Carlos Barbosa-Lima
| Carlos Barbosa-Lima | |
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| Informações gerais | |
| Nome completo | Antonio Carlos Barbosa Lima |
| Nascimento | 17 de dezembro de 1944 São Paulo, São Paulo, Brasil |
| País | Brasil |
| Morte | 23 de fevereiro de 2022 (77 anos) Paraty. Rio de Janeiro, Brasil |
| Ocupação | violonista |
Carlos Barbosa-Lima (São Paulo, 17 de dezembro de 1944 - Paraty, 23 de fevereiro de 2022)[1] foi um violonista de música popular brasileira.[2][3]
Vida pregressa
Carlos Barbosa-Lima era filho de Manuel Carlos e Eclair Soares Ribeiro Barbosa-Lima, e nasceu em 17 de dezembro de 1944, em São Paulo, Brasil; tendo crescido no bairro do Brooklin. Ele começou a tocar violão aos sete anos.[4][5]
O pai de Barbosa-Lima, Manuel Carlos, contratou um instrutor para lhe ensinar violão. As aulas passaram então do pai para o filho, e o menino ficou conhecido na vizinhança como um prodígio. Após dois anos de estudo com Benedito Moreira, o jovem foi apresentado ao violonista e compositor brasileiro Luiz Bonfá. Sob recomendação de Bonfá, Barbosa-Lima foi encaminhado a Isaías Sávio, o pai da escola de violão clássico do Brasil. A pedido da família, amigos e conhecidos, ele fez sua estreia em concerto em São Paulo, em novembro de 1957, quando tinha doze anos. No ano seguinte, apresentou-se em um programa de variedades na televisão que revelava jovens músicos e realizou um recital solo no Rio de Janeiro.[6] Ele assinou contrato com a Chantecler, então parte da RCA Brasil, e em junho de 1958 lançou seu primeiro álbum, Dez Dedos Mágicos Num Violão de Ouro.[5]
Carreira
Em 1960, Barbosa-Lima iniciou a vida de músico itinerante, fazendo turnês em Montevidéu, Uruguai, e no leste do Brasil. Ele fez sua estreia americana em Washington, D.C., em 1967. Realizou turnês pelos Estados Unidos e pela América Central e do Sul.[11] Nessa fase, Barbosa-Lima já fazia seus próprios arranjos para violão. Em 1964, lançou um álbum de arranjos de músicas do compositor popular brasileiro Catullo. Amigos ouviram esses arranjos e o incentivaram a continuar escrevendo para o instrumento.[6]
Em 1967, Barbosa-Lima fez sua estreia em Nova York na Weill Recital Hall do Carnegie Hall (então chamada Carnegie Recital Hall).[6] Mais uma vez, o concerto recebeu excelentes críticas e impulsionou sua carreira para o circuito internacional.[5] Em 1968, ele viajou a Madri para tocar para Andrés Segovia. Depois de retornar dois anos mais tarde, deu um concerto no Town Hall de Nova York. No final dessa apresentação, foi abordado por Harold Shaw e pela Shaw Concerts, que lhe ofereceram uma agenda contínua de concertos nos Estados Unidos. Com a intensa agenda de apresentações e masterclasses agora disponíveis graças à Shaw Concerts, Barbosa-Lima assumiu um cargo de professor na Carnegie Mellon University (1974–1978). Foi nessa época que sua reputação como violonista de classe mundial começou a florescer, e compositores passaram a escrever obras para ele. Um dos mais importantes foi Alberto Ginastera, que compôs a "Sonata para Violão, op. 47" especialmente para Barbosa-Lima. No fim da década (1977), Barbosa-Lima apresentou o "Concerto para Violão e Orquestra", de Francisco Mignone, no Kennedy Center em Washington, D.C.[6]
Com o início dos anos 1980, Barbosa-Lima mudou-se para Nova York (1981) e assumiu um cargo docente na Manhattan School of Music. Já instalado na cidade, começou a se apresentar com o guitarrista de jazz Charlie Byrd.[6] Ao ouvir os arranjos de Barbosa-Lima, Byrd imediatamente organizou um encontro com Carl Jefferson, dono da Concord Records. Jefferson assinou com Barbosa-Lima, e onze gravações foram posteriormente lançadas pelo selo Concord Jazz.[7] Em 1982, Barbosa-Lima passou a ter contato frequente com Antônio Carlos Jobim, um dos compositores mais populares do mundo. Barbosa-Lima frequentemente o encontrava em seu apartamento no Upper East Side, em Nova York, para jam sessions improvisadas. Dessas sessões surgiu o disco Carlos Barbosa-Lima plays Music, de Antônio Carlos Jobim and George Gershwin, um álbum “crossover” antes mesmo de o termo se tornar comum. Jobim ficou imediatamente impressionado com a técnica de arranjo para violão de Barbosa-Lima, que este descrevia como “multilinear”, basicamente significando várias vozes movendo-se simultaneamente, à maneira da técnica do violão clássico. Na época, Jobim estava mais familiarizado com a técnica brasileira, baseada no uso de “acordes em bloco”.[6]
“...Barbosa-Lima traz um ouvido atento ao contraponto e uma técnica que dá a cada linha independente sua própria voz. Em suas transcrições, encontra e define cada parte em movimento; em bossas novas e contramelodias, assim como faz em Gershwin, ele soa como uma equipe inteira de violonistas”.[8]
Em harmonia com essa técnica multilinear, o compositor cubano Leo Brouwer — amigo pessoal de longa data — disse:
“...quando, sem saber, passei por um quarto de hotel e ouvi música de violão, pensei estar ouvindo um duo; de repente reconheci a peça e percebi que era Barbosa-Lima tocando solo. Se eu não fosse violonista e compositor para violão, que percebeu um erro de um violinista durante um ensaio de uma orquestra de setenta músicos, minha confusão seria justificável. Acredito que Carlos Barbosa-Lima seja um gênio das transcrições de música latino-americana para violão.”[9]
Posteriormente, Barbosa-Lima gravou pelo selo Zoho Music, lançando cinco álbuns sob esse selo, e tanto a direção de suas gravações quanto seus repertórios passaram a seguir uma clara orientação latino-americana.[9] Em abril de 2010, Barbosa-Lima celebrou o lançamento de seu quinquagésimo disco, Merengue (Zoho Music, CD 200911), com um recital na Weill Recital Hall do Carnegie Hall. Seu último álbum, Delicado, foi lançado em 2019 e é um tributo à música brasileira, gravado com Del Casale e outros músicos.[10][4]
Vida pessoal
Barbosa-Lima morreu de ataque cardíaco em Paraty, em 23 de fevereiro de 2022, aos 77 anos.[11]
Gravações
O estilo de Carlos Barbosa-Lima integra elementos do clássico, do latino e do jazz. Sua discografia abrange mais de quarenta lançamentos ao longo de cinquenta anos.[12]
Como sua primeira gravação (aos 13 anos) foi realizada em 1958, quando a indústria fonográfica ainda não era digital, as gravações iniciais foram feitas em mídias totalmente analógicas — principalmente discos de 45 rpm, 78 rpm, LPs e fitas cassete. Sua longa relação com a Concord Records começou em 1982,[6] inicialmente também em formato analógico, e evoluiu para a era digital com CDs.
Quando a Concord mudou seu foco comercial, Barbosa-Lima estabeleceu uma nova parceria com o selo nova-iorquino Zoho Records a partir de 2001, começando pela gravação Frenesi (Zoho 200408).[13]
Repertório
- "Music for Guitar and Orchestra"
- "Concierto", de Aranjuez Joaquin Rodrigo
- "Fantasia para un gentilhombre", de Joaquin Rodrigo
- "Concierto Antillano", de Ernesto Cordero
- "Concierto del Sur", de Manuel Ponce
- "Concerto no.1", de Mario Castelnuovo-Tedesco
- "Capricio Diabolico", de Mario Castelnuovo-Tedesco
- "Concertino no.1", de Guido Santorsola
- "Concertino no.2", de Guido Santorsola
- "Concerto", de Heitor Villa-Lobos
- "A Lenda do Caboclo" (arranjo de ByronYasui), de Heitor Villa-Lobos
- "Concerto", de Francisco Mignone
- "Concerto de Copacabana", de Radanies Gnattali
- "Piccola Arieta no.2", de Byron Yasui
- "Rhapsody in Blue" (arranjo de CBL), de George Gershwin
- "Concierto en modo frigio", de Eduardo Grau
- "Eloise and Abelard", de Bobby Scott
- "Clio", de Bobby Scott
- "From Yesterday to Penny Lane" (arranjo de Brouwer), de Paul McCartney/John Lennon
- "Concertino da California", de Albert Harris
- "Suite Retratos", de Radanes Gnattali
- "Concerto" (viola brasileira), de Theodoro Nogueira
- "O Boto" (arranjo de Byron Yasui), de Antonio Carlos Jobim
- "Saudade do Brasil" (arranjo de Paulo Jobim), de Antonio Carlos Jobim
- Meu amigo Radames (arranjo de Paulo Jobim), de Antonio Carlos Jobim
- "Concerto" (arranjo de CBL), de George Frederic Handel
- "Concerto" (arranjo de CBL), de Johann Sebastian Bach
- "Modinha" (arranjo de Bobby Scott), de Francisco Mignone
- "Amazonia" (arranjo de CBL), de Laurindo Almeida
Arranjos
- "Fifteen Sonatas", de Domenico Scarlatti
- "Sonata no.2", de Johann Sebastian Bach
- "Suite", de George Frederic Handel
- "Six Lute Pieces", de Silvius Leopold Weiss
- "Several pieces", de Claude Debussy, Maurice Ravel, Erik Satie, e Gabriel Faure
- "Several pieces", de Isaac Albeniz e Enrique Granados
- "Works", de Ernesto Lecuona, Rafael Hernandez Marin, Cesar Almodovar, Enric Madriguera, Agustin Lara, Alberto Dominguez, Alvaro Carrillo, e Ruben Fuentes
- "Pieces", de Antonio Carlos Jobim, e Pixinguinha
Discografia
Fonte:[14]
- 1982 – "Plays the Music", de Antonio Carlos Jobim e George Gershwin (Concord)
- 1983 – "Plays 'The Entertainer' and Selected Works", de Scott Joplin (Concord)
- 1984 – "Plays the Music of Luiz Bonfa & Cole Porter" (Concord)
- 1985 – "Impressions" (Concord)
- 1987 – "Brazil, with Love", com Sharon Isbin (Concord)
- 1988 – "Rhapsody in Blue/West Side Story", com Sharon Isbin (Concord)
- 1989 – "Music of the Brazilian Masters", com Laurindo Almeida, Charlie Byrd (Concord Picante)
- 1991 – "Music of the Americas" (Concord Picante)
- 1991 – "Chants for the Chief", com Gaudencio Thiago de Mello (Concord Picante)
- 1993 – "Ginastera's Sonata" (Concord Jazz)
- 1995 – "Twilight in Rio" (Concord)
- 1996 – "From Yesterday to Penny Lane" (Concord)
- 1997 – O Boto (Concord)
- 2001 – "Mambo No. 5", com Eddie Gomez (Khaeon)
- 2003 – "Natalia" (Khaeon)
- 2004 – "Frenesi" (Zoho)
- 2004 – "Siboney" (Zoho)
- 2006 – "Carioca" (Zoho)
- 2007 – "Alma y Corazon", com Berta Rojas (On)
- 2009 – "Merengue" (Zoho)
- 2013 – "Leo Brouwer: Beatlerianas" (Zoho)
- 2015 – "The Chantecler Sessions Vol. 1" 1958–1959 (Zoho)
- 2016 – "The Chantecler Sessions Vol. 2" 1960–1962 (Zoho)
- 2016 – "Plays Mason Williams" (Zoho)
- 2019 – "Delicado" (Zoho)
Livros
- 1984 – "Belwin Mills Music", de Scott Joplin
- 1993 – "Mel Bay Master Anthology", de Blues Guitar Solos (Volume I) (Book/CD)
- 1993 – "Warner Bros. Music", de Isaac Albéniz (Book/CD)
- 1994 – "Mel Bay Brazilian Music for Acoustic Guitar" (two volumes)
- 1995 – "Warner Bros. Music", de Debussy e Ravel
- 1996 – "Mel Bay Suite Antilliana", composta por Ernesto Cordeiro (Book/CD)
- 1997 – "Mel Bay Brazilian Jazz Guitar Styles" (Book/CD)
- 1998 – "Mel Bay 30 Short Pieces for Guitar" (Book/CD)
- 1999 – "Mel Bay Arpreggio Studies for Guitar" (Book/CD)
Publicações
Guitar Solo Publications (GSP): arranjos, de Carlos Barbosa-Lima
- "Three American Folk Songs"
- "Four Pieces", de Luiz Bonfa
- "Six Pieces", de Dave Brubeck
- "Eleven Immortal Songs", de Catullo da Paixao Cearense
- "Samba Chorado", de Thiago de Mello
- "Nine Pieces", de Antonio Carlos Jobim
- "Seven Valsas de Esquina", de Francisco Mignone
- "Four Pieces", de Ernesto Nazareth
- "Eight Pieces", de Alfredo Viana "Pixinguinha"
- "Four Pieces", de Alfredo Vianna "Pixinguinha"
- "Impressions – Eleven Pieces", de Faure, Ravel, Debussy, Satie
- "Twelve Modinhas"
Columbia Music Company (CMC): arranjos, de Carlos Barbosa-Lima
- "Sonatas", de Domenico Scarlatti
- "Sonata No.2 (orig. violin)", de Johann Sebastian Bach
- "Suite (orig. harpsichord)", de George Frederic Haendel
- "Concerto for Guitar & String Orchestra", de George Frederic Haendel
- "Six Lute Pieces", de Sylvius Leopold Weiss
- "Cadiz", de Isaac Albeniz
- "Cordoba", de Isaac Albeniz
- "Spanish Dances No. 3 & 6", de Enrique Granados
Trabalhos originais, de vários autores, de Carlos Barbosa-Lima
- "Twelve Etudes", de Francisco Mignone (dedicado a Barbosa-Lima)
- "Suite", de Leonardo Balada
- "Sonatina", de Albert Harris
- "Partita", de John Duarte (dedicado a Barbosa-Lima)
- "Valsa-Choro", de Guido Santorsola (dedicado a Barbosa-Lima)
Warner Brothers: arranjos, de Carlos Barbosa-Lima
- "Music", de Scott Joplin
- "Music", de Isaac Albeniz
- "Music", de Debussy e Ravel
Boosey e Hawkes
- "Sonata Op.47", de Alberto Ginastera (dedicado a Barbosa-Lima)
- "Two Dances from Suite", de Danzas Criollas (arranjo de Barbosa-Lima)
Ricordi Brasileira
- "Suite Antiga", de Guido Santorsola (editado por Barbosa-Lima)
Vídeos
- 1964 - "Vereda da Salvação" (com Viola Brasileira)
- 1983 - "Deal of the Century"
- 1984 - "Selected Solos"
- 1997- "Estrada do Sol"
- 1999- "Favorite Guitar Solos" (Mel Bay)
- 2001 - "Classic Guitar" (Mel Bay)
Referências
- ↑ «CONCERTO | Violonista Carlos Barbosa-Lima morre aos 77 anos». CONCERTO | Violonista Carlos Barbosa-Lima morre aos 77 anos. Consultado em 25 de fevereiro de 2022
- ↑ «Biografia no Cravo Albin». dicionariompb.com.br. Consultado em 4 de março de 2014
- ↑ «Morre o violonista Antonio Carlos Barbosa Lima». cultura.uol.com.br. Consultado em 24 de fevereiro de 2022
- ↑ a b «Carlos Barbosa-Lima, 77, Dies; Expanded Classical Guitar's Reach (Published 2022)» (em inglês). 10 de março de 2022. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ a b c Mel Bay 2010
- ↑ a b c d e f g Del Casale, Lawrence. "Carlos Barbosa-Lima (The Chameleon, Part I, 1944–1982)". Soundboard 25:2 (Fall 1999), 7-11.
- ↑ GFA 2010
- ↑ Pareles 1982
- ↑ a b Saulter, Gerry. "An Interview with Carlos Barbosa-Lima". Classical Guitar, May 2010.
- ↑ "Guitar Greats Carlos Barbosa-Lima and Larry Del Casale Channel Brazilian Jazz Styles on "Delicado" (ALBUM REVIEW))". Glide Magazine. Retrieved 11 March 2022.
- ↑ «Carlos Barbosa-Lima, virtuoso Brazilian guitarist, dies at 77». The Washington Post (em inglês). 27 de fevereiro de 2022. ISSN 0190-8286. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ Becker
- ↑ Becker, Jochen, pres. Zoho Music 2011
- ↑ «Carlos Barbosa-Lima Songs, Albums, Reviews, Bi...». AllMusic (em inglês). Consultado em 16 de novembro de 2025
