Caso Rubem e Marlene Heger
| Caso Rubem e Marlene Heger | |
|---|---|
| Local do crime | Cachoerinha e Canoas, Rio Grande do Sul |
| Data | 27 de fevereiro de 2022 |
| Tipo de crime | Homicídio qualificado Ocultação de cadáver |
| Vítimas | Rubem Heger e Marlene Heber |
| Mortos | 2 |
| Desaparecidos | 2 |
| Réu(s) | Cláudia Heger e Andrew Heger Ribas |
| Situação | Cláudia - falecida na prisão Andrew - condenado a 53 anos de prisão |
O caso Rubem e Marlene Heger refere-se ao desaparecimento e morte do casal Rubem e Marlene Heger em Cachoerinha, no Rio Grande do Sul, em 27 de fevereiro de 2022. A filha Cláudia de Almeida Heger e o neto Andrew Heger Ribas viraram réus pelos crimes, mas Cláudia não chegou a ser julgada, pois faleceu em março de 2025. Já Andrew foi condenado a 53 anos de prisão em agosto de 2025. [1] [2][3] [4]
O casal foi morto por uma desavença financeira, já que Cláudia queria uma quantia em dinheiro pertencente ao pai. [5]
Os corpos das vítimas nunca foram encontrados, mas o criminoso revelou em delação premiada que eles foram queimados numa churrasqueira. [1] [2]
Contexto
Rubem, de 85 anos, e Marlene, 53, moravam em Cachoerinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Claudia, que era formada em Direito, era enteada de Marlene e tinha um único filho, Andrew, que segundo o juiz, teria "prestado apoio moral, físico e logístico à mãe". Andrew foi diagnosticado com esquizofrenia após ser preso. [3] [6]
Em 2016 Cláudia havia forjado um falso sequestro para extorquir o pai, o que havia piorado a relação familiar. O Diário Gaúcho reportou em junho de 2022 que familiares enfatizaram que pai e filha não tinham uma "relação próxima", que ela sequer "costumava visitá-lo" e que "estranharam que ela tivesse ido até a moradia naquela data" . [6]
Crime
No domingo de 27 de fevereiro de 2022 imagens de câmeras gravaram a chegada dos criminosos à casa das vítimas num carro de vidros escuros pouco antes do meio dia. Logo depois eles colocaram colchões na entrada da garagem para, segundo as investigações, impedir a visualização do local. Eles deixaram a residência com o carro à tarde e fecharam o portão, apesar de não ser possível ver se as vítimas estavam no veículo. [7] [6]
Semanas depois, outro neto de Rubem estranhou o sumiço do avô, que sofria de problemas pulmonares e que dificilmente ficava longe de casa devido a seus problemas de saúde, e procurou a polícia.
Motivação
As vítimas foram mortas para que a filha pudesse ter acesso ao dinheiro em posse do idoso, uma quantia de mais de 70 mil reais. “É fácil perceber a probabilidade de ser reconhecido o dolo dos agentes que, em razão de conflitos familiares e interesse financeiro, se deslocaram até a residência das vítimas com o intento de matá-las”, justificou o juiz na decisão, em setembro de 2023, de enviar os dois a júri popular. [5] [3]
Investigações
Após a polícia iniciar as investigações, em maio de 2022, Claudia alegou que o pai e a madrasta haviam saído voluntariamente de sua casa em Cachoerinha para ir com ela a Canoas, onde morava, e que haviam sumido enquanto ela não estava em casa. No entanto, com a apreensão dos celulares da filha e do neto, foram encontradas fotos de lugares ermos diversos. Os policiais também analisaram imagens de câmeras de vídeo e descobriram a dinâmica do que aconteceu no local do crime. [8] [9]
Apesar dos corpos nunca terem aparecido, investigadores encontraram outros indícios incriminatórios, como notas fiscais que mostram que Cláudia comprou utensílios numa ferragem, como uma lona de caminhão, braçadeiras plásticas e fita crepe em 9 de fevereiro, além de braçadeiras de nylon, tinta spray e fita tape em 16 de fevereiro. Em 11 de fevereiro a ré também tinha levado o carro até uma oficina para colocação de película escura nos vidros. Sangue e DNA de Rubem também foram encontrados na casa do casal em Cachoerinha.[7] [10]
Na denúncia feita pelo Ministério Público, as autoridades concluíram "que Cláudia e o filho foram de automóvel à residência do casal supostamente para realizar uma faxina. Ao estacionaram no pátio, usaram colchões para bloquear a vista para a garagem. Depois de matarem as vítimas, usaram o veículo, do qual foi retirada a forração para evitar resquícios das vítimas (fraude processual), para transporte dos corpos - que foram ocultados".
Prisão, julgamento e pena
Cláudia, que tinha 51 anos, foi presa em 06 de maio de 2022. Ela chegou a ficar em prisão domiciliar, mas voltou a ser presa em maio de 2023, tendo falecido em 20 de março de 2025 de complicações relacionadas a doenças como diabetes, obesidade, hipertensão arterial e infecção do trato urinário. [10][3][4]
Ambos tinham virado réus pelos crimes de duplo homicídio qualificado (com as qualificadoras de dissimulação, motivo torpe e traição) ocultação de cadáver, maus-tratos a animal doméstico, por terem matado a cachorra das vítimas, e fraude processual. Cláudia também foi acusada de desacato e o réu por resistência à abordagem policial. [3]
Andrew chegou a ser considerado inimputável e ficou, até seu julgamento, no Instituto Psiquiátrico Forense de Porto Alegre. No entanto, com sua condenação pelo crime em 07 de agosto de 2025 a mais de 53 anos de prisão, ele passou a cumprir a pena num presídio. Ele "se muda do Instituto Psiquiátrico Forense para o presídio, local onde deverá habitar por muitos anos, refletindo sobre os vários crimes que praticou e as vidas que tirou", disse o promotor de Justiça após a leitura da sentença. [11] [1] [2]
Delação
Andrew reportou em delação premiada que os corpos foram levados até Canoas, onde foram queimados na churrasqueira da casa da mãe ao longo de 36 horas e que as cinzas e os restos mortais das vítimas foram posteriormente jogados num matagal perto do Rio Gravataí. [4] [12]
Leia também
Referências
- ↑ a b c «Cancelado júri de acusados de matar casal em Cachoeirinha». TJRS. 26 de novembro de 2024
- ↑ a b c «Cachoeirinha: MPRS obtém condenação de 52 anos de homem acusado de matar o avô e a mulher dele». MPRS. 7 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e «Mãe e filho vão a júri por morte de casal de idosos em Cachoeirinha». TJRS. 15 de setembro de 2023
- ↑ a b c «Ré por matar pai e madrasta e queimar os corpos no RS morre após sair da prisão para tratar infecção e comorbidades». G1. 24 de março de 2025. Consultado em 26 de março de 2025
- ↑ a b «Um ano depois, como está o caso de desaparecimento de casal em Cachoeirinha». GZH. 27 de fevereiro de 2023. Consultado em 26 de maio de 2023
- ↑ a b c Mendes, Leticia (11 de junho de 2022). «"Se alguém fez alguma coisa para o meu pai, não fui eu", diz filha que é ré por sumiço e morte de idoso em Cachoeirinha | DG». Diário Gaúcho. Consultado em 7 de abril de 2024
- ↑ a b «Desaparecimento de casal em Cachoeirinha completa um ano; relembre a história». G1. 28 de fevereiro de 2023. Consultado em 26 de maio de 2023
- ↑ Povo, Correio do. «Polícia Civil indicia filha e neto no caso do casal desaparecido em Cachoeirinha». Correio do Povo. Consultado em 28 de fevereiro de 2023
- ↑ Mendes, Leticia (11 de junho de 2022). «"Se alguém fez alguma coisa para o meu pai, não fui eu", diz filha que é ré por sumiço e morte de idoso em Cachoeirinha | DG». Diário Gaúcho. Consultado em 7 de abril de 2024
- ↑ a b NH, Jornal (18 de maio de 2023). «Justiça tem nova decisão sobre prisão de filha acusada pelo desaparecimento e morte do pai e da madrasta». Jornal NH. Consultado em 26 de maio de 2023
- ↑ «Cachoeirinha: MPRS denuncia filha e neto de idoso por homicídios e ocultação de cadáveres». Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. 2 de junho de 2022. Consultado em 7 de abril de 2024
- ↑ «"Eu não queria nada disso", declara neto acusado de matar avô e companheira em Cachoeirinha durante julgamento». GZH. 6 de agosto de 2025. Consultado em 9 de agosto de 2025