Ao Cavaquinho de Ouro
Ao Cavaquinho de Ouro foi uma loja de instrumentos musicais no Rio de Janeiro[1].
Situada na rua da Alfândega, nº 168A[2], servia como ponto de encontro de músicos do chorinho carioca das duas primeiras décadas do século XX, que ali se reuniam para tocar[3]. Quincas Laranjeiras dava aulas de música no local, tendo alunos como João Pernambuco, que se tornaria seu amigo[4].
Luís de Sousa, Juca Kalut, Mário Cavaquinho, Anacleto de Medeiros e Agustín Barrios também frequentavam a loja[5]. Heitor Villa Lobos estreou ali como músico de choro, interpretando ao violão músicas de Catulo da Paixão Cearense, Ernesto Nazaré e Sátiro Bilhar[6].
História e evidências documentais
A loja Ao Cavaquinho de Ouro foi fundada no final do século XIX e estabelecida, em diferentes épocas, nas ruas centrais do Rio de Janeiro (entre elas, a rua da Carioca e rua da Alfândega). A loja funcionou como ponto de venda e oficina de instrumentos[7], além de se tornar um ponto de encontro de músicos populares do início do século XX.[8]
A existência e a divulgação da loja estão atestadas em anúncios de periódicos da época (ex. O Malho e A Capital, entre os anos 1905 e 1909), o que confirma tanto a atividade comercial quanto o uso do nome “Ao Cavaquinho de Ouro” no início do século XX.[8]
Grupos com o nome Cavaquinho de Ouro aparecem nas primeiras gravações discográficas brasileiras. Existe registro discográfico de um Grupo do Cavaquinho de Ouro publicado pela Odeon no início do século XX[9]. Estas fontes indicam que formações ligadas ao nome contribuíram para as primeiras gravações de gênero choro/samba no Brasil.[10]
Importância para o Choro e cultura Brasileira

Durante as primeiras décadas do século XX, a loja tornou-se um ponto de encontro da comunidade do choro carioca, onde professores e executantes se reuniam para tocar e trocar repertório. Nomes frequentemente relacionados ao espaço na historiografia e em fontes musicais incluem Quincas Laranjeiras, João Pernambuco, José (Zé) Rebello da Silva,[11][12] Mário “Cavaquinho”, Anacleto de Medeiros e, em relatos sobre estreias e apresentações informais, Heitor Villa-Lobos.[8][13]
Estudos acadêmicos sobre a origem do cavaquinho e sobre a cena do choro no Brasil mencionam a loja como um dos espaços urbanos de sociabilidade musical que facilitaram a circulação de executantes, técnicas e repertório, papel relevante para a formação de práticas instrumentais e redes de professores e alunos no Rio de Janeiro.[10][14]
Referências
- ↑ A valsa Clélia, escrita por Luiz de Souza. Museu da Imagem e do Som, 9 de julho de 2014
- ↑ «Ao Cavaquinho de Ouro». O Fluminense. Niterói. 11 de agosto de 1912. p. 1. Consultado em 12 de julho de 2019
- ↑ MELLO, Jorge. João Pernambuco. Um olhar sobre sua obra. Página 10
- ↑ PRANDO, Flávia Rejane. Othon Salleiro: Um Barrios Brasileiro? Análise da linguagem musical do compositor-violonista (1910-1999). Página 63
- ↑ DINIZ, André. O Rio musical de Anacleto de Medeiros: a vida, a obra e o tempo de um mestre do choro. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. Página 46
- ↑ GRIECO, Donatello. Roteiro de Villa-Lobos. Brasília: FUNAG, 2009. Página 18
- ↑ Taborda, Marcia E. (2021). «O violão na corte imperial - 2a edição revisada» (PDF). Gov.br. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ a b c Lima, Luciano (6 de julho de 2023). «José Rebello da Silva: pioneiro do violão brasileiro e das marchas do Ameno Resedá». Periódicos Udesc. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ «Grupo Cavaquinho de Ouro». Discografia Brasileira - Instituto Moreira Salles. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ a b Freitas, Marcos Flávio de Aguiar; Borém, Fausto. «O Choro em Belo Horizonte: Aspectos históricos, compositores-intérpretes e suas obras». Revistas UFG. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ «José Cavaquinho». Acervo CasadoChoro. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ https://www.proquest.com/docview/3167562356?pq-origsite=gscholar&fromopenview=true&sourcetype=Scholarly%20Journals
- ↑ de Morais, Everson Neves (2021). «Irineu de Almeida e o Oficleide: o resgate de um instrumento esquecido» (PDF). Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ Ribeiro, Jamerson Farias (2019). «A construção estilística do cavaquinho e os processos de transmissão musical no choro: a relação Galdino-Álvares-Canhoto». Econtents Unicamp. Consultado em 10 de novembro de 2025