Catherine Coquery-Vidrovitch

Catherine Coquery-Vidrovitch
Catherine Coquery-Vidrovitch em 2011, no Festival Internacional de Geografia
Nome completoCatherine Coquery-Vidrovitch
Nascimento
25 de novembro de 1935 (90 anos)

Nacionalidadefrancesa
Alma materÉcole normale supérieure
OcupaçãoHistoriadora, africanista
Principais trabalhosAfrique noire: Permanences et ruptures, Petite histoire de l’Afrique

Catherine Coquery-Vidrovitch (Paris, 25 de novembro de 1935) é uma historiadora e africanista francesa, professora emérita da Universidade Paris Diderot (Paris VII). Destacou-se pelos estudos sobre a colonização, o imperialismo e o capitalismo na África subsaariana, sendo referência internacional no campo da história africana contemporânea e considerada uma das pioneiras na luta para o reconhecimento de que a África possui uma história, o que, até então, era negada por grande parte da comunidade acadêmica.[1][2]

Biografia

Formou-se na École normale supérieure de Sèvres em 1959 e defendeu sua tese de terceiro ciclo na École pratique des hautes études em 1966. Obteve sua tese de Estado em 1970, intitulada Le Congo au temps des grandes compagnies concessionnaires (1898–1930), sob a direção de Henri Brunschwig.  Foi pesquisadora visitante em centros acadêmicos de prestígio, como o Woodrow Wilson International Center for Scholars (1987), o Shelby Cullom Davis Center da Universidade de Princeton (1992) e o Humanities Research Centre da Universidade de Canberra (1995). Sua trajetória pessoal – marcada pela infância clandestina durante a ocupação nazista da França, por ser de origem judaica – influenciou sua postura intelectual engajada contra o racismo e em prol da valorização das histórias africanas.

Contribuições acadêmicas

Coquery-Vidrovitch foi pioneira em áreas como a história das mulheres africanas, a urbanização no continente e as ligações entre escravidão e colonialismo. Participou da formação de pesquisadores na França e em países africanos, integrando o grupo conhecido como “Escola de Dakar”.

Obras principais

  • Le Congo au temps des grandes compagnies concessionnaires, 1898–1930 (1970/2001)  
  • Afrique noire: permanences et ruptures (1985)  
  • Histoire des villes d’Afrique noire: des origines à la colonisation (1993)  *
  • Les Africaines. Histoire des femmes d’Afrique noire du XIXe au XXe siècle (1994) 
  • L’Afrique et les Africains au XXe siècle (1999)  
  • Des victimes oubliées du nazisme: les Noirs et l’Allemagne dans la première moitié du XXe siècle (2007)  
  • Enjeux politiques de l’histoire coloniale (2009)  
  • Petite Histoire de l’Afrique: l’Afrique au sud du Sahara de la préhistoire à nos jours (2010) Com tradução para o português: Pequena História da África a África ao Sul do Saara da Pré-História aos dias de hoje" (Tradução: Victor Villon). Rio de Janeiro: Cassará Editora, 2025.

Polêmica que motivou Petite histoire de l’Afrique

Em resposta à persistência de visões eurocêntricas e estereotipadas sobre o continente africano, Catherine Coquery-Vidrovitch decidiu elaborar uma narrativa histórica acessível que pudesse contrariar tais distorções. A historiadora havia denunciado diversas vezes o modo como os africanos eram retratados como «selvagens», «primitivos» ou «infantis» em livros escolares, filmes e discursos coloniais — representações que reforçavam hierarquias raciais e ideológicas.[3]

A polêmica ganhou especial destaque após o discurso proferido por Nicolas Sarkozy, então presidente da França, na Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar, em 26 de julho de 2007. Na ocasião, Sarkozy afirmou que "o homem africano não entrou suficientemente na história"[4], frase que foi amplamente criticada por intelectuais e historiadores africanos e africanistas, entre eles Coquery-Vidrovitch. Para a autora, tal declaração resumia o peso dos preconceitos e do legado colonial que ainda persistiam no imaginário europeu sobre a África.[5]

Diante desse contexto, Coquery-Vidrovitch publicou Petite histoire de l’Afrique: l’Afrique au sud du Sahara de la préhistoire à nos jours (2016), com o objetivo de oferecer uma síntese abrangente e acessível da história africana. A obra buscou valorizar a diversidade dos processos históricos e a agência dos povos africanos, constituindo-se como resposta tanto ao discurso de Dakar quanto à permanência de representações distorcidas na cultura ocidental. A obra é considerada uma síntese já clássica das divesras décadas de pesquisa de Coquery-Vidrovitch. No Brasil, o livro foi publicado pela Cassará Editora, ampliando sua circulação entre leitores lusófonos.

Referências

  1. Bénédicte Champenois-Rousseau, « Catherine Coquery-Vidrovitch, une pionnière de l’écriture de l’histoire de ce continent », Lectures, 2021. Disponível em: https://journals.openedition.org/lectures/54108.
  2. Kodjo-Grandvaux, SéverineLe Monde, « Le choix de l’Afrique de Catherine Coquery-Vidrovitch : itinéraire d’une pionnière », 23 nov. 2021. Disponível em: [https://www.lemonde.fr/idees/article/2021/11/23/le-choix-de-l-afrique-de-catherine-coquery-vidrovitch-itineraire-d-une-pionniere_6103227_3232.html.
  3. OLIVA, Anderson Ribeiro. A África ensinada no Brasil: ensaio sobre a história da África no currículo escolar. Brasília: UnB, 2007. Disponível em PDF.
  4. SARKOZY, Nicolas. Discurso proferido em Dakar, 26 de julho de 2007.
  5. COQUERY-VIDROVITCH, Catherine: Pequena História da África: da Pré-história ao dias de hoje. (Tradução: Victor Villon) Rio de Janeiro, Cassará Editora, 2025

Ligações externas