Carranca (álbum)
| Carranca | ||||
|---|---|---|---|---|
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| Álbum de estúdio de Urias | ||||
| Lançamento | 7 de outubro de 2025 | |||
| Gênero(s) | ||||
| Duração | 41:06 | |||
| Idioma(s) | Português brasileiro | |||
| Formato(s) |
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| Gravadora(s) | Urias | |||
| Produção |
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| Cronologia de Urias | ||||
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Carranca (estilizado em letras maiúsculas) é o terceiro álbum de estúdio da cantora e compositora brasileira Urias, lançado em 7 de outubro de 2025. O projeto marca uma significativa guinada estética e sonora na carreira da artista, mergulhando em temas de liberdade, ancestralidade e brasilidade, com um forte apelo à cultura afro-brasileira e uma perspectiva afrocentrada. O título faz referência à figura da carranca, uma escultura popularmente utilizada para proteger embarcações e afastar maus espíritos, servindo como metáfora para a força, o mistério e a proteção presentes na narrativa do disco.
Composto por 14 faixas, incluindo três interlúdios narrados por Marcinha do Corintho, o álbum propõe uma travessia musical e espiritual que aborda a liberdade não como um estado idealizado, mas como uma conquista que passa pela raiva, resistência e memória ancestral. Musicalmente, Carranca afasta-se das sonoridades pop anteriores de Urias para incorporar uma fusão de gêneros como rap, R&B, jazz, groove e eletrônica.
A produção musical do disco foi comandada principalmente por Nave, Gorky e Maffalda.[1] O álbum conta com participações de artistas como Criolo (na faixa "Deus", o primeiro single), Don L, Major RD e Giovani Cidreira. O visual do projeto, sob a direção criativa de Ode, segue uma narrativa afro-surrealista, fazendo alusões a figuras históricas e a orixás como Iemanjá, Oxalá e Iansã. Carranca foi bem recido pela crítica como uma obra de arte "belíssima e muito inteligente", que consolida uma fase mais madura e conscientemente conectada às raízes da artista.
Antecedentes e Produção
Carranca sucede os álbuns Fúria (2022) e Her Mind (2023), marcando uma "nova versão musical" de Urias,[2] e uma guinada em sua trajetória artística, distanciando-se das sonoridades pop para explorar temas como ancestralidade, liberdade e resistência afro-brasileira.[3] A cantora mineira descreveu o projeto como uma fase mais madura e consciente de sua identidade.[4]
O conceito do álbum foi amarrado pela ideia da carranca, uma escultura da cultura popular que tem a função de proteção, servindo como uma metáfora de um amuleto de força e do Brasil como um país em travessia.[3][5] A faixa "Águas de Um Mar Azul" foi citada pela artista como a música que "guiou" todo o projeto, fechando um ciclo de reflexões sobre a liberdade e a busca por um amor em uma perspectiva afrocentrada, que remete à volta à Etiópia, a "Mãe Terra".[6]
A produção musical foi orquestrada principalmente por Nave, Gorky e Maffalda,[1][3] com a mixagem de Rafael Fadul e masterização de Arthur Luna. Nave Beatz e Rodrigo Gorky, amigos de Urias há cerca de 15 anos, mas até então sem um trabalho colaborativo em estúdio, deram forma ao primeiro single, "Deus". O álbum também contou com uma canção inédita de Hyldon e Fábio, composta há 50 anos, incorporada ao repertório autoral.[7]
O projeto audiovisual foi concebido com uma narrativa afro-surrealista, com direção criativa de Ode, evocando figuras históricas como Josephine Baker e Sarah Baartman, além de divindades afro-brasileiras e egípcias como Iemanjá, Oxalá, Iansã, Hórus e Ptah.[4] Os interlúdios que costuram as 14 faixas foram escritos pelo historiador francês Guillaume Blanc‑Marianne.[4] O álbum foi lançado em 7 de outubro de 2025.[2][8]
Composição e Estilo Musical
Em Carranca, Urias se distancia deliberadamente do pop comercial de seus trabalhos anteriores, como Her Mind (2023), para construir um som mais experimental e multifacetado, com a ambição de criar algo "que ainda não existia".[3][9] O álbum é uma fusão de gêneros que costura rap, R&B, jazz, groove, música eletrônica e referências afro-brasileiras, em uma obra que une espiritualidade, política e experimentação.[3][10]
O disco apresenta 14 faixas, que se conectam em uma narrativa coesa sobre liberdade e ancestralidade.[4][6] Os três interlúdios, narrados por Marcinha do Corintho, guiam a audição como uma jornada, reforçando o conceito temático do álbum.[4]
A produção, comandada por Nave, Gorky e Maffalda,[11][1] buscou criar um "território sonoro" onde o elemento do mar está consistentemente presente, servindo como símbolo de libertação e memória.[3] O resultado é um álbum ousado que se propõe a ser uma "odisseia afro-surrealista".[5]
Lançamento e Divulgação
O lançamento de Carranca ocorreu em 7 de outubro de 2025,[2][8] sendo o terceiro álbum de estúdio de Urias.[2] O anúncio do disco e de sua nova fase na carreira foi feito pela artista em agosto de 2025.[12]
A divulgação do álbum foi iniciada com o lançamento do single "Deus", uma parceria com Criolo, que serviu como a faixa de apresentação da nova sonoridade do projeto.[8] A escolha dessa canção, que mescla rock, ragga e eletrônica com uma mensagem sobre liberdade e espiritualidade, sinalizou a virada estética e conceitual do trabalho.[3]
A identidade visual do álbum, criada pelo artista plástico Isaac de Souza, e a direção criativa dos visuais por Ode, seguiram uma estética afro-surrealista,[4] que foi amplamente divulgada em teasers e nas redes sociais da cantora, reforçando a narrativa de ancestralidade e pertencimento que permeia o disco.[12][8] A tracklist completa de 14 faixas foi revelada pouco antes do lançamento, atiçando a expectativa dos fãs para as colaborações com Don L, Major RD e Giovani Cidreira.[13]
Recepção Crítica
| Críticas profissionais | |
|---|---|
| Avaliações da crítica | |
| Fonte | Avaliação |
| Aquele Tuim | |
| Música Instantânea | |
Carranca foi bem recebido pela crítica especializada, que reconheceu o projeto como um marco de maturidade artística e uma obra de grande complexidade conceitual e sonora na carreira de Urias.[4][16]
O álbum foi destacado como uma obra "belíssima e muito inteligente", que consolida a artista em uma fase visceralmente conectada às suas raízes afro-brasileiras e à ancestralidade.[16][17] A imprensa notou que a artista se permitiu "explorar" uma nova vertente musical e visual, resultando em um trabalho considerado o mais ousado de sua discografia.[3] O crítico Cleber Facchi, do portal Música Instantânea, elogiou Carranca como o trabalho mais maduro e ambicioso de Urias, destacando suas referências afro-brasileiras e o equilíbrio entre experimentação e acessibilidade.[15] O portal Aquele Tuim, por meio de Matheus José, elogiou o diálogo entre pop e referências afro-brasileiras, bem como o equilíbrio entre experimentação e apelo popular, citando faixas como “Deus”, “Etiópia” e “Herança” entre os pontos altos.[14] O crítico Rafael Lima, do site Conecta Geek, elogiou Carranca como o trabalho mais maduro e versátil da carreira de Urias. Em sua análise, ele destacou a habilidade da artista em mesclar diferentes estilos como rap, R&B, funk, soul e MPB, sem perder a coesão e a identidade pop.[18]
O afastamento do pop para incorporar elementos de rap, R&B, jazz e eletrônica foi visto como um ponto de evolução, mostrando uma artista que busca "criar um som que ainda não existia".[3][9] A narrativa coesa do álbum, costurada pelos interlúdios de Marcinha do Corintho, e a perspectiva afro-surrealista do visual foram enaltecidas por criarem uma "travessia simbólica" e uma "odisseia" de resistência.[5]
Lista de faixas
| Carranca – Edição padrão | ||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Produtor(es) | Duração | ||||||
| 1. | "A Liberdade (Intro)" |
| Narração de Marcinha do Corintho | 1:38 | ||||||
| 2. | "Deus" |
| Participação de Criolo | 2:50 | ||||||
| 3. | "Quando A Fonte Secar" | Urias | 3:22 | |||||||
| 4. | "Vénus Noir" | Urias | 2:31 | |||||||
| 5. | "Vontade De Voar" | Urias | 4:13 | |||||||
| 6. | "Oração (Interlúdio)" |
| Narração de Marcinha do Corintho | 1:25 | ||||||
| 7. | "Etiópia" | Urias | 3:34 | |||||||
| 8. | "Águas De Um Mar Azul" | Urias | 4:35 | |||||||
| 9. | "Navegar" | Urias | Produzida por Nave e Gorky | 2:34 | ||||||
| 10. | "Se Eu Fosse Você" | Urias | 2:47 | |||||||
| 11. | "Herança" |
| Participação de Giovani Cidreira | 3:26 | ||||||
| 12. | "Paciência" |
| Participação de Don L | 4:10 | ||||||
| 13. | "Eterna (Outro)" |
| Narração de Marcinha do Corintho | 1:28 | ||||||
| 14. | "Voz Do Brasil" |
| Participação de Major RD | 3:13 | ||||||
Duração total: |
41:06 | |||||||||
Turnê
- Datas
| Datas | |||
|---|---|---|---|
| Data | Cidade | País | Local |
| América do Sul | |||
| 15 de novembro[a] | São Paulo | Sonora Garden | |
| 21 de novembro[b] | São Cristóvão | Praça São Francisco | |
| 6 de dezembro[c] | Recife | Campus da UFPE Universidade Federal de Pernambuco | |
| 14 de dezembro[d] | Belém | Estádio Olímpico do Pará | |
| 20 de dezembro | São Paulo | Audio Club | |
Legado e influência
Lançado em outubro de 2025, Carranca ainda está em processo de consolidação de seu impacto de longo prazo no cenário musical brasileiro. No entanto, a recepção crítica e a repercussão cultural imediata indicam que o álbum representa um ponto de inflexão na trajetória artística de Urias e possui potencial de legado em diferentes esferas da música e da estética pop contemporânea.
Uma das principais contribuições da obra é a rearticulação do afro-surrealismo dentro da música pop. O disco apresenta uma proposta conceitual sofisticada e coerente, que se desenvolve também em sua dimensão audiovisual. Através de letras, imagens e sonoridades, a narrativa do álbum estabelece conexões diretas com símbolos da ancestralidade africana, incluindo figuras históricas, orixás e outras divindades afro-brasileiras.[4][19]
Do ponto de vista musical, Carranca distingue-se por romper com padrões sonoros mais comerciais explorados por Urias em lançamentos anteriores. O álbum adota uma abordagem experimental que funde elementos de rap, R&B, jazz e música eletrônica, sinalizando uma abertura para a ampliação de possibilidades estéticas dentro do pop nacional.[9] Essa escolha tem sido interpretada como um gesto que desafia as convenções do gênero, incentivando maior liberdade criativa e conceitual no mainstream brasileiro.[3]
Além da inovação formal, o álbum também reforça o posicionamento político e cultural da artista. As faixas abordam temas como liberdade, identidade e resistência, sob uma perspectiva afrocentrada, o que contribui para consolidar Urias como uma figura pública engajada, cuja obra vai além do entretenimento para propor reflexões críticas sobre a sociedade.[4][5] Essa postura confere à artista um papel relevante tanto na esfera artística quanto nos debates socioculturais contemporâneos.
Referências
- ↑ a b c Redação Rolling Stone (7 de outubro de 2025). «Urias lança 'CARRANCA' e inaugura fase mais madura de sua carreira». Rolling Stone Brasil. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b c d Redação PapelPop (2 de outubro de 2025). «Urias revela capa e detalhes do terceiro álbum, "CARRANCA"». PapelPop. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j Mari Pacheco (10 de outubro de 2025). «Urias desafia o pop brasileiro com "CARRANCA": "Quis criar um som que ainda não existia"». Portal Popline. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i Redação Rolling Stone (7 de outubro de 2025). «Urias lança 'CARRANCA' e inaugura fase mais madura de sua carreira». Rolling Stone Brasil. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b c d Sandro Moser (7 de outubro de 2025). «Urias lança o álbum "Carranca", uma odisseia afro-surrealista sobre liberdade e vingança». Fringe. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b Redação Pretessências (10 de outubro de 2025). «Urias lança seu novo álbum, 'CARRANCA', com participações de Criolo, Don L, Major RD e Giovani Cidreira». Pretessências. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ Web Rádio NelSons (citando Mauro Ferreira) (6 de outubro de 2025). «Urias lança música inédita de Hyldon e Fábio, composta há 50 anos, entre o repertório autoral do álbum 'Carranca'». Web Rádio NelSons. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b c d Mauro Ferreira (21 de agosto de 2025). «Urias promove 'Carranca', álbum que lança em outubro, com Criolo e 'Deus'». Rádio Viçosa 95 FM. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b c Cleber Facchi (8 de outubro de 2025). «Ouça — Urias: "Carranca"». Música Instantânea. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ Mari Pacheco (10 de outubro de 2025). «Urias desafia o pop brasileiro com "CARRANCA": "Quis criar um som que ainda não existia"». Portal Popline. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ Redação PapelPop (2 de outubro de 2025). «Urias revela capa e detalhes do terceiro álbum, "CARRANCA"». PapelPop. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b Redação Rolling Stone (11 de agosto de 2025). «Urias anuncia 'CARRANCA', 3º álbum da carreira: 'Nova versão musical de mim'». Rolling Stone Brasil. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ Levy Eduardo (30 de setembro de 2025). «Urias revela tracklist de "Carranca" e prepara fãs para lançamento». TMJ Brazil. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b Matheus José (8 de outubro de 2025). «Crítica — CARRANCA». Aquele Tuim. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ a b Cleber Facchi (8 de outubro de 2025). «Urias: "Carranca" - Crítica». Música Instantânea. Consultado em 25 de outubro de 2025
- ↑ a b Vários (11 de outubro de 2025). «Se você tolerar os vocais horriveis da Urias, CARRANCA é uma obra de arte belissima e muito inteligente». Reddit/MusicaBR. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ Redação Letras.mus.br (7 de outubro de 2025). «Urias lança 'CARRANCA', álbum marcante com raízes afro-brasileiras». Letras.mus.br. Consultado em 12 de outubro de 2025
- ↑ Leonardo Neves (24 de junho de 2024). «CRÍTICA: Urias apresenta seu álbum mais maduro e versátil em 'CARRANCA'». Conecta Geek. Consultado em 25 de outubro de 2025
- ↑ Redação Rolling Stone (7 de outubro de 2025). «Urias lança 'CARRANCA' e inaugura fase mais madura de sua carreira». Rolling Stone Brasil. Consultado em 12 de outubro de 2025
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