Carlos Andrés García

Carlos Andrés García (c. 1973 – 17 de setembro de 2017) foi um político venezuelano que atuou como vereador de Guasdualito, Apure, e que morreu enquanto estava encarcerado pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN).

Prisão e morte

Em 17 de dezembro de 2016, o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN) invadiu a casa do vereador García e o prendeu após vários protestos em Guasdualito que resultaram em pelo menos três entidades bancárias saqueadas e um ferido, durante negociações entre a oposição e o governo.[1] O deputado opositor pelo estado Apure, Luis Lippa, também foi detido "para protegê-lo", violando sua imunidade parlamentar, sendo liberado pouco depois.[2] O vereador foi preso supostamente em posse de uma quantia de dinheiro em espécie, mas o partido Primeiro Justiça assegurou que as forças de segurança plantaram um pacote de cédulas que, àquela altura, já não era mais válido. As autoridades consideraram a quantia suspeita, mas García afirmou que era uma armação e declarou inocência.[3][4] García permaneceu sob custódia acusado dos crimes de roubo, incitação pública e incêndio criminoso, sem que fosse instaurado julgamento contra ele.[5] O Primeiro Justiça também denunciou que, apesar de exigir a libertação de García por razões de saúde, o governo "se recusou e o manteve injustamente detido".[6]

Em agosto de 2017, García sofreu um acidente vascular cerebral enquanto estava preso no SEBIN. Relatos indicam que os agentes de segurança recusaram-se sistematicamente a fornecer atendimento médico a García e ignoraram ordens para permitir sua transferência a um hospital. Familiares relataram que os agentes não entregaram os medicamentos prescritos que haviam sido enviados a ele. Sua irmã, Yhorlenys Aular, também reclamou que os agentes afirmavam que García estava apenas "fingindo" estar doente e que não lhe prestaram primeiros socorros.[4][6][7]

Até 17 de agosto, relatava-se que o SEBIN se recusava a transferi-lo a um centro de saúde.[8] No entanto, no dia seguinte, ele foi transferido ao Hospital Central de San Cristóbal, Táchira.[9] O Primeiro Justiça afirmou que García "só foi transferido a um centro de saúde quando já não havia possibilidade de fazer nada para melhorar sua saúde". Em 17 de setembro de 2017, a família do vereador confirmou sua morte no hospital.[10][11][12][13] Apesar de ser considerado preso político e de ter recebido o benefício da prisão domiciliar, como Leopoldo López e Antonio Ledezma, a ordem não foi cumprida pelas forças de segurança.[3] O governo se recusou a permitir a realização de autópsia no corpo.[3][4][6]

Reações

É a melhor demonstração de como um governo pode ser perverso e de como a vida dos venezuelanos pode não valer nada para um governo.

Tomás Guanipa[5]

O Primeiro Justiça declarou que a morte de García era de responsabilidade exclusiva do governo.[14][15] Colegas vereadores afirmaram que levariam o caso de García a instâncias internacionais.[16] Durante coletiva de imprensa em 18 de setembro, Tomás Guanipa, deputado e secretário-geral do Primeiro Justiça, informou que seria apresentada denúncia ao Ministério Público da Venezuela, ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ao Relator sobre Detenção Arbitrária da ONU e à Organização Mundial da Saúde.[5][17]

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) publicou nota afirmando que García entrou no Hospital Central de San Cristóbal com "patologia de hipertensão arterial", tendo recebido atendimento médico adequado desde sua internação, e que foi submetido a "diferentes exames médicos que mostraram resultado patológico de presumida doença imunodeficiente infecciosa, o que poderia ter causado complicações na patologia de toxoplasmose cerebral", que, segundo o tribunal, levou à sua morte. O tribunal também afirmou que não havia advertências ou solicitações no prontuário de García sobre doenças crônicas e pediu à oposição "que se abstenha de emitir opiniões irresponsáveis com informações falsas com o único propósito de causar alarme na população".[5][9][18][19]

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, e a procuradora-geral da Venezuela no exílio, Luisa Ortega Díaz, responsabilizaram o governo pela morte do vereador García e a descreveram como mais uma violação dos direitos humanos no país.[20][21] O prefeito metropolitano Antonio Ledezma e a ONG Foro Penal atribuíram a morte à falta de atendimento médico oportuno. O deputado Freddy Guevara e a opositora María Corina Machado classificaram a morte como "assassinato".[5] O vereador de Baruta e coordenador do partido Vontade Popular, Luis Somaza, declarou que "a morte do vereador Carlos Andrés García deixa ainda mais claro ao mundo que na Venezuela existem presos políticos e que seus direitos humanos são violados", afirmando que García foi privado de atenção médica quando necessitava e que esta foi a razão de sua morte.[22] O governador de Miranda, Henrique Capriles, estendeu suas condolências à família de García.[5] Foi anunciado que a Assembleia Nacional investigaria a morte de García.[23][24]

Ver também

Referências

  1. «Denuncian que Sebin allana casa del concejal Carlos Andres García en Guasdualito» [Denounced that Sebin raids house of the councilman Carlos Andres García in Guasdualito]. Diario 2001 (em espanhol). 17 de dezembro de 2016. Consultado em 12 de julho de 2019 
  2. «Liberaron al diputado opositor Luis Lippa tras ser detenido "para protegerlo" (+Tuits)» [Opposition deputy Luis Lippa was freed after being arrested "to protect him" (+Tweets)]. Diario 2001 (em espanhol). 16 de dezembro de 2016. Consultado em 12 de julho de 2019 
  3. a b c «Fallece concejal Carlos Andrés García en sede del Sebin, denuncia Primero Justicia» [Councilor Carlos Andrés García dies in Sebin headquarters, denounces Justice First]. Efecto Cocuyo (em espanhol). 17 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  4. a b c «Relatan cómo fue la muerte del concejal Carlos Andrés García» [Told how the death of councilor Carlos Andrés García was]. EP Mundo (em espanhol). 19 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  5. a b c d e f «Muere concejal opositor en calabozo de Venezuela: acusan al gobierno» [Opposition councilor dies in Venezuelan jail: Government accused]. CNN en Español (em espanhol). 18 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  6. a b c «Muere un concejal opositor venezolano que estaba preso, su familia denuncia que no recibió atención médica» [A Venezuelan opposition councilor who was imprisoned dies, his family denounces that he did not receive medical attention]. Univision (em espanhol). 18 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  7. Arenas, Macky (19 de setembro de 2017). «Venezuela consternada: ¿De qué murió el concejal Carlos Andrés García?» [Venezuela in dismay: What did councilor Carlos Andrés García die of?]. Aleteia (em espanhol). Consultado em 12 de julho de 2019 
  8. «¡DELICADO! Exigen traslado del concejal Carlos Andrés García a un centro de salud» [DELICATE! Demanded transfer of Councilman Carlos Andrés García to a health center]. Noticias Al Minuto (em espanhol). 17 de agosto de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  9. a b «TSJ informó que concejal Carlos García recibió atención médica en agosto» [TSJ reported that councilman Carlos García received medical attention in August]. El Nacional (em espanhol). 18 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  10. «Murió concejal de Primero Justicia detenido por el Sebin» [Councilman of Primero Justicia arrested by the Sebin dies]. El Nacional (em espanhol). 17 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  11. Vinogradoff, Ludmila (18 de setembro de 2017). «Venezuela: un preso político muere en la cárcel» [Venezuela: Political prisoner dies in jail]. Clarín (em espanhol). Consultado em 12 de julho de 2019 
  12. «Murió Carlos Andrés García, concejal apureño y preso político» [Carlos Andrés García, councilor from Apure and political prisoner, dies]. El Carabobeño (em espanhol). 17 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  13. «Muere concejal Carlos Andrés García preso en el Sebin tras no recibir asistencia médica» [Councilman Carlos Andrés García dies in prison after not receiving medical assistance]. El Impulso (em espanhol). 18 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  14. «Primero Justicia culpó al Gobierno por muerte del concejal Carlos Andrés García» [Justice First blamed the Government for the death of Councilman Carlos Andrés García]. Diario 2001 (em espanhol). 17 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  15. «Primero Justicia responsabiliza al gobierno por la muerte del concejal Carlos Andrés García» [Justice First blames the government for the death of Councilman Carlos Andrés García]. 800 Noticias (em espanhol). 17 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  16. «Concejales llevarán el caso de Carlos Andrés García a instancias internacionales» [Councilors will take the case of Carlos Andrés García to international instances]. VPI TV (em espanhol). 19 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  17. «CIDH recibirá denuncia sobre muerte del concejal Carlos Andrés García» [IACHR will receive report on the death of Councilman Carlos Andrés García]. El Político (em espanhol). 20 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  18. «El TSJ dice que el concejal Carlos Andrés García habría muerto a causa de una enfermedad inmunodeficiente» [The TSJ says that the councilman Carlos Andrés García died from an immunodeficient disease]. La Información (em espanhol). 19 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  19. «El TSJ de Venezuela dice que el concejal Carlos Andrés García habría muerto a causa de una enfermedad inmunodeficiente» [The TSJ of Venezuela says that Councilman Carlos Andrés García died from an immunodeficient disease] (em espanhol). Europa Press. 19 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  20. «La OEA acusa al Gobierno venezolano de la muerte del concejal opositor Carlos Andrés García» [The OAS accuses the Venezuelan government of the death of the opposition councilor Carlos Andrés García]. Notimérica (em espanhol). 18 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  21. «Luisa Ortega Díaz: "Muerte de concejal Carlos Andrés García constituye otra violación de los DDHH"» [Luisa Ortega Díaz: "Death of councilor Carlos Andrés García constitutes another violation of human rights"]. El Pitazo (em espanhol). 18 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  22. «Luis Somaza: El régimen de Maduro le negó asistencia médica a Carlos García y murió» [Luis Somaza: The Maduro regime denied medical assistance to Carlos García and died]. Feed Noticias (em espanhol). 18 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  23. «AN investigará muerte del concejal Carlos Andrés García» [AN will investigate the death of councilor Carlos Andrés García]. Analítica (em espanhol). 19 de setembro de 2017. Consultado em 12 de julho de 2019 
  24. Lossada, Eduardo (20 de setembro de 2017). «Muerte del concejal Carlos Andrés García será investigada por la AN» [Death of Councilman Carlos Andrés García will be investigated by the AN]. Correo del Orinoco (em espanhol). Consultado em 12 de julho de 2019