Castlevania (jogo eletrônico)

Castlevania
Capa do jogo para NES na versão da Europa
DesenvolvedoraKonami
PublicadoraKonami
DiretorHitoshi Akamatsu
CompositoresKinuyo Yamashita[1][2]
Satoe Terashima[1]
SérieCastlevania
PlataformaFamicom Disk System
ConversõesNintendo Entertainment System, Commodore 64, Commodore Amiga, PC MS-DOS, Microsoft Windows, Game Boy Advance, AT&T Wireless mMode Network, Virtual Console, Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One
LançamentoFamicom Disk System
  • JP: 26 de setembro de 1986
NES/Famicom
  • AN: 1 de maio de 1987
  • PAL: 19 de dezembro de 1988
  • JP: 5 de fevereiro de 1993
GênerosPlataforma,
fantasia
Modos de jogoUm jogador

Castlevania, conhecido no Japão como Akumajō Dracula[a][3](Castelo Demoníaco de Dracula), é um jogo eletrônico de ação e plataforma desenvolvido e publicado pela Konami para o Famicom Disk System em 26 de setembro de 1986. Foi portado em cartucho para o Nintendo Entertainment System (NES) e lançado na América do Norte em maio de 1987 e na Europa em dezembro de 1988. É o primeiro título da série Castlevania.

Os jogadores controlam Simon Belmont, descendente de um lendário grupo de caçadores de vampiros, que entra no castelo do Conde Dracula para destruí-lo quando este reaparece repentinamente 100 anos após seu ancestral tê-lo derrotado.[4] Foi desenvolvido em paralelo com Vampire Killer, lançado um mês depois para MSX2.

Jogabilidade

Castlevania utiliza jogabilidade de plataforma e é dividido em seis blocos de três fases cada, totalizando 18 fases. Simon Belmont pode se mover, pular, agachar, subir escadas e usar um chicote mágico (conhecido na série como "Vampire Killer") como sua principal arma de combate. Quando o jogador pressiona o botão para usar o chicote, há um pequeno atraso antes que Simon o faça.[5] O jogador começa o jogo com quatro vidas e cinco corações e deve completar o bloco de fases atual antes que o tempo acabe. Simon tem uma barra de vida, que diminui sempre que ele é atingido por um inimigo ou projétil. Uma vida é perdida se a barra ou o tempo chegar a zero, se Simon cair da parte inferior da tela ou for atingido por um teto com espinhos em movimento. Itens de comida escondidos restauram a saúde e vidas extras são ganhas em determinadas pontuações. O jogador enfrenta um chefe, geralmente inspirado em um monstro clássico de filme de terror, mitologia e literatura gótica, como a Medusa, o Monstro de Frankenstein ou a própria personificação da Morte, ao final de cada bloco, e deve vencer a batalha e coletar um orbe vermelho que restaura toda a saúde antes que o tempo acabe para avançar. O objetivo final é derrotar o próprio Conde Dracula e sua maldição ao final da Fase 18, provocando o colapso do castelo de Dracula e permitindo que o jogador reinicie o jogo com uma dificuldade maior.

Ao longo do jogo, o jogador pode encontrar e usar diversas armas secundárias, incluindo facas de arremesso, machados, frascos de água benta que funcionam como granadas de fogo – produzindo chamas quando colidem, um relógio mágico que pode congelar brevemente os inimigos e cruzes sagradas que funcionam como bumerangues. No entanto, apenas uma dessas armas pode ser carregada por vez; se o jogador pegar uma nova ou perder uma vida, a arma é automaticamente perdida. As armas secundárias requerem corações para serem usadas, que podem ser encontrados destruindo candelabros ou derrotando inimigos com o chicote. Outros itens escondidos incluem bônus de pontos (sacos de dinheiro, coroas, baús), invencibilidade temporária (jarro dourado), melhorias no comprimento e poder do chicote (corrente de metal), destruição instantânea de todos os inimigos na tela (rosário azul) e uso duplo ou triplo de qualquer arma secundária coletando um "multiplicador".

Quando todas as vidas são perdidas, o jogador tem a opção de continuar do início do bloco ou retornar à tela de título.

História

Outro século se passou e o Conde Dracula desperta de seu sono com seu Castelo e seu exército de criaturas malignas para assolar a humanidade: se ele fosse derrotado de novo, ele não seria o único a morrer, lançando uma maldição nas terras da Transilvânia. Ele rapidamente chamou a atenção de um novo Belmont; Simon Belmont, tataraneto de Christopher que foi treinado com a experiência de dois grandes caçadores de vampiros antes dele. Ocorrendo na Transilvânia, no ano de 1691, em uma noite de lua minguante, Simon chega nos portões do castelo de Dracula e inicia sua jornada, enfrentando seus monstros lacaios e guardiões chefes; um morcego gigante, a Medusa, duas múmias, o monstro de Frankenstein, a personificação da morte, antes de enfrentar o próprio Conde, o destruindo no processo.[6]

Desenvolvimento

Castlevania foi dirigido por Hitoshi Akamatsu, um admirador de cinema que abordava projetos com a "visão de um diretor de filmes", e afirmou que visuais e música do jogo foram feitos "por pessoas que conscientemente queriam trabalhar em algo cinemático".[7] Akamatsu queria que os jogadores se sentissem em um clássico filme de terror.[8]

Originalmente lançado como Akumajō Dracula para o Famicom Disk System em 1986, o jogo obteve sucesso no Japão e foi relançado sob o título de Castlevania para o NES na América do Norte em 1987 e na Europa em 1988, além de ser relançado para o Famicom sob o título original em 1993.[9] O nome internacional de Castlevania foi o resultado do desconforto do vice-presidente da Konami of America, Emil Heidkamp, com as conotações religiosas do título japonês, "Akumajō Dracula", que ele acreditava ser traduzido como "O Castelo Satânico de Dracula".[10]

Castlevania foi um dos primeiros grandes jogos de plataforma no NES, e parte de uma segunda onda de títulos para o console.[11] Seu lançamento coincidiu com o 90º aniversário da obra Dracula de Bram Stoker.[12]

Os ataques com chicote foram inicialmente planejados para atingir múltiplas direções, mas isso só veio a ser aplicado em Castlevania IV.[13] Outras sub-armas foram planejadas, como alho, estacas de madeira, e um objeto que transforma o personagem em um lobisomem, mas não chegaram a ser incluídas.[13]

Versões e relançamentos

Castlevania recebeu portes para várias outras plataformas, como PC em 1990, Game Boy Advance e celular em 2004.

Em 2016, o jogo original foi incluído como um dos 30 títulos da NES Classic Edition.[14]

Em 2019, o jogo foi incluído na Castlevania Anniversary Collection, uma compilação lançada para PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, e Microsoft Windows, como parte do aniversário de 50 anos da Konami.[15]

Trilha sonora

A trilha sonora foi composta por Kinuyo Yamashita,[1] sendo posteriormente reutilizada em diferentes jogos da série.

Recepção

 Recepção
Resenha crítica
Publicação Nota
Famitsu 34/40[17]
GameSpot 7.1/10[18]
Pontuação global
Agregador Nota média
GameRankings NES: 69%[19]
GBA: 71%[20]
Metacritic GBA: 74/100[21]

Desde o lançamento original, Castlevania recebeu várias análises positivas. O jogo vendeu impressionantemente bem e foi considerado um clássico pela Retro Gamer e IGN.[9][22]

Em 2001, a Game Informer o listou como o 48º melhor jogo já criado, afirmando que sua jogabilidade definiu o padrão da indústria.[23] Tim Turi afirmou que o Castlevania original tornou a série "lendária", e o chamou de uma "experiência essencial da série".[24]

Em 2006, a Nintendo Power o considerou como o 22º melhor jogo feito em um console Nintendo na sua lista de "200 melhores jogos",[25] e em agosto de 2008 como o 14º melhor jogo do NES.[26]

A IGN o colocou em 19º na sua lista de melhores jogos do NES, elogiando sua dificuldade, jogabilidade, trilha sonora, e visuais.[27] Lucas M. Thomas, mencionou o realismo relativo das armas, e o elogiou por não se levar tão à sério enquanto promovendo um ambiente amedrontador, com a combinação desses elementos e outros pontos culminando em um comentário sobre o jogo ser "único e maravilhoso", que influenciou futuros jogos da franquia.[28] Mark Birnbaum avaliou a versão para Virtual Console, e afirmou ter pessoalmente gostado da dificuldade e do design, mas comentando que pessoas que se frustravam rapidamente prefeririam o sucessor, Castlevania IV.[29] Lucas M. Thomas incluiu a versão de 25º aniversário da série em uma lista de aniversários esquecidos que aconteceram em 2011, comentando achar estranho Castlevania ter tantos títulos antes de seu 25º aniversário e apenas um título em 2011.[30]

A GameZone o considerou o 8º melhor jogo da franquia, com Robert Workman, editor da revista, comentando que o título envelheceu bem e que trouxe grande valor para o Wii Virtual Console.[31]

A Retro Gamer o chamou de um dos jogos mais duradouros já criados, apontando que sua capacidade de apresentar uma atmosfera adulta e desafiadora era mais importante do que sua jogabilidade única.[9]

Kurt Kalata, da 1UP.com, o elogiou pelo nível de dificuldade e design visual realista.[5]

No Japão, a revista Famitsu avaliou a versão para Famicom com 34/40.[17]

A Classic NES Series, que relançou o jogo, foi recebida com análises mistas, alcançando nota agregada de 74/100 no Metacritic e 71% no GameRankings.[20][21]

Notas

  1. 悪魔城ドラキュラ, Akumajō Dorakyura, lit. "Castelo Demoníaco do Dracula"

Referências

  1. a b c Konami Industry Co., Ltd. (30 de outubro de 1986). Vampire Killer (em inglês). Konami Industry Co., Ltd. Cena: staff credits 
  2. «Akumajou Dracula» (em inglês). Kinuyo Yamashita (via WebCite). 22 de abril de 2008. Consultado em 27 de setembro de 2010. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2010 
  3. Konami (4 de agosto de 2010). Castlevania: Harmony of Despair. Konami. Em japonês: 歴代の「悪魔城ドラキュラ」シリーズから選ばれた登場キャラクターを操作して、仲間たちと悪魔城に乗り込み、宿敵ドラキュラ伯爵に立ち向かおう。Em português: Controle os protagonistas de Castlevanias anteriores para desbravar o Castelo Demoníaco junto de amigos e derrote o velho inimigo Conde Dracula. 
  4. Akumajō Dracula instruction manual (em inglês). [S.l.]: Konami. 1986. pp. 6–7. KDS-AKM 
  5. a b Kalata, Kurt (26 de julho de 2006). «Tales From The Crypt: Castlevania 20th Anniversary Blowout from 1UP.com» (em inglês). 1UP.com. Consultado em 2 de dezembro de 2013. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2013 
  6. «Castlevania na TheCastlevaniaDungeon». TheCastlevaniaDungeon (em inglês) 
  7. «Castlevania – Developer Commentary» (em inglês). Shmupulations. Consultado em 10 de maio de 2019 
  8. «WE ASKED THE DEVELOPERS "What is the charm of Dracula?"». Micom BASIC (em inglês). Agosto de 1993. Consultado em 24 de junho de 2019 
  9. a b c McFerran, Damien. «The History of Castlevania». Retro Gamer (em inglês) 56 ed. pp. 55–61 
  10. Harris, Blake (2014). Console Wars: Sega, Nintendo, and the Battle that Defined a Generation (em inglês) First ed. New York, NY: HarperCollins. pp. 200–201. ISBN 9780062276698 
  11. Bozon, Mark (18 de janeiro de 2007). «Castlevania: The Retrospective» (em inglês). IGN. Consultado em 24 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2013 
  12. «NES Classics» (em inglês). Nintendo of Europe. Consultado em 15 de dezembro de 2013. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2012 
  13. a b The History of Castlevania: Book of the Crescent Moon (em inglês). [S.l.]: Konami. 16 de maio de 2019. pp. 48–49 
  14. «NES Classic Edition» (em inglês). Nintendo. Consultado em 16 de julho de 2020 
  15. «Castlevania Anniversary Collection» (em inglês). Konami. Consultado em 16 de julho de 2020 
  16. «Akumajo Dracula Best» (em inglês). Square Enix Music online 
  17. a b 悪魔城ドラキュラの評価・レビューとクチコミブログ (em japonês). Famitsu.com. Consultado em 25 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2013 
  18. Mueller, Greg. «Castlevania Review». GameSpot (em inglês). Consultado em 4 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 28 de outubro de 2012 
  19. «Castlevania for NES» (em inglês). GameRankings. Consultado em 1 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 27 de outubro de 2016 
  20. a b «Classic NES Series: Castlevania for Game Boy Advance» (em inglês). GameRankings. Consultado em 24 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2013 
  21. a b «Classic NES Series: Castlevania for Game Boy Advance Reviews» (em inglês). Metacritic. Consultado em 24 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2013 
  22. «Nintendo Nostalgia #12» (em inglês). IGN. 17 de janeiro de 2003. Consultado em 29 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2014 
  23. «Game Informer's Top 100 Games Of All Time (Circa Issue 100)» (em inglês). Game Informer. 16 de novembro de 2009. Consultado em 24 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2016 
  24. Turi, Tim (4 de abril de 2012). «Ranking The Castlevania Bloodline» (em inglês). Game Informer. Consultado em 5 de dezembro de 2013. Cópia arquivada em 7 de maio de 2013 
  25. «NP Top 200». Nintendo Power (em inglês). 200. Fevereiro de 2006. pp. 58–66 
  26. «Nintendo Power – The 20th Anniversary Issue!» (Magazine). Nintendo Power (em inglês). 231 231 ed. San Francisco, California: Future US. Agosto de 2008. p. 71 
  27. «19. Castlevania» (em inglês). IGN. Consultado em 24 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2014 
  28. Thomas, Lucas M. (21 de setembro de 2011). «Revisiting Castlevania on the NES» (em inglês). IGN. Consultado em 24 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 11 de janeiro de 2014 
  29. Birnbaum, Mark (30 de abril de 2007). «Castlevania Review» (em inglês). IGN. Consultado em 29 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2013 
  30. Thomas, Lucas M. (25 de outubro de 2011). «The Forgotten Anniversaries of 2011» (em inglês). IGN. Consultado em 29 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2014 
  31. Workman, Robert (27 de setembro de 2011). «Happy 25th Birthday Castlevania: The Ten Best Games In the Series» (em inglês). GameZone. Consultado em 5 de dezembro de 2013. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2013 

Ligações externas