Cegamento

O cegamento de Sansão . Rembrandt van Rijn, 1636, Städel Frankfurt

Cegamento é um tipo de punição física que resulta na perda completa ou quase completa da visão. Foi usado como um ato de vingança e tortura.[1] A punição é usada desde a Antiguidade; a mitologia grega faz várias referências à cegueira como punição divina, o que reflete a prática humana.

No Império Bizantino e em muitas outras sociedades históricas, o cegamento era realizado arrancando os olhos, às vezes usando um atiçador de braza ainda quente, e despejando uma substância fervente, como vinagre, sobre eles.[2]

Mitologia e direito religioso

Édipo arrancou os próprios olhos após cumprir acidentalmente a profecia de que acabaria matando seu pai e se casando com sua mãe.[3] Na Bíblia, Sansão ficou cego ao ser capturado pelos filisteus.[4]

Os primeiros cristãos eram frequentemente cegados como penalidade por suas crenças.[5] Por exemplo, os torturadores de Santa Luzia arrancaram-lhe os olhos.

História

Na Idade Média, o cegamento era usado como penalidade por traição ou como meio de tornar um oponente político incapaz de governar e liderar um exército na guerra.[6]

Após a deserdação e subsequente rebelião de Bernardo da Itália, Luís, o Piedoso, tentou cegá-lo, mas o procedimento foi malfeito, matando-o.[7]

Após a Batalha de Clídio de 1014, o imperador bizantino Basílio II capturou vários milhares de soldados do Império Búlgaro. Ele os colocou em grupos de 100 e cegou 99 em cada grupo. Os últimos soldados tiveram apenas um olho arrancado e esses homens de um olho receberam ordens de levar seus amigos cegos de volta ao seu comandante. Isso rendeu ao Imperador Basílio II o apelido de "Matador de Búlgaros".[1]

Henrique I da Inglaterra cegou Guilherme, Conde de Mortain, que lutou contra ele em Tinchebray em 1106. Ele também ordenou o cegamento e a castração como punição para os ladrões.[6]

Mahmud Shah Durrani, o imperador afegão do Império Durrani, cegou seu irmão e antigo governante, Zaman Shah Durrani, para desqualificá-lo da sucessão ou de disputar seu poder novamente.[8]

Era moderna

O cegamento sobrevive como uma forma de penalidade na era moderna, especialmente no subcontinente indiano. Em 2003, um tribunal paquistanês condenou um homem à cegueira após ter submetido a sua noiva a um ataque com ácido, o que resultou na perda da visão dela.[9]

O homem que cegou Ameneh Bahrami num ataque com ácido foi condenado à cegueira por um tribunal iraniano em 2009; Bahrami acabou por perdoar o agressor.[1]

Ver também

Referências

  1. a b c Goes, Frank Joseph (2013). The Eye in History. [S.l.]: JP Medical Ltd. ISBN 978-9350902745 
  2. Lawler, Jennifer (2004). Encyclopedia of the Byzantine Empire. [S.l.]: McFarland. ISBN 1476609292 
  3. Rose, Martha L. (2003). The Staff of Oedipus: Transforming Disability in Ancient Greece. [S.l.]: University of Michigan Press. pp. 81–82. ISBN 0472113399 
  4. Hartsock, Chad (2008). Sight and Blindness in Luke-Acts: The Use of Physical Features in Characterization. [S.l.]: Brill. ISBN 978-9004165359 
  5. Pearman, Tory Vandeventer (2010). Women and Disability in Medieval Literature. [S.l.]: Palgrave Macmillan. ISBN 978-0230117563 
  6. a b Evans, Michael (2007). The Death of Kings: Royal Deaths in Medieval England. [S.l.]: A&C Black. pp. 37, 89-90. ISBN 978-1852855857 
  7. Goldberg, Eric J. (2006). Struggle for Empire: Kingship and Conflict under Louis the German, 817–876 (em inglês). London: Cornell University Press. 32 páginas. ISBN 978-0-8014-7529-0 
  8. Lee, Jonathan L. (8 de março de 2022). Afghanistan: A History from 1260 to the Present (em inglês). [S.l.]: Reaktion Books. ISBN 978-1-78914-019-4 
  9. «Pakistani court orders blinding with acid». The Irish Times (em inglês). Consultado em 9 de novembro de 2021