Carlos Augusto Monteiro
| Carlos Augusto Monteiro | |
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| Nascimento | 8 de março de 1948 |
| Nacionalidade | |
| Cidadania | Brasil |
| Alma mater | |
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| Distinções |
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| Orientador(a)(es/s) | Yaro Ribeiro Gandra |
| Tese | O peso ao nascer no município de São Paulo: impacto sobre os níveis de mortalidade na infância (1979) |
Carlos Augusto Monteiro (nascido em 8 de março de 1948) é um médico e epidemiologista brasileiro, conhecido por ter cunhado o termo alimento ultraprocessado e introduzido a classificação Nova. Desde 2008, é membro titular da Academia Brasileira de Ciências.[1] Mencionado na lista da Web of Science (Clarivate Analytics) desde 2018 como um dos pesquisadores mais influentes do mundo.[2]
Formação acadêmica
Monteiro cursou medicina na Universidade de São Paulo entre 1967 e 1972. Obteve o título de mestre em medicina preventiva em 1977 e o doutorado em saúde pública em 1979. Entre 1979 e 1981, realizou estágio de pós-doutorado na Universidade Columbia. Tornou-se professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo em 1989. Entre 1990 e 1992, trabalhou no departamento de nutrição da Organização Mundial da Saúde em Genebra, sendo também professor visitante nas universidades de Bonn e Genebra. Em 1992, retornou a São Paulo, onde desde então coordena o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP (NUPENS/USP).
Carreira
Sua pesquisa se concentra especialmente em saúde pública, bem como na prevenção da obesidade e de outras doenças crônicas não transmissíveis associadas ao aumento da renda. Neste contexto, Monteiro e sua equipe desenvolveram a classificação NOVA, atualmente utilizada internacionalmente para medir o consumo crescente de alimentos ultraprocessados.[3][4]
Suas linhas de pesquisa incluem métodos para avaliação nutricional de populações, tendência secular e determinantes biológicos e socioeconômicos de doenças relacionadas à nutrição e avaliação de programas de alimentação e nutrição. É bolsista de produtividade científica do CNPq desde 1981 e pesquisador nível IA desde 1989. São destaques de sua produção científica voltada para o país: inquéritos populacionais sobre saúde e nutrição infantil realizados no município de São Paulo nas décadas de 70, 80 e 90, cujos resultados foram essenciais para redefinir o enfoque e o conteúdo dos programas nutricionais nas unidades básicas de saúde de São Paulo e, posteriormente, de todo o país; projeto temático interdisciplinar FAPESP de resgate e interpretação das tendências temporais das condições de saúde e nutrição da população brasileira na segunda metade do século XX, do qual resultou obra de fôlego ganhadora do prêmio Jabuti de melhor livro do ano na categoria Ciências Naturais e Medicina; análise de dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE de 2002-2003, que trouxe nova e crítica visão para o problema da segurança alimentar no país; projeto de desenvolvimento e validação de sistema nacional de monitoramento de fatores de risco para doenças crônicas baseado em entrevistas telefônicas, ganhador do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS de 2005 e inspirador de sistema implantado em 2006 pelo Ministério da Saúde nas 26 capitais de estados brasileiros e Distrito Federal. Como parte de sua produção científica internacional destacam-se estudos sobre determinantes da tendência secular do aleitamento materno e da mortalidade infantil em países em desenvolvimento; contribuições metodológicas para a criação de novos indicadores para a avaliação antropométrica do estado nutricional de populações; e estudos sobre o fenômeno da transição nutricional nos países em desenvolvimento. É co-chairman do comitê sobre transição nutricional da International Union of Nutritional Sciences, Editor Científico da Revista de Saúde Pública, Editor Associado da Public Health Nutrition e membro do Conselho Editorial da EDUSP e das revistas International Journal of Obesity e Epidemiologic Reviews. Integra, ainda, o comitê de experts da OMS para implementação da Global Strategy on Diet, Physical Activity and Health e a força tarefa da OPAS para eliminação das gorduras trans nas Américas.[1]
Honrarias e prêmios
A Academia Brasileira de Pediatria concedeu em 2006 a Monteiro o prêmio na categoria trabalhos publicados. Em 2009, a Thomson Reuters concedeu-lhe o Prêmio de Produtividade e Impacto Científico na categoria ciências sociais. Em 2010, a Organização Pan-Americana da Saúde concedeu-lhe o Prêmio Abraham Hortwitz de Excelência e Liderança em Cuidados de Saúde nas Américas, concedido uma vez por ano desde 1975.[5]
Desde 2008, Carlos Monteiro é membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Em 2012 tornou-se membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo.[1]
Referências
- ↑ a b c «Carlos Augusto Monteiro - ABC - Academia Brasileira de Ciências». www.abc.org.br. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ «USP tem oito pesquisadores entre os mais influentes do mundo». Jornal da USP. 26 de novembro de 2024. Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ redazione (25 de março de 2021). «ULTRA-PROCESSED FOODS: NOVA CLASSIFICATION». Food Compliance Solutions (em inglês). Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ Wilson, Bee (13 de fevereiro de 2020). «How ultra-processed food took over your shopping basket». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ Gatewood, Ashley (janeiro de 2011). «PAHEF and PAHO honour renowned Brazilian nutrition expert for Excellence in Leadership in Inter-American Health». Public Health Nutrition (em inglês) (1): 3–4. ISSN 1475-2727. doi:10.1017/S1368980010003204. Consultado em 31 de agosto de 2025
