Carlos Caires

| Nascimento | |
|---|---|
| Cidadania |
Português |
| Alma mater | |
| Atividade |
compositor, investigador e professor |
Carlos Caires (Lisboa, 1968) é um compositor, investigador e professor português, tendo-se dedicado principalmente à música electrónica.[1]
Biografia
Nascimento e formação
Nasceu na cidade de Lisboa, em 1968.[2] Frequentou a Escola Superior de Música de Lisboa, onde se diplomou em composição.[3] Ao mesmo tempo, foi aluno em vários cursos de verão de direcção coral e de Orquestra, tanto em território nacional como no estrangeiro.[2] Concluiu am Maîtrise em 1999, o Diplôme d’Études Approfondies, equivalente a um mestrado, em 2000, e o doutoramento em 2006, no Centre de recherche Informatique et Création Musicale, integrado na Universidade de Paris 8, tendo sido aluno de Horacio Vaggione,[1] como bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.[2]
Carreira
Trabalhou como professor na Escola de Música do Conservatório Nacional, entre 1988 e 1991, no Conservatório Regional de Setúbal e desde 1992 na Escola Superior de Música de Lisboa.[2] Nesta última instituição, coordenava em 2018 o Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira.[4] Em conjunto com Ricardo Pinheiro e Tiago Neto, também professores daquele estabelecimento de ensino, editou o livro Música, Performance e Contexto: Criação e Investigação Artística, que foi apresentada em 17 de Junho de 2024.[5]
Dirigiu igualmente o coro da Juventude Musical Portuguesa, em conjunto com o maestro Paulo Lourenço, tendo ambos fundado depois o coro Ricercare, o qual dirigiu até 1998.[6] Também exerceu como investigador na área da música, tendo participado na criação do programa informático de micromontagem sonora IRIN, no qual colaborou durante o seu doutoramento em Paris, e posteriormente no Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes.[6] Em 2001 foi um dos fundadores da formação de música contemporânea AOrchestrUtopica.[7] Fez parte do júri no Festival Audiovisual Black & White, em 2006,[8] na 29.ª edição do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, em 2007,[9] e na primeira edição do Prémio de Composição Francisco de Lacerda, em 2022.[10] Segundo a revista musical Da Capo, Carlos Caires «desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de cursos e projetos de tecnologia musical, informática musical e composição assistida por computador em Portugal.»[1]
Como compositor, dedica-se aos instrumentos a solo, grupos de câmara, orquestra média e grande, com uma obra principalmente no campo da Música electrónica.[1] Em 2025, lançou o álbum Os Sons em Volta, publicado pela editora Artway, onde compilou catorze obras criadas entre 2005 e 2022, encomendadas por diversas instituições e conjuntos musicais, como a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, o Coro Ecce, o Drumming GP, a Banda Sinfónica de Alcobaça, e a Orquestra de Sopros da Escola Superior de Música de Lisboa.[1] De acordo com a editora Artway, a sua música distingue-se «pelas surpreendentes construções sonoras baseadas em diálogos criativos entre os instrumentos acústicos e a eletrónica — ou não fosse Carlos Caires um especialista no desenvolvimento de software para música electroacústica e composição assistida por computador».[1] Foi um dos compositores convidados para o programa Novo Livro de São Vicente, organizado pelo Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, no qual foram elaboradas várias peças relacionadas com a liturgia de Sexta-Feira Santa e de Sábado Santo, inspiradas no Livro de São Vicente, uma obra do século XVI com música para as cerimónias litúrgicas da Semana Santa. A obra de Carlos Caires, Impropérios de Sexta-feira Santa, foi apresentada como parte do concerto na Igreja de São Vicente de Fora, em 2024.[11]
As suas composições musicais foram tocadas em vários eventos, tanto na Europa como na Ásia, tendo em Portugal feito parte dos festivais 100 Dias/Expo’98, Música Viva em 2003, 2006 e 2008, no Festival d’Estoril 2004, de Leiria e no ciclo Música Portuguesa Hoje-Centro Cultural de Belém, ambos em 2008.[3] Em 2009, a sua composição Crossfade fez parte do programa de um festival de música contemporânea na cidade da Guarda.[12] Durante o Festival Jovens Músicos 2011, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, foi apresentada uma composição de Carlos Caires, encomendada pela estação de rádio Antena 2,[13] e em 2012 foram estreadas peças suas na 18.ª edição do Festival Música Viva, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.[14] Em 2013, uma obra sua, inspirada no Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros, foi incluída no ciclo Futurismus, organizado pela Casa da Música, no Porto.[15][16] No concerto Nova Música para Novos Músicos, organizado na cidade de Aveiro em 2020, foram estreadas várias obras da sua autoria, combinando instrumentos acústicos e electrónica.[17] Em 2023, a sua peça Salsugem – 2.º quadro, de 2021, fez parte do programa do Festival Música Viva.[18] No estrangeiro, as suas obras foram apresentadas no Atlantic Waves Festival 2004, no Reino Unido, Festival de Dresden e no Berliner Festspiele em 2005 e 2008, na Alemanha, e na Semana Internacional de Música Electroacústica de Xangai, em 2009, na China.[3] Em 2004, as suas composições foram incluídas no repertório da pianista Ana Telles durante o Festival Colla Voce - Património e Músicas de Poitiers, em França.[19]
Distinções
Ao longo da sua carreira foi por diversas vezes distinguido: em 1995 foi agraciado com o Prémio Joly Braga Santos pela sua obra Al Niente, em 1996 com o Prémio Claudio Carneyro por Wordpainting, e em 1998 com o Prémio ACARTE, em conjunto com João Madureira, por Retábulo-Melodrama.[3]
Referências
- ↑ a b c d e f «Compositor Carlos Caires apresenta o disco "Os Sons em Volta"». Da Capo. 5 de Maio de 2025. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ a b c d «Carlos Caires». Arte no Tempo. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ a b c d «Carlos Caires». Compositores. Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ FERNANDES, Cristina (19 de Maio de 2018). «Passado e presente da música electroacústica no Festival Música Viva». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ «ESML acolhe apresentação do novo livro da Coleção Caminhos do Conhecimento». Instituto Politécnico de Lisboa. 12 de Julho de 2024. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ a b «Carlos Caires». Meloteca. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ SEABRA, Augusto M. (31 de Maio de 2005). «Utópicas e concretas». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ Agência Lusa (28 de Março de 2006). «Festival Black & White arranca com 54 trabalhos em competição». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ ANDRADE, Sérgio C. (1 de Maio de 2007). «Vinte e seis séculos de música na Póvoa de Varzim». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ Agência Lusa (30 de Julho de 2022). «Samuel Gapp vence 1.ª edição do Prémio de Composição Francisco de Lacerda». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ «Concerto 'Novo Livro de São Vicente' no Mosteiro de São Vicente de Fora». Patriarcado de Lisboa. 19 de Novembro de 2024. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ FERNANDES, Cristina (28 de Outubro de 2009). «A nova música em destaque na Guarda». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ BOLÉO, Pedro (11 de Outubro de 2011). «A música é jovem e cheia de vida». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ FERNANDES, Cristina (18 de Setembro de 2012). «As múltiplas vozes da criação musical portuguesa». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ SEABRA, Augusto M. (19 de Novembro de 2013). «Futurismo reciclado». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ ANDRADE, Sérgio C. (11 de Setembro de 2013). «Jazz, ópera e futurismo na Casa da Música». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ FERNANDES, Cristina (27 de Agosto de 2020). «Entre Beethoven e a electroacústica na bienal Aveiro_Síntese». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ FERNANDES, Cristina (4 de Maio de 2023). «Festival Música Viva mostra a diversidade da criação contemporânea». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025
- ↑ MONCHIQUE, Eurico (21 de Agosto de 2004). «Seiscentos anos de música portuguesa no Festival de Poitiers». Público. Consultado em 21 de Dezembro de 2025