Casa de Pensão

 Nota: Se procura a telenovela baseada nesta obra, veja Casa de Pensão (telenovela).
Casa de Pensão
Casa de Pensão, Terceira edição
Autor(es)Aluísio Azevedo
Idiomaportuguês
País Brasil
AssuntoCrime, moralidade, relações sociais, degeneração
GêneroRomance naturalista
Linha temporalséculo XIX
Localização espacialRio de Janeiro
EditoraB. L. Garnier
FormatoLivro
Lançamento1884

Casa de Pensão é um romance do escritor brasileiro Aluísio Azevedo, publicado em 1884, sendo uma das obras representativas do Naturalismo no Brasil.[1] Inspirado em um crime real ocorrido no Rio de Janeiro em 1876, conhecido como Questão Capistrano, o romance explora temas como degeneração moral, interesse econômico, violência e hipocrisia social.[2]

Contexto histórico

Casa de Pensão insere-se no momento de consolidação do Naturalismo brasileiro, movimento literário marcado pela influência do pensamento científico do século XIX, como o determinismo social, o positivismo e as teorias da hereditariedade. Aluísio Azevedo utiliza o episódio criminal que inspirou a obra como base para uma crítica às estruturas sociais urbanas do Império.[3]

Enredo

A narrativa, conduzida em terceira pessoa, acompanha a trajetória de Amâncio, jovem maranhense que se muda para o Rio de Janeiro com o objetivo de estudar medicina. Ao se hospedar em uma casa de pensão administrada por João Coqueiro e Madame Brizard, Amâncio passa a viver em um ambiente marcado por interesses financeiros, manipulações e conflitos morais.

Progressivamente, o protagonista se vê envolvido em relações oportunistas e degradantes, que culminam em violência e tragédia, evidenciando a crítica naturalista às ilusões de ascensão social e à fragilidade do indivíduo diante do meio.

Personagens principais

  • Amâncio — jovem estudante maranhense, protagonista da narrativa;
  • João Coqueiro — proprietário da casa de pensão, movido por interesses econômicos;
  • Madame Brizard — esposa de João Coqueiro, cúmplice das intrigas;
  • Amélia — irmã de João Coqueiro, envolvida com Amâncio;
  • Campos — amigo do pai de Amâncio, representante da moral burguesa;
  • Hortênsia — esposa de Campos;
  • Lúcia e Pereira — hóspedes da pensão, envolvidos em golpes e enganações.

Características da obra

Entre as principais características de Casa de Pensão, destacam-se:

  • Narrador onisciente;
  • Ênfase no determinismo social e psicológico;
  • Retrato crítico da vida urbana;
  • Personagens condicionados pelo meio;
  • Linguagem objetiva e descritiva;
  • Influência do Naturalismo europeu, especialmente de Émile Zola.[4]

Importância e recepção

Casa de Pensão ocupa posição relevante na obra de Aluísio Azevedo e na consolidação do Naturalismo no Brasil. Embora menos conhecida que O Cortiço, a obra é frequentemente estudada por sua abordagem direta da violência social e por sua inspiração em fatos reais, revelando a intenção documental do autor.[5]

Adaptações

O romance serviu de base para a telenovela Casa de Pensão, exibida pela televisão brasileira.

Referências

  1. Bosi, Alfredo (2017). História Concisa da Literatura Brasileira. [S.l.]: Cultrix. p. 205 
  2. Porto, Ana Gomes (2010). «"Pedaços de carne crua e ensanguentada": uma análise de Casa de Pensão e O Mistério da Tijuca de Aluísio Azevedo». Remate de Males 
  3. Candido, Antonio (2009). Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos. [S.l.]: Ouro sobre Azul. p. 391 
  4. Moises, Massaud (2012). História da Literatura Brasileira. [S.l.]: Cultrix. p. 213 
  5. Bosi, Alfredo (2006). O Naturalismo no Brasil. [S.l.]: Cultrix. p. 72 

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