Cataratas de Boioma

Os pescadores de Wagenya, no meio do rio Lualaba, perto de Quissangane, praticando pesca artesanal na Catarata de Wagenya, a última das sete cataratas de Boioma

As cataratas de Boioma (em suaíli: Maporomoko ya Maji ya Boyoma; em francês: chutes de Boyoma), anteriormente conhecidas como cataratas de Stanley (em homenagem ao explorador europeu Henry Morton Stanley), são uma série de sete cataratas,[1] cada uma com no máximo 5 m de altura, estendendo-se por mais de 100 km ao longo de uma curva do rio Lualaba entre as cidades portuárias fluviais de Ubundu e Quissangane, no centro-norte da República Democrática do Congo.[2] As sete cataratas têm uma queda total de 61 m, mas não podem ser consideradas cachoeiras e sim corredeiras.[3] São uma das maiores quedas d'água em volume de vazão anual do mundo, sendo comparadas as Cataratas de Inga, as Cataratas do Niágara e as Cataratas do Iguaçu.[3]

As duas principais cataratas são a primeira, abaixo de Ubundu, formando um riacho estreito e tortuoso de difícil acesso, e a última, que pode ser vista e visitada a partir de Quissangane. À jusante das corredeiras, o Lualaba é conhecido como Rio Congo. O Caminho de Ferro Quissangane-Ubundu, de bitola de 1 m, contorna a série de corredeiras. A linha é um desvio logístico deste curso não navegável causado pelas cataratas.[4]

A última das sete cataratas das Cataratas de Boioma também é conhecida como Catarata de Wagenya (ou Vaguenia), referindo-se aos pescadores locais de Wagenya, que desenvolveram uma técnica especial para pescar no rio.[2] Eles constroem sistemas de andaimes de madeira nas corredeiras do Lualaba, fixados em buracos esculpidos na rocha pela corrente de água.[2] Estes andaimes servem como âncoras para cestos presos a cipós que servem como armadilhas de pesca[5] para peixes grandes.[2] Os cestos são abaixados nas corredeiras para "peneirar" as águas em busca de peixes.[2] É um método de pesca muito seletivo, pois esses cestos são bem grandes e apenas peixes grandes ficam presos.[2]

Referências

  1. Oscar Ndeo; Torsten Hauffe; Diana Delicado; Alidor Busanga; Christian Albrecht (2 de maio de 2017). «Mollusk communities of the central Congo River shaped by combined effects of barriers, environmental gradients, and species dispersal». Journal of Limnology. 76 
  2. a b c d e f Henry Morton Stanley (1899). Through the Dark Continent. One. Londres: G. Newnes. ISBN 0486256677 
  3. a b «Boyomafälle». Tripomatic. 2025 
  4. «Le tronçon du chemin de fer Kisangani - Ubundu en pleine réhabilitation et le coût global estimé à 160 millions de dollars américains». Digital Congo. 2006 
  5. Jean-Pierre Langellier (21 de maio de 1979). «Le Zaïre : un géant ténébreux» (em francês). Le Monde. Consultado em 6 de julho de 2024