e amplia aposta digital». BHB Food. 5 de fevereiro de 2026. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Adibe defende chegada de Toguro na Cimed: "Não tem curso para aprender isso"». InfoMoney. 3 de fevereiro de 2026. Consultado em 3 de fevereiro de 2026
- ↑ Alexandre Manisck (11 de setembro de 2024). «Ator e influenciador ou influenciador e ator?». Meio & Mensagem. Consultado em 11 de setembro de 2024