Cauda preênsil
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Uma cauda preênsil é a cauda de um animal que se adaptou para agarrar ou segurar objetos.[1] Caudas totalmente preênseis podem ser usadas para segurar e manipular objetos, auxiliando especialmente animais arborícolas a encontrar e consumir alimentos nas árvores. Se a cauda não pode ser usada para esse fim, é considerada parcialmente preênsil; tais caudas são frequentemente usadas para ancorar o corpo do animal ao se pendurar em um galho ou como auxílio para escalar. O termo preênsil significa "capaz de agarrar" (do latim prehendere, segurar, agarrar).[2]
Evolução
Um ponto de interesse é a distribuição de animais com caudas preênseis. A cauda preênsil é predominantemente uma adaptação do Novo Mundo, especialmente entre mamíferos.[1] Há muito mais animais com caudas preênseis na América do Sul do que na África e no Sudeste Asiático. Argumenta-se que animais com caudas preênseis são mais comuns na América do Sul devido à maior densidade das florestas locais em comparação com as da África ou do Sudeste Asiático.[3] Em contrapartida, florestas menos densas, como as do Sudeste Asiático, apresentam maior abundância de animais planadores, como colugos ou serpentes planadoras como as do gênero Chrysopelea; poucos vertebrados planadores são encontrados na América do Sul. As florestas tropicais sul-americanas também se diferenciam por terem mais lianas, já que há menos animais grandes para comê-las em comparação com a África e a Ásia; a presença de lianas pode facilitar a escalada, mas dificultar o voo planado.[4] Curiosamente, a Austrália-Nova Guiné possui muitos mamíferos com caudas preênseis e também muitos que podem planar; de fato, todos os mamíferos planadores australianos têm caudas preênseis em algum grau.
Anatomia e fisiologia
Caudas são, em grande parte, uma característica de vertebrados; no entanto, alguns invertebrados, como escorpiões, também possuem apêndices que podem ser considerados caudas. Contudo, apenas vertebrados são conhecidos por terem desenvolvido caudas preênseis. Muitos mamíferos com caudas preênseis possuem uma área sem pelos para facilitar a aderência.
Animais com caudas totalmente preênseis
Peixes
- Cavalos-marinhos. Os cavalos-marinhos possuem caudas totalmente preênseis, que utilizam para se fixar em objetos como ervas marinhas, algas, esponjas, corais ou até objetos artificiais.[5]

Mamíferos
- Binturong. Um dos poucos animais do Velho Mundo com caudas totalmente preênseis.[6]
- Rato-espigueiro. Outro mamífero do Velho Mundo, Micromys minutus também possui uma cauda totalmente preênsil. É comumente encontrado em áreas de gramíneas altas, como plantações de cereais (especialmente trigo e aveia), margens de estradas, sebes, juncais, valas e pântanos salgados.[7]
- Pangolim-arborícola. Um dos poucos mamíferos do Velho Mundo com uma cauda totalmente preênsil.[7]
- Microgale longicaudata, uma espécie arborícola da família dos tenrecos.[8]
- Ornitorrinco. O monotremado semiaquático encontrado na Austrália. Assim como os gambás, os ornitorrincos coletam folhas para forrar seus ninhos, usando a cauda para carregar os materiais coletados.[9]
- Macacos do Novo Mundo. Muitos macacos do Novo Mundo da família Atelidae, que inclui bugios, macacos-aranha e macacos-barrigudos, possuem caudas preênseis, frequentemente com uma almofada tátil sem pelos. Isso contrasta com seus primos distantes, os macacos do Velho Mundo da família Cercopithecidae que não possuem caudas preênseis.[1]
- Porcos-espinhos do Novo Mundo dos gêneros Coendou e Chaetomys possuem caudas totalmente preênseis que os ajudam a escalar e evitam quedas das árvores.[2]
- Gambás. Um grupo de marsupiais do Novo Mundo. Nativos das Américas, a cauda é ocasionalmente usada como uma pega para carregar feixes de folhas ou materiais de nidificação para o ninho.[10]
- Tamanduás. Os tamanduás são encontrados na América Central e do Sul. Nove das dez espécies de tamanduás, as sete espécies de tamanduaí e as duas espécies de pequenos tamanduás (tamanduá-mexicano e tamanduá-mirim), têm caudas preênseis.[11]
- Jupará. O jupará da América do Sul e Central é o único outro animal da ordem Carnivora, além do binturong, a apresentar essa adaptação.[3]
Animais com caudas parcialmente preênseis
Mamíferos
- Macacos do Novo Mundo. O macaco-prego possui cauda semi-preênsil na fase juvenil.[11]
- Ratos foram observados envolvendo a cauda ao redor de um objeto após correrem ao seu redor, proporcionando um pequeno equilíbrio. Também foram vistos pendurando-se brevemente em um objeto, embora não por muito tempo.
- Possums. Esse grande e diverso grupo de 70 espécies forma a subordem marsupial Phalangeriformes, encontrada na Austrália, Nova Guiné e algumas ilhas próximas. Todos os membros da subordem possuem caudas preênseis; no entanto, as caudas de alguns membros, como os Acrobatidae, têm capacidade preênsil limitada.[12] Notavelmente, todos os três grupos de marsupiais planadores pertencem a essa subordem.
- Potoroidae. Um grupo marsupial encontrado na Austrália que inclui ratos-canguru e Potorous. Eles possuem caudas fracamente preênseis, porém suficientemente preênsil para ser utilizada no transporte de material para ninhos.[12]
- Monito-do-monte. Um pequeno marsupial sul-americano com uma cauda preênsil.[8]

Répteis
- Escincos de cauda preênsil. Vários tipos de escincos (como Corucia zebrata) possuem caudas parcialmente preênseis.[13]
- Camaleões.[14]
- Serpentes. Muitas serpentes possuem caudas preênseis (ou um corpo preênsil).
- Gecko-de-crista e seus parentes possuem caudas preênseis.[14]
- Lagartos jacarés. Alguns lagartos jacarés, como o lagarto-jacaré-do-sul [en], o lagarto jacaré do Texas e os lagartos jacarés arborícolas (gênero Abronia) possuem caudas preênseis.[14]
- Urocoyledon rasmusseni.[15]
Anfíbios
- Salamandras. Várias salamandras escaladoras norte-americanas que habitam florestas possuem caudas preênseis que as ajudam a escalar. Algumas pertencem ao gênero Aneides, como A. ferreus, A. vagrans e A. lugubris. Outras incluem a grande Phaeognathus hubrichti e a salamandra-das-cavernas (Eurycea lucifuga).[16]
Referências
- ↑ a b c Fleagle, J. G. (1998). Primate Adaptation and Evolution 2nd ed. [S.l.]: Academic Press. 172 páginas. ISBN 978-0-12-260341-9
- ↑ a b Roze, U. (2012). Porcupines: The Animal Answer Guide. [S.l.]: JHU Press. 32 páginas. ISBN 9781421407357
- ↑ a b Organ, J. M. (2008). The Functional Anatomy of Prehensile and Nonprehensile Tails of the Platyrrhini (Primates) and Procyonidae (Carnivora). [S.l.]: Johns Hopkins University. ISBN 9780549312260
- ↑ «Life in the Rainforest». Consultado em 21 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 6 de maio de 2006
- ↑ Otfinoski, Steven (2008). Seahorses (em inglês). [S.l.]: Marshall Cavendish. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Binturong | San Diego Zoo Animals & Plants». animals.sandiegozoo.org. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b Nowak, Ronald M. (1999). Walker's mammals of the world. 2. Internet Archive. [S.l.]: Baltimore : Johns Hopkins University Press. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b Nowak, Ronald M.; Walker, Ernest P. (Ernest Pillsbury) (1991). Walker's mammals of the world. 1. Internet Archive. [S.l.]: Baltimore : Johns Hopkins University Press. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Nature on PBS (9 de outubro de 2023). Baby Platypus Caught on Camera. Consultado em 21 de novembro de 2025 – via YouTube
- ↑ González, E.M.; Claramunt, S. (2000). «Behaviors of captive short-tailed Opossums, Monodelphis dimidiata (Wagner, 1847) (Didelphimorphia, Didelphidae)». Mammalia. 64 (3): 271–286. doi:10.1515/mamm.2000.64.3.271
- ↑ a b Reis, Nelio; Peracchi, A. L.; Pedro, W. A; Lima, I. P (5 de julho de 2006). Mamíferos Do Brasil. Isaac Passos De Lima, Nelio Roberto Dos Reis, Wagner André Pedro. [S.l.]: Reis
- ↑ a b Strahan, Ronald (1995). Mammals of Australia. Internet Archive. [S.l.]: Washington, D.C. : Smithsonian Institution Press. Consultado em 30 de novembro de 2025
- ↑ Badger, D. P. (2006). Lizards: A Natural History of Some Uncommon Creatures - Extraordinary Chameleons, Iguanas, Geckos, and More. [S.l.]: Voyageur Press. ISBN 9781610604406
- ↑ a b c Vitt, Laurie J.; Caldwell, Janalee P. (2014). Herpetology: an introductory biology of amphibians and reptiles 4a ed. Amsterdam Heidelberg: Elsevier
- ↑ Naish, D. (2008). «Chinese black rhinos and deinotheres, giant sengis, and yet more new lemurs». ScienceBlogs. Consultado em 21 de novembro de 2025
- ↑ James W. Petranka (1998). Salamanders of the United States and Canada. Internet Archive. [S.l.]: Smithsonian Institution Press. Consultado em 24 de novembro de 2025