Catalina Rodríguez Martínez de Tardiña
| Catalina Rodríguez | |
|---|---|
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| Nome completo | Catalina Rodríguez Martínez de Tardiña |
| Pseudônimo(s) | Yara |
| Conhecido(a) por | Catalina Rodríguez de Morales |
| Nascimento | 1835 |
| Morte | 1894 |
| Nacionalidade | Cuba |
| Etnia | branca |
Catalina Rodríguez Martínez de Tardiña (Pipían, Madruga, La Habana, 1835 – Villa Clara, Cuba, 1894), também conhecida como Catalina Rodríguez e Catalina Rodríguez de Morales, foi uma poetisa, dramaturga e jornalista cubana do século XIX. Em momentos de sua carreira, utilizou o pseudônimo Yara.[1][2][3]
A produção literária de Catalina Rodríguez é um marco importante nos estudos literários cubanos, em especial do romantismo, sendo reconhecida como um alicerce no desenvolvimento do teatro e da poesia no país. Sua sensibilidade literária, escrevendo desde sátiras, reflexões, textos políticos e poesias líricas, a tornou autora expoente de Cuba no XIX. Mais recentemente, seu trabalho no jornalismo tem sido objeto de análise.[3] Devido ao impacto que exerceu no cenário cultural e literário de seu tempo, figura entre os consagrados no Diccionario de literatura cubana,[4] e outras compilações sobre autoras históricas.[2][5]
Vida e Obra
Catalina Rodríguez nasceu em uma família rica, cujo patriarca era médico. Ela teve a oportunidade de estudar, o que lhe permitiu cultivar sua paixão pela criação literária, interesse que manifestou desde cedo. Aos 15 anos, mudou-se com a família para Havana, e posteriormente para Matanzas, onde aprofundou seus estudos.[4]
Ao entrar em contato com os principais círculos literários cubanos, ficou conhecida como poetisa. Seus escritos foram publicados em diversas revistas e jornais cubanos como La Ilustración cubana, Cuba e América, o que lhe rendeu certo reconhecimento literário. Seu talento como escritora, o “domínio de métricas, bem como um uso primoroso da linguagem”[1] a tornou uma das figuras mais importantes da cena cultural cubana da época.[3]
Usou o pseudônimo Yara até seu casamento em 1866, com o botânico cubano Sebastián Alfredo de Morales (1823-1900). Com apoio do marido passou a assinar suas obras com o nome de Catalina Rodríguez de Morales.[4]
Seu legado remete a sete livros de poemas, bem como duas comédias em verso. Em seus poemas, é notada a sua “propensão à contemplação e sua ternura requintada”,[1] florescidas de sua juventude. Suas comédias foram julgadas, na época, favoravelmente por vários estudiosos.[1] Essa opinião a coloca como par de outra renomada poetisa cubana, Luísa Pérez (1837-1922), “por sua sensibilidade requintada, pela correção de seus pensamentos e por suas tendências filosóficas, juntamente com seu estilo terno, verdadeiramente poético e florido”, segundo sua contemporânea, Domitila García de Coronado.[5]
Amor patriótico
O amor patriótico é evidente na sua poesia, por exemplo, no poema Ansiedade, onde, além de sua erudição (mencionando diversas geografias do mundo), compara todas as paisagens com as de sua terra natal e cita seus grandes homens e mulheres. Em Lamentos esdrújulos, é evidente a ludicidade que caracteriza sua poesia. Esse tipo de composição está ausente na escrita de sua época e é raro na literatura em geral. O senso de humor também acontece em El fatuo afrancesado, Epístola a Elisa e no El viejo Verde, que retrata o relacionamento entre um velho apaixonado por uma adolescente.[1]
Ainda segundo Domitila García de Coronado, sua genialidade poética é prolífica e variada: "sua lira foi testada com sucesso em outros tons, e neles ela deu provas de que devia um espírito corajoso à natureza". Sobre a sátira A Elisa, Coronado afirma de forma irônica: "mais parece obra de um filósofo do que de uma mulher, está repleta de pensamentos sérios e, em mais de uma passagem, nos lembra Jorge Manrique, como o Sr. Poey apropriadamente diz no prólogo do livro”.[5]
Sua produção literária estendeu-se além das fronteiras de Cuba. Durante uma viagem à Europa em 1876, motivada pela perseguição política ao seu marido, colaborou na revista espanhola Moda Ilustrada, sediada em Cádiz também conhecida como La Moda Elegante Ilustrada (1842-1927), fundada por Abelardo de Carlos y Almansa (1822- 1884). Em 1882, assumiu a direção da revista El Álbum de Matanzas, consolidando sua influência na divulgação nacional e internacional da literatura cubana.[1]
O poema Al Trabajo (1865) foi premiado no concurso Juegos Florales, de 1865, no Liceu de Matanzas, consolidando-se como a primeira em concorrer e conquistar esse prêmio literário.[5]
Abolição da escravidão
Em Poemas, obra publicada quando tinha 30 ou 31 anos, a autora critica a escravidão em Cuba. No poema El amo i la esclava defende uma mãe que exige seu filho do senhor. O texto demonstra a coragem da poetisa, que descreve o homem branco como um ser sem coração, que, ao final do poema, mata o escravizado. Essa preocupação com os marginalizados, em especial com as mulheres, se observa também em El canto de la mendiga.[1]
Catalina Rodriguez foi a primeira a cantar em versos a abolição da escravidão no soneto Redención, publicado em 16 de outubro de 1886, no jornal havanês El País, dirigido então pelo Partido Liberal Autonomista. O texto não se destaca por sua originalidade, mas como um documento literário que marca o fim da instituição da escravatura, consequência direta da crise gerada pela Guerra dos Dez Anos.[6]
Referências
- ↑ a b c d e f g Gómez, Luis (21 de setembro de 2001). «La mujer en defensa de la mujer: voces femeninas del romanticismo cubano (Poesía y cuento)». FIU Electronic Theses and Dissertations. doi:10.25148/etd.FI08081520. Consultado em 7 de outubro de 2025
- ↑ a b Hormigón, Juan Antonio; Alvear, Inmaculada; Rodríguez, Carlos, eds. (1996). Autoras en la historia del teatro español. Col: Teoría y práctica del teatro. Madrid: Publicaciones de la Asociación de Directores de Escena de España
- ↑ a b c «Rodríguez de Morales, Catalina (ca.1835-1894). Poetisa, dramaturga y periodista cubana que marcó la historia literaria de su tiempo». MCN Biografías (em espanhol). 8 de março de 2025. Consultado em 7 de outubro de 2025
- ↑ a b c Instituto de Literatura y Lingüística de la Academia de Ciencias de Cuba. «Diccionario de la literatura cubana». www.cervantesvirtual.com (em espanhol). Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. Consultado em 7 de outubro de 2025
- ↑ a b c d García de Coronado, Domitila. “Catalina Rodríguez.” Álbum poético-fotográfico de escritoras y poetisas cubanas escrito en 1868 para la señora Doña Gertrudis Gómez de Avellaneda. La Habana: Imprenta de El Fígaro, 1926
- ↑ Martínez, Roberto Mendez (2019). Guerreros y desterrados. Cuba: Letras Cubanas
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