Cavidade corporal
Uma cavidade corporal é qualquer área do corpo de um animal que esteja circunscrita e parcialmente isolada do resto do corpo. Ao estudarmos a estrutura e composição anatómica dos diversos sistemas fisiológicos num corpo animal (ou humano) iremos encontrar várias áreas que obedecem a esse critério. Essas divisões podem ser definidas por ossos (caixa craniana), músculos e membranas (cavidade abdominal), ossos e músculos (caixa torácica). Podemos até considerar subdivisões: dentro da caixa torácica podemos encontrar uma membrana, o pericárdio, que envolve especialmente o coração.
A função essencial destas cavidades é a protecção dos órgãos que aí estão encerrados contra ferimentos exteriores. Basta verificar o caso do encéfalo, protegido não só pelas meninges (membranas) mas também pelo líquido cefalorraquidiano que permite que este órgão flutue num meio que absorve ou atenua choques violentos, que de outro modo poderiam causar danos irreparáveis à delicada estrutura dos tecidos.
Existem três grupos de organismos, cada um baseado num tipo diferente de cavidade corporal.

Em zoologia, denomina-se cavidade corporal qualquer espaço ou compartimento, ou espaço potencial, do corpo de um animal.
No organismo pode haver várias cavidades ou espaços, que podem conter vários órgãos e outras estruturas; as cavidades como espaços potenciais contêm fluídos que, ordinariamente, contribuem para a distribuição de substâncias.[1]
A cavidade geral
Denomina-se cavidade geral a cavidade que se forma no embrião no decurso do seu desenvolvimento embrionário. Não deve confundir-se com a cavidade digestiva embrionária (arquêntero), que está comunicada com o exterior pelo blastóporo (boca embrionária),[2] e que, portanto, não é uma cavidade geral em sentido embrionário.
Após a segmentação do zigoto, forma-se uma esfera maciça de células denominada mórula; esta quase sempre forma um oco para dar lugar a uma blástula, de maneira a que todas as células se situem na periferia e deixem uma cavidade central cheia de líquido, chamada blastocelo,[2] que se conhece como cavidade geral primária por ser a primeira a formar-se no embrião. Este blastocelo embrionário persiste nos adultos dos animais chamados pseudocelomados, como os nematodes e os rotíferos.
Contudo, o blastocelo costuma desaparecer nas etapas seguintes do desenvolvimento embrionário. Assim, nos platelmintes, a mesoderme invade o blastocelo, que fica praticamente obliterado, originando uma arquitetura corporal adulta maciça, sem cavidade geral; estes animais recebem o nome de acelomados.
Nos celomados

Nos embriões dos animais celomados (anélideos, moluscos, artrópodes, cordados), a mesoderme abre um espaço e origina o celoma ou cavidade geral secundária, chamada assim por ser a segunda a formar-se, depois do blastocelo, durante o processo embrionário. Tem origem mesodérmica e, portanto, é exclusivo dos animais triblásticos. Está limitado pelo peritoneu e cheio de líquido celomático ou fluido celómico. Os órgãos internos ficam fora do celoma.[3]
O celoma pode persistir no adulto ou pode sofrer diferentes graus de redução e modificação.[4]
Pseudocele e celoma
Em geral, o espaço compreendido entre a parede corporal e o tubo digestivo pode-se classificar num destes dois grupos: o pseudocele, que não é revestido de células e que se origina mais ou menos diretamente da primeira cavidade que se forma no embrião dos animais (na blástula), e o celoma, que possui um revestimento epitelial e que se origina geralmente como um crescimento especializado de certas células embrionárias, ou a partir da parede do tubo digestivo embrionário.
Estas cavidades corporais albergam usualmente órgãos distintos dos do sistema digestivo, órgãos reprodutores, órgãos excretores, etc. Nos animais que têm um sistema circulatório especializado, tais como os anélideos e os vertebrados, o celoma está cheio de um fluido chamado líquido celomático ou fluido celómico. Este não é sangue, porque não contém células sanguíneas, embora a sua composição se assemelhe muito à do sangue. Nalguns animais, como nos artrópodes, o sangue preenche a sua cavidade corporal, e esta cavidade denomina-se então hemocelo. [4]
Funções
A presença de uma cavidade geral permite amortecer as variações de temperatura, pH e osmolaridade, e também permite a filtração de resíduos metabólicos. Permite que os órgãos cresçam e se movam. Finalmente, a pressão de turgência permite a absorção de choques ou inclusive o endurecimento do corpo (esqueleto hidrostático).[5]
Nos mamíferos
Os embriões dos mamíferos desenvolvem duas cavidades: o celoma intraembrionário e o celoma extraembrionário (ou cavidade coriónica). O celoma intraembrionário é revestido pela mesoderme da placa lateral somática e esplâncnica, enquanto o celoma extraembrionário é revestido por mesoderme extraembrionária. O celoma intraembrionário é a única cavidade que persiste nos mamíferos a termo, pelo que o seu nome é frequentemente abreviado apenas como "cavidade celómica". A divisão da cavidade celómica em compartimentos, por exemplo, a cavidade pericárdica, onde se desenvolve o coração, simplifica a discussão das anatomias dos animais complexos.
Nos humanos

As duas maiores cavidades do corpo humano são a cavidade ventral e a cavidade dorsal. Na cavidade dorsal localizam-se o cérebro e a medula espinal.
As membranas que rodeiam os órgãos do sistema nervoso central (o cérebro e a medula espinal), nas cavidades craniana e espinal, são as três meninges.
Os espaços revestidos de forma diferente contêm diferentes tipos de fluido. Nas meninges, por exemplo, o fluido é o líquido cefalorraquidiano e, na cavidade abdominal, o fluido contido no peritoneu,[6] membrana serosa que recobre de forma interna a cavidade e os órgãos do celoma, é um fluido seroso.
A cavidade do corpo ventral inclui a cavidade torácica, fechada pela caixa torácica, e contém os pulmões e o coração, e a cavidade abdominopélvica.
Esta última pode-se dividir em cavidade abdominal e cavidade pélvica; a abdominal contém os rins, os uréteres, o estômago, os intestinos, o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas; e a cavidade pélvica, fechada pela pélvis, contém a bexiga urinária, o sistema reprodutor e o ânus.
Referências
- ↑ Frings & Frings 1975, p. 136.
- ↑ a b VV. AA. 2010, p. 35.
- ↑ VV. AA. 2010, p. 42.
- ↑ a b Frings & Frings 1975, p. 138.
- ↑ Frings & Frings 1975, pp. 136-138.
- ↑ VV. AA. 2010, p. 134.
Bibliografia
- D'Ancona, H. (1972): Tratado de zoología. Tomo I. Barcelona: Editorial Labor, S. A.
- Frings, H. e M. Frings (1975): Conceptos de Zoología. Madrid: Editorial Alhambra, S. A. ISBN 84-2050-505-6.
- Remane, A., Storch, V. e Welsch, U. (1980): Zoología sistemática. Clasificación del reino animal. Barcelona: Ediciones Omega. ISBN 84-2820-608-2.
- VV. AA. (2010): Dicionario de bioloxía galego-castelán-inglés. Santiago de Compostela: Xunta de Galicia. Consellería de Educación e Ordenación Universitaria. Centro Ramón Piñeiro para a Investigación en Humanidades. ISBN 978-84-4534-973-1.