Castelo Dunstaffnage
| Castelo Dunstaffnage | |
|---|---|
![]() O castelo em 2024 | |
| Informações gerais | |
| Website | https://www.historicenvironment.scot/visit-a-place/places/dunstaffnage-castle-and-chapel/ |
| Geografia | |
| País | |
| Localização | Argyll and Bute |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |

O Castelo Dunstaffnage (em gaélico escocês: Caisteal Dhùn Stadhainis) é um castelo parcialmente em ruínas situado em Argyll and Bute, no oeste da Escócia. Localiza-se a 5 quilómetros de Oban, implantado sobre uma plataforma de rocha conglomerada num promontório a sudoeste da entrada do Lago Etive, sendo rodeado pelo mar em três dos seus lados. O castelo e as ruínas da capela próxima são propriedade da Historic Scotland desde 1958,[1] estando ambos classificados como monumentos marcados.[2]
O castelo data do século XIII, o que o torna um dos castelos de pedra mais antigos da Escócia, pertencendo a um grupo regional que inclui o Castelo Sween e o Castelo Tioram.[3] Erguido pelos Lordes de Lorn da família MacDougall para guardar uma localização estratégica, tem sido mantido pelo Clã Campbell desde o século XV. Até aos dias de hoje, existe um Capitão de Dunstaffnage hereditário, embora este já não resida no castelo. Dunstaffnage é conservado pela Historic Environment Scotland e está aberto ao público, contudo, a portaria do século XVI permanece como propriedade privada do Capitão. O prefixo dun no nome significa "forte" em gaélico, enquanto o restante nome deriva do nórdico antigo stafa nes, que significa "cabo das estacas".[4]
História
Antes de Dunstaffnage
Antes da construção do castelo, Dunstaffnage poderá ter sido o local de uma fortificação de Dál Riata, conhecida como Dun Monaidh, já no século VII.[5] John Monipennie registou, em 1612, que a Pedra da Coroação teria sido guardada aqui após ter sido trazida da Irlanda e antes de ser transferida para o Palácio de Scone em 843. No entanto, as ilhas de Iona e Dunadd são consideradas localizações mais prováveis, dadas as suas ligações comprovadas aos reis de Dál Riata e de Strathclyde.[6]
Hector Boece refere que a pedra foi mantida em "Evonium", local que tem sido tradicionalmente identificado como Dunstaffnage, embora, em 2010, o escritor A. J. Morton tenha identificado "Evonium" como sendo Irvine, em Ayrshire.
Os MacDougalls
Existia já um castelo neste local ao tempo de Somerled, Senhor das Ilhas.[7] No entanto, o castelo tornou-se a sede de Duncan MacDougall, Lorde de Lorn e neto de Somerled, no segundo quartel do século XIII.[8] Duncan viajou a Roma em 1237 e foi o fundador do vizinho Priorado de Ardchattan.[3] O filho de Duncan, Ewen MacDougall, herdou o título do pai na década de 1240 e expandiu a influência dos MacDougall, auto-intitulando-se "Rei das Ilhas", embora esse título pertencesse aos MacDonalds. É provável que tenha sido Ewen a edificar as três torres redondas do castelo, bem como a construir e ampliar o salão interior.[6]
Após Alexandre III ter repelido a influência nórdica em Argyll, os MacDougalls apoiaram a monarquia escocesa, e o filho de Ewen, Alexander, foi nomeado o primeiro xerife de Argyll em 1293. Contudo, apoiaram a fação de João da Escócia durante as Guerras de Independência da Escócia, que eclodiram poucos anos depois. Roberto I da Escócia derrotou o Clã MacDougall na Batalha do Passo de Brander, em agosto de 1308. Após um breve cerco, o Rei Roberto assumiu o controlo do castelo.[9] Ao contrário do que fez com outras fortalezas, o rei não a destruiu; em vez disso, nomeou um condestável e abasteceu-a, pretendendo utilizá-la para vigiar a região e as rotas marítimas. Com as terras que concedeu ao seu amigo Angus Og Macdonald, Senhor das Ilhas, que incluíam grande parte dos domínios dos MacDougall, como a vizinha ilha de Mull, o castelo revelou-se de grande utilidade para esse propósito.
Fortaleza real
Tornando-se propriedade da Coroa, Dunstaffnage passou a ser controlada por uma sucessão de guardas. Em 1431, na sequência da Batalha de Inverlochy, o rei Jaime I tomou o castelo, uma vez que os seus inimigos se encontravam ali refugiados. Em 1455, James Douglas, 9.º Conde de Douglas, pernoitou em Dunstaffnage quando se dirigia para negociar com John MacDonald, Senhor das Ilhas.[5] Este encontro ocorreu após o ataque de Jaime II ao poder dos Douglas e conduziu à assinatura do Tratado de Westminster.
Um guarda posterior, John Stewart de Lorn, era rival de Alan MacDougall e foi esfaqueado pelos apoiantes deste último quando se dirigia para o seu casamento na Capela de Dunstaffnage, em 1463; contudo, sobreviveu o tempo suficiente para proferir os seus votos. Embora MacDougall tenha tomado o castelo, acabou por ser deposto por Jaime III, que concedeu Dunstaffnage a Colin Campbell, 1.º Conde de Argyll, em 1470.[6]
O Clã Campbell

Os Condes de Argyll nomearam Capitães para supervisionar Dunstaffnage e mantê-lo operacional em seu nome. Foram efetuadas alterações nos edifícios, particularmente na portaria, que foi reconstruída por esta altura. Os Campbell eram aliados leais da casa real e, durante os séculos XV e XVI, Dunstaffnage foi utilizado como base para expedições governamentais contra os MacDonald, Senhores das Ilhas, entre outros. O rei Jaime IV visitou Dunstaffnage em duas ocasiões.[5]
Dunstaffnage esteve envolvido em confrontos durante a Guerra Civil, resistindo ao exército de Montrose em 1644. O castelo foi incendiado por tropas realistas após o fracasso da Revolta de Argyll em 1685, dirigida contra o católico Jaime VII.[5] Durante as revoltas jacobitas de 1715 e 1745, o castelo foi ocupado por tropas governamentais. Flora MacDonald, que auxiliou a fuga de Carlos Eduardo Stuart da Escócia, esteve aqui brevemente encarcerada enquanto seguia caminho para o seu aprisionamento em Londres.[5]
Segundo W. Douglas Simpson, o castelo surge na obra de Tobias Smollett, Humphry Clinker, publicada em 1771; embora Dunstaffnage não seja explicitamente nomeado, a obra apresenta "um retrato fiel da vida no castelo no terceiro quartel do século XVIII".[10]
Declínio e restauro
Os Campbell continuaram a ampliar o castelo, construindo uma nova habitação sobre a antiga ala oeste em 1725. No entanto, o restante castelo encontrava-se já em decadência.[5] Em 1810, um incêndio acidental destruiu o interior da portaria, levando os Capitães a cessarem a sua residência no local, mudando-se para a Dunstaffnage House, cerca de 2 quilómetros a sudeste. Alguns inquilinos continuaram a habitar a casa de 1725, no interior do castelo, até 1888.[6]
Em 1903, o Duque de Argyll, proprietário do castelo, deu início a trabalhos de restauro. Seguiu-se, em 1912, um processo judicial no qual o Tribunal de Sessão determinou que Angus Campbell, o 20.º Capitão hereditário, mantinha o direito de residência, não obstante a propriedade pertencer ao Duque de Argyll. As obras foram adiadas devido à Primeira Guerra Mundial e o plano de restauro total nunca chegou a ser concluído.[6] Em 1958, o 21.º Capitão e o Duque acordaram confiar o castelo à guarda do Estado, estando atualmente aberto ao público sob a gestão da Historic Environment Scotland.
Descrição

Muralhas
O castelo é uma estrutura quadrangular irregular de grande solidez, apresentando torres arredondadas em três dos seus ângulos. Mede aproximadamente 35 por 30 metros e possui uma circunferência de cerca de 120 metros. As muralhas são construídas em alvenaria de pedra irregular, com silharia de arenito nos remates, elevando-se até aos 18 metros de altura, incluindo a plataforma de rocha conglomerada sobre a qual assentam.[1]
As paredes têm até 3 metros de espessura, conferindo uma defesa robusta a esta localização altamente estratégica, que vigia a entrada do Lago Etive e o Passo de Brander mais adiante, proporcionando hoje uma vista esplêndida. O adarve (caminho de ronda), que outrora percorria a totalidade das muralhas, foi parcialmente restaurado com novas lajes de pedra. O parapeito original também já não existe. As frestas (seteiras), mais tarde convertidas em canhoneiras, são as únicas aberturas existentes. Antigamente, estavam montados nas muralhas canhões de latão recuperados de embarcações naufragadas da Armada Espanhola.[1]
Torres
Pouco depois da construção das muralhas do castelo, foram edificadas três torres redondas nos ângulos norte, leste e oeste. A torre norte, ou torre de menagem, é a maior, sendo originalmente composta por três ou quatro pisos, e terá provavelmente albergado os aposentos privados do senhor do castelo.[6]
A torre oeste é quase inteiramente interna, projetando-se mal para além do ângulo arredondado da muralha de cortina, e a sua entrada apenas era possível através do adarve (caminho de ronda). O nível do piso inferior contém uma masmorra em fosso, cujo acesso era feito pelo topo. A torre leste foi quase totalmente reconstruída no final do século XV para servir de portaria. Cada uma das torres terá sido, outrora, encimada por um telhado cónico.[11]
A portaria

A portaria foi construída pelos Campbells no final do século XV, substituindo uma antiga torre redonda no ângulo leste. Apresenta-se sob a forma de uma casa-torre de quatro pisos com acabamento em reboco tradicional escocês. A passagem de entrada atravessa metade do piso inferior abobadado, enquanto a outra metade forma as salas da guarda, com frestas viradas para o portão. O acesso atual ao portão é feito através de uma escadaria de pedra, que substituiu uma antiga ponte levadiça.[11]
A torre foi remodelada no século XVIII para incluir salas de receção e uma suíte privada. As trapeiras no topo são rematadas pelos frontões da casa de 1725 e ostentam a data, o brasão dos Campbell e as iniciais AEC e DLC, referentes a Aeneas Campbell, 11.º Capitão, e à sua esposa, Lilias. Os frontões foram transferidos para este local durante os trabalhos de restauro de 1903.[8]
Alas internas

A ala leste situava-se entre as torres norte e leste, embora atualmente restem apenas as fundações. Esta era a ala principal de edifícios e continha um grande salão situado sobre caves abobadadas. O salão possuía janelas de arco quebrado duplo, decoradas com padrões esculpidos, que foram mais tarde emparedadas; os seus contornos ainda podem ser observados na face interna da muralha de cortina leste.[11]
Uma segunda ala estendia-se ao longo da muralha noroeste e estaria ligada à ala do salão através da torre de menagem. O rés-do-chão albergava uma cozinha. Em 1725, esta ala foi remodelada, transformando-se numa casa de dois pisos, com acesso por uma escadaria de pedra e encimada pelas trapeiras que hoje fazem parte da portaria. O poço situado à frente é original, embora a grande estrutura de pedra que o rodeia date do século XIX.[6]
Capela de Dunstaffnage

A cerca de 150 metros a sudoeste do castelo encontram-se as ruínas de uma capela. Esta foi também mandada construir por Duncan MacDougall de Lorn, como capela privada, e apresenta um trabalho em pedra detalhado de qualidade excecional. Especialistas acreditam que a capela foi edificada no segundo quartel do século XIII.[6][12]
A capela mede 20 por 6 metros e possuía outrora um telhado de madeira. As janelas de arco quebrado exibem ornamentos esculpidos em "dente de cão" e possuem, no interior, arcos de frouxel largo de belo efeito. Em 1740, a capela já se encontrava em ruínas, altura em que foi construída uma ala funerária na extremidade leste, destinada a servir de local de repouso para os Campbells de Dunstaffnage.[6][12]
Capitão de Dunstaffnage
Tradicionalmente, um oficial designado como Capitão Hereditário de Dunstaffnage é o responsável pelo castelo e pela sua defesa. O cargo ainda existe e, para manter o título (que atualmente é uma sinecura sem significado militar), o seu detentor é obrigado a pernoitar três noites por ano no castelo. Atualmente, não existem outras

responsabilidades ou privilégios associados ao cargo.
O fantasma do castelo
Diz-se que um fantasma, conhecido como a "Ell-maid de Dunstaffnage", assombra o castelo. Sendo um tipo de gruagach (uma criatura do folclore gaélico), afirma-se que as aparições do fantasma estão associadas a eventos importantes na vida dos guardas hereditários.[5]
Ver também
- Monumento marcado
- Lista de castelos da Escócia
- Lista de castelos na Inglaterra
- Lista de castelos da Irlanda do Norte
- Lista de castelos do País de Gales
Referências
- ↑ a b c «Castles of Scotland - Dunstaffnage Castle» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Dunstaffnage Castle and Chapel» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ a b Tabraham, Chris (2005). Scotland's Castles (em inglês). [S.l.]: Batsford. ISBN 978-0-7134-8943-9. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Watson, W. J. (1907). «Innis in Place-Names». The Celtic Review (em inglês) (11): 239–242. ISSN 1755-6066. doi:10.2307/30023308. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f g Coventry, Martin (2000). The castles of Scotland : a comprehensive reference and gazetteer to more than 2700 castles and fortified cities (em inglês). Escócia: Goblinshead. ISBN 978-1-899874-27-9. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f g h i Grove, Doreen (2004). Dunstaffnage Castle & Chapel (em inglês). [S.l.]: Historic Scotland. ISBN 978-1903570968
- ↑ MacPhee, Kathleen M. (2004). Somerled: Hammer of the Norse (em inglês). [S.l.]: NWP. ISBN 978-1-903238-24-0. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ a b Walker, Frank Arneil (2000). Argyll and Bute (em inglês). [S.l.]: Penguin. ISBN 978-0-14-071079-3. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Penman, Michael A. (2014). Robert the Bruce : King of Scots (em inglês). New Haven: Yale University Press. ISBN 978-0-300-14872-5. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Simpson, W. Douglas (1958). Dunstaffnage Castle and the Stone of Destiny (em inglês). Edimburgo: Oliver And Boyd
- ↑ a b c Lindsay, Maurice (1986). The castles of Scotland (em inglês). Londres: Constable. ISBN 978-0-09-464600-1. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Dunstaffnage Chapel | Place | trove.scot» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026
