Carlos Parteli Keller

Carlos Parteli Keller
Arcebispo da Igreja Católica
Arcebispo Emérito de Montevidéu
Atividade eclesiástica
Diocese Arquidiocese de Montevidéu
Nomeação 17 de novembro de 1976
Predecessor Antonio María Barbieri, OFMCap.
Sucessor José Gottardi Cristelli, SDB
Mandato 1976 - 1985
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 15 de abril de 1933
Nomeação episcopal 3 de novembro de 1960
Ordenação episcopal 27 de dezembro de 1960
por Raffaele Forni
Nomeado arcebispo 26 de fevereiro de 1966
Dados pessoais
Nascimento Rivera (Uruguai)
8 de março de 1910
Morte Montevidéu
26 de maio de 1999 (89 anos)
Nacionalidade uruguaio
Funções exercidas - Bispo de Tacuarembó (1961-1966)
- Arcebispo Coadjutor de Montevidéu (1966-1976)
Títulos anteriores - Arcebispo Titular de Turris na Mauritânia (1966-1976)
dados em catholic-hierarchy.org
Arcebispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Carlos Parteli Keller (Rivera, 8 de março de 1910 – Montevidéu, 26 de maio de 1999) foi um clérigo católico romano uruguaio e arcebispo de Montevidéu.

Biografia

Carlos Parteli Keller foi o penúltimo dos seis filhos de Francesco Parteli e Maria Keller, ambos naturais do Vale de Non, Itália, que haviam imigrado para a América do Sul no final do século XIX. Carlos entrou para o Seminário Menor aos 13 anos e com 16, foi enviado por seu bispo a Roma para estudar filosofia e teologia até completar 19 anos.[1] Foi ordenado sacerdote em 15 de abril de 1933,[2] na Basílica de São João de Latrão.[1]

Quando retornou ao Uruguai, foi capelão na catedral da Florida e, a partir de 1939, secretário do bispo Paternain. Em 1942, ele foi vigário paroquial em Rivera e, posteriormente, durante 18 anos, pároco do local.[1]

Em 3 de novembro de 1960, o Papa João XXIII o nomeou bispo da recém-criada Diocese de Tacuarembó. Parteli recebeu a ordenação episcopal em 27 de dezembro daquele ano, na Catedral de Florida, pelo Arcebispo Raffaele Forni, Núncio Apostólico no Uruguai; os principais co-consagradores foram Miguel Paternain, C.Ss.R., Arcebispo Titular de Achrida e Bispo Emérito de Florida, e Umberto Tonna Zanotta, Bispo de Florida. Monsenhor Parteli foi instalado em Tacuarembó em 8 de janeiro de 1961.[2] O lema de seu brasão era Fructus In Sanctificationem.[1]

Em novembro de 1961, publicou uma famosa carta pastoral, Carta Pastoral sobre los problemas del Agro, abordando os problemas socioeconômicos da população rural.[1][3] A carta marca um ponto de virada na posição da Igreja Católica na sociedade uruguaia que, desde a separação do Estado em 1919, desconsiderava as questões sociais.[4] Já como arcebispo, em 1967, ele promulgou sua Carta Pastoral do Advento, na qual expressou suas preocupações com a situação no país. Defendeu a atenção às violações dos direitos humanos e a responsabilidade dos católicos em defendê-los, bem como a necessidade de a Igreja ser independente de qualquer tipo de poder.[4]

Monsenhor Carlos Parteli participou das quatro sessões do Concílio Vaticano II.[1][2] Como arcebispo, levou a igreja para uma perspectiva conciliar.[4]

Em 26 de fevereiro de 1966, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo Coadjutor de Montevidéu, com a sé titular de Turris na Mauritânia. Dez anos depois, em 17 de novembro de 1976, Parteli finalmente sucedeu ao Cardeal Antonio María Barbieri, OFMCap, como Arcebispo Metropolitano de Montevidéu.[2]

Ele desempenhou um papel importante na Conferência do Episcopado Latino-Americana em Medellín, como representante da Comissão Justiça e Paz.[1][3] A comissão redigiu o documento intitulado “Paz”, durante um período particularmente turbulento na região. Participou também da Terceira Conferência Geral, em Puebla, em 1979.[4] Publicou diversas cartas pastorais sobre as Comunidades de Base e a família e é considerado o criador da noção de "pecado estrutural".[1][3]

Durante os anos da ditadura militar uruguaia, ele agiu com coragem, prudência e sabedoria para garantir o triunfo da justiça. O governo tentou destituí-lo do cargo, mas Monsenhor Parteli resistiu, sempre lutando pela dignidade das pessoas. Ele disse: "Não serei preso, mas não quero ser motivo para que alguém seja preso por aquilo que digo."[1] Ele enfrentou oposição também dentro da igreja. Um relatório que ele havia enviado para sua visita ad limina de 1974 foi falsificado e enviado ao Papa Paulo VI. Após o primeiro encontro, o Papa foi informado da situação e enviou uma nota manuscrita ao Arcebispo Parteli expressando seu apreço pelo seu trabalho pastoral e reconhecendo que havia sido alertado sobre o documento falsificado.[4]

Monsenhor Parteli renunciou ao seu cargo, devido à idade, em 5 de junho de 1985,[2] e passou a viver em uma casa perto do seminário.[1] Ele faleceu em 26 de maio de 1999 e foi sepultado na Catedral Metropolitana.[5]

Referências

  1. a b c d e f g h i j Turrini, Don Fortunato (1 de agosto de 2021). «Mons. Carlo Parteli, un vescovo coraggioso da Cles a Montevideo». Giornale IL MELO (em italiano). Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  2. a b c d e «Archbishop Carlos Parteli Keller [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  3. a b c Gigacz, Stefan (3 de novembro de 1960). «Bishop Carlos Parteli Keller of Tacuarembó, Uruguay». Cardijn @ Vatican II (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  4. a b c d e «PARTELI, Carlos - Dicionário de História Cultural de la Iglesía en América Latina». www.dhial.org. Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  5. «Iglesia Matriz - Basílica». www.catedralmontevideo.org.uy. Consultado em 9 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 16 de fevereiro de 2008