Carlota Filistina Bonaparte

 Nota: Para a filha de José Bonaparte, veja Carlota Bonaparte.
Carlota Filistina Bonaparte
Nascimento22 de fevereiro de 1795
Saint-Maximin-la-Sainte-Baume
Morte13 de maio de 1865 (70 anos)
Roma
SepultamentoBasílica de Santa Cruz
CidadaniaFrança
Progenitores
CônjugeDon Mario Gabrielli, Principe Gabrielli, Cavaliere Settimio Centamori
Filho(a)(s)Placido Gabrielli
Irmão(ã)(s)Lætitia Christine Bonaparte, Pietro Bonaparte, Charles Lucien Bonaparte, Paul Marie Bonaparte, Louis Lucien Bonaparte, Christine-Égypta Bonaparte
Títuloprincesa

Carlota Filistina Gabrielli (Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, 22 de fevereiro de 1795Roma, 13 de maio de 1865), nascida Carlota Filistina Bonaparte, foi uma princesa francesa da Casa de Bonaparte, filha mais velha de Luciano Bonaparte e de sua primeira esposa, Cristina Boyer. Tornou-se princesa Gabrielli após seu casamento com Mario Gabrielli, príncipe de Prossedi e Roccasecca, duque de Pisterzo . Na Itália, era conhecida apenas como Carlota.

Biografia

Carlota nasceu em Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, filha de Luciano Bonaparte e de sua primeira esposa Cristina Boyer, filha de um estalajadeiro.[1] Ela era neta de Carlo Maria Bonaparte e Maria Letícia Ramolino, e sobrinha de Napoleão Bonaparte. Sua avó paterna a apelidou de "Lolotte". Quando Carlota tinha seis anos e sua irmã mais nova Cristina Egita dois, sua mãe, na altura grávida, faleceu no Castelo de Plessis-Chamant devido a uma doença pulmonar. [2] Sob cuidados de sua família, Carlota passou sua infância entre a França e a Espanha, e, a partir de 1804, foi educada em conventos na Itália.

Quando Napoleão se divorciou de Josefina de Beauharnais[3], Paulina Bonaparte sugeriu que ele se casasse com Carlota para fortalecer o poder da família Bonaparte. Sob pressão de Napoleão, que preferia arranjar seu casamento com outra pessoa, Carlota foi levada a Paris para ficar com sua avó paterna.[2] Napoleão tentou negociar seu casamento com o Príncipe das Astúrias (futuro rei Fernando VII da Espanha) e, depois, com o Grão-duque de Wurtzbourg (futuro Fernando III da Toscana), mas sem sucesso. Durante esse tempo, Carlota escreveu a seu pai lamentando a hipocrisia da corte francesa e a feiura das mulheres que a acompanhavam, e chegou a criticar Napoleão. Suas cartas foram interceptadas pela polícia secreta de Napoleão, que então a mandou de volta para sua casa.[2]

Com a relação entre Napoleão e Luciano Bonaparte se deteriorando, Luciano decidiu partir para os Estados Unidos com Carlota, sua segunda esposa Alexandrine de Bleschamp, seus outros filhos e seus servos, no dia 5 de agosto de 1810.[2] A família foi interceptada pelos britânicos, que a mantiveram sob vigilância em Malta e depois na Inglaterra até a queda de Napoleão, em maio de 1814.[2]

Napoleão retornou ao poder durante os Governo dos Cem Dias. Carlota recebeu dele o título de "Princesa Francesa" no dia 22 de março de 1815, com o predicado de "Alteza Imperial". Em 27 de dezembro de 1815, casou-se com o príncipe romano Mario Gabrielli, membro da família Gabrielli de Gubbio, filho do senador romano Pietro Gabrielli e sobrinho do cardeal secretário de Estado Giulio Gabrielli le Jeune. Ela adotou o título de Princesa Gabrielli.

Conhecida por sua franqueza e sinceridade, foi descrita pelos italianos como "uma verdadeira Bonaparte". Mesmo após a nova queda de Napoleão, ela permaneceu fiel à memória de seu tio, e guardou uma afeição particular por sua avó paterna, à qual se manteve fiel até sua morte, em 1836, no Palazzo Bonaparte-d'Aste na Piazza Venezia em Roma.

Carlota Bonaparte foi uma grande bibliotecária, além de mecenas de um círculo intelectual que se reunia regularmente na villa de seu marido, localizada no Janículo, entre as décadas de 1820 e 1840. A Villa Gabrielli al Gianicolo se tornou um dos pontos de visita obrigatórios da Grand Tour devido à sua vista espetacular da cidade, e, atualmente, abriga o centro romano do Colégio Pontifício Norte-Americano.

Após a morte de seu marido, em 1841, Carlota Bonaparte tornou-se princesa viúva Gabrielli, e, no ano seguinte, casou-se discretamente com seu admirador, o cavaleiro Settimio Centamori. Com a ascensão do Segundo Império Francês de Napoleão III, foi reintegrada oficialmente à família imperial, recebendo o título de "Princesa Bonaparte" com o predicado de "Alteza" em 21 de fevereiro de 1853.

Ela faleceu em 6 de maio de 1865, aos 70 anos, no Palazzo Gabrielli em Roma.

Referências

  1. James Macauley (1874). «A Família Bonaparte». The Leisure Hour: A Family Journal of Instruction and Recreation (em inglês). 1200. pp. 820–821 
  2. a b c d e Marcello Simonetta; Arikha Noga (2011). Napoleon and the Rebel (em inglês). Nova York: Palgrave Macmillan. ISBN 978-0-230-11156-1 
  3. «Napoleon Bonaparte: fatos sobre sua vida, morte e carreira». History Extra (em inglês). Consultado em 28 março 2019