Castelo de Doubaiazete

Castelo de Doubaiazete
Vista, à distância, do castelo e da mesquita
Informações gerais
Estilo dominanteArmênio
Otomano
Função inicialDefesa
Geografia
PaísTurquia
LocalizaçãoDoubaiazete
Coordenadas🌍
Castelo de Doubaiazete está localizado em: Turquia
Castelo de Doubaiazete
Localização do Castelo de Doubaiazete na Turquia

O castelo de Doubaiazete (em turco: Doğubayazıt Kalesi), castelo de Caracosse (em turco: Karaköse Kale) ou fortaleza de Dariunque (em armênio: Դարյունք բերդ, Dariunk’ berd) é um castelo armênio construído numa colina formada por rochas íngremes, alguns quilômetros a sudeste do centro do distrito de Doubaiazete, na província de Are, na Turquia.

Nome

O nome atual deriva de Baiazite, que foi introduzido pelo Império Otomano desde o século XVI. Propôs-se ser uma referência ao sultão otomano Bajazeto I (r. 1389–1403) ou ao irmão do sultão jalaírida Amade Jalair (r. 1382–1410), o príncipe Bajazeto.[1] Apesar disso, é possível que surgiu de uma corrupção de alguma forma nativa armênia, haja vista a menção de "Berdene Biazti" (Բերդն Բիազտի, Berdn Biazti) por Araquel de Tabriz a partir de uma cópia de 1451 do Haysmavurk (um livro litúrgico). De todo modo, antes do século XV,[2] era referida como Dariunque (Դարյունք, Dariunk’), Dareunque (Դարևունք, Dareunk’), Daroinque (Դարոյնք, Daroynkʿ), Dareonque (Դարեոնք, Dareonk’) etc.[3] Ptolemeu chamou-a Terua (Τερούα, Teroúa), de uma possível forma *Derua (Δερούα, *Deroúa).[4]

História

Vestígios arqueológicos de muralhas e relevos do século VIII a.C. confirmam que o sítio onde o castelo foi construído foi anteriormente utilizado como um assentamento do Reino de Urartu.[1] A primeira menção à fortaleza em fontes armênias foi feita por Fausto, o Bizantino (século V) em referência aos eventos do século IV do Reino da Armênia. De acordo com o cronista, estava localizada no distrito (gavar) de Cogovita da província de Airarate. Foi utilizado como local seguro para armazenar parte do tesouro real da dinastia arsácida ao menos durante os reinados de Cosroes III (r. 330–339), Ársaces II (r. 350–368) e Papa (r. 370–374).[3][5] É um ponto defensivo de difícil acesso[6] e alega-se que foi uma das fortalezas mais fortes e inexpugnáveis da Armênia. Tácito, por exemplo, referiu-se a esse lugar, ao mencionar as tropas do general Córbulo que atacaram Artaxata, de "a entrara dos [montes] Tauro.[2]

Vista lateral da fortificação e mesquita

Em 337, Cosroes III e o católico Vertanes I, o Parta (r. 327/33–341/2) se esconderam ali quando o chefe nômade Sanatruces invadiu a Armênia.[7] Em 368-369, as tropas do xainxá Sapor II (r. 309–379) do Império Sassânida tentaram capturá-la sem sucesso.[3] Em algum ponto desconhecido, quiçá no século V, foi adquirida pelos bagrátidas, que reconstruíram-na. No século VII, Simbácio IV e seu filho Basterotes II foram sepultados na fortaleza.[8] Entre 685 e 688, Asócio II construiu a Igreja do Salvador (Amenap’rkich’)[9] e foi sepultado nela.[10] No início do século X, ficou momentaneamente sob controle do emir sájida Iúçufe ibne Abi Açaje até sua conquista pelo rei Cacício I (r. 904–943/4). Em 1020, foi conquistada pelo Império Bizantino, mas rendida ao Império Seljúcida 50 anos depois. Tamerlão (r. 1370–1405) ocupou a ocupou brevemente. No início do século XV, fazia parte dos territórios do Império Safávida na Armênia Ocidental, mas foi conquistada pelo sultão Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566) no rescaldo de sua vitória na guerra de 1532–1555.[1] No final do século XVII, Isaque Paxá a refortificou e construiu um muro alto. No século XVIII, uma nova fortaleza foi construída sobre a construção original.[2] Em 1735, tropas safávidas destruíram parte do assentamento, mas não tomaram a fortaleza.[1]

Características

Segundo investigações arqueológicas realizadas no sítio, o castelo se configura numa construção armênia reutilizada e consiste em torres altas e arredondadas, alvenaria rústica, entradas deslocadas e planta irregular das paredes.[2] Imediatamente abaixo do afloramento da fortaleza está a pequena Mesquita de Selim (antiga Igreja do Salvador).[1]

Referências

  1. a b c d e Edwards 1988, p. 886-887.
  2. a b c d Hakobyan, Melik-Baxšyan & Barsełyan 1988–2001, p. 584.
  3. a b c Fausto, o Bizantino 1989, p. 459.
  4. Hewsen 1992, p. 218, nota 296; 334, nota 16.
  5. Hakobyan, Melik-Baxšyan & Barsełyan 1988–2001, p. 65.
  6. Sinclair 1989, p. 435.
  7. Grousset 1973, p. 130.
  8. Martindale, Jones & Morris 1992, p. 1364.
  9. Grousset 1973, p. 307-308.
  10. Toumanoff 1963, p. 341-343.

Bibliografia

  • Edwards, Robert W. (1988). «Bayazit». Enciclopédia Irânica Vol. III, Fasc. 8. Nova Iorque: Columbia University Press 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Grousset, René (1973) [1947]. Histoire de l'Arménie: des origines à 1071. Paris: Payot 
  • Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Պայազատ». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան [Dicionário da Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House 
  • Hewsen, Robert H. (1992). The Geography of Ananias of Širak. The Long and Short Recensions. Introduction, Translation and Commentary. Wiesbaden: Dr. Ludwig Reichert Verlag 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). «Varaztiroch». The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Sinclair, T. A. (1989). Eastern Turkey: An Architectural & Archaeological Survey Vol. III. Londres: Pindar Press 
  • Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Georgetown University Press